Tricalouro paraense em Medicina supera grave doença e é aprovado em três universidades
Ítalo realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2025 durante uma internação no Hospital Beneficente Portuguesa, no período do transplante de medula óssea
Mesmo enfrentando um período difícil de sua vida, o estudante paraense Ítalo Cantanhede conquistou a aprovação no curso de Medicina em três universidades públicas. Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A vitória veio enquanto ele estava em tratamento de saúde, longe de casa, durante um transplante de medula óssea realizado em São Paulo.
Aluno do Colégio Militar de Belém (CMBel), Ítalo foi diagnosticado em maio de 2025 com aplasia de medula óssea severa, uma doença rara e extremamente debilitante. Desde então, passou longos períodos internado, com limitações físicas que praticamente o impediram de manter uma rotina regular de estudos. Ainda assim, sempre que o estado de saúde permitia, fazia revisões pontuais para não perder o conteúdo acumulado ao longo dos anos.
Segundo o pai, Wagner Cantanhede, o objetivo não era uma preparação intensa para o vestibular, mas a manutenção do conhecimento. “Foi mais um esforço para não se afastar totalmente dos estudos do que uma rotina convencional de preparação”, explica.
O sonho de cursar Medicina, no entanto, sempre esteve presente na vida do estudante. “Desde muito pequeno ele demonstrava esse desejo. Sempre foi algo muito forte para ele”, relata o pai. Mesmo em meio às internações, o vestibular representou um apoio emocional importante. “Ter esse objetivo ajudou a manter a mente voltada para o futuro, e não apenas para a doença. Isso foi fundamental para o ânimo e para a esperança”, afirma Wagner.
Ítalo realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2025 durante uma internação no Hospital Beneficente Portuguesa, no período do transplante de medula óssea. Atualmente, ele segue em recuperação em São Paulo, cerca de 85 dias após o procedimento. Após enfrentar infecções no pós-transplante e precisar ser reinternado, agora aguarda liberação médica para retornar a Belém e os resultados de exames que indicarão a estabilidade do tratamento e a evolução para a cura.
Durante esse período, o apoio educacional foi decisivo. O Colégio Militar de Belém ofereceu acompanhamento pedagógico remoto por meio do Acompanhamento Educacional Adaptado (AEA), programa do Sistema Colégio Militar do Brasil voltado a alunos que, por questões de saúde, não podem frequentar as aulas presencialmente. As atividades foram realizadas à distância, com cronograma, registros de frequência e adaptação às condições do aluno, permitindo que Ítalo concluísse o terceiro ano do ensino médio.
Além do suporte educacional, a mobilização em torno do tratamento também marcou a trajetória do estudante. Diante da necessidade de transfusões frequentes, o colégio, em parceria com a família e a Associação de Pais e Mestres, organizou uma campanha de doação de sangue que resultou em mais de duas mil doações, beneficiando centenas de outros pacientes.
Para a família, a conquista é reflexo da força e da dedicação do jovem. “Entendemos que somos apenas instrumentos para dar suporte. Essa vitória é mérito dele, da força que demonstrou, e também da misericórdia de Deus sobre nossa família”, afirma Wagner.
Sem grandes comemorações devido ao tratamento em curso, a notícia foi celebrada com um almoço simples em São Paulo. A festa maior fica para depois, em Belém, quando Ítalo puder retornar com segurança. Enquanto isso, ele deixa uma mensagem a quem enfrenta desafios semelhantes: valorizar a família, os amigos, a fé e manter a esperança. “Esses pilares são fundamentais para enfrentar qualquer dificuldade”, afirma o estudante.
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