Entenda como funciona a destinação de resíduos sólidos na Grande Belém

Aterro Sanitário de Marituba recebe e trata os resíduos sólidos de Belém, Ananindeua e Marituba

Bruno Roberto | Especial para O Liberal
fonte

O Aterro Sanitário de Marituba recebe em torno de 1.300 toneladas de resíduos sólidos diariamente dos municípios de Belém, Ananindeua e Marituba. Diferentemente dos lixões, o aterro recebe e trata os resíduos, com destaque para a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), que transforma principalmente chorume em água de reuso, e a Usina de Biogás, que gera energia elétrica e crédito de carbono.

De responsabilidade da empresa Guamá Tratamento de Resíduos, o aterro recebe resíduos da classe II-A, isto é, resíduos domésticos. Em torno de 70% dos resíduos descartados no local são de Belém, 20% de Ananindeua e 10% de Marituba e empresas privadas. A empresa conta com cerca de 200 trabalhadores próprios, entre engenheiros, técnicos, encarregados e outros profissionais.

A área total de despejo mede 208 mil metros quadrados, onde o solo é coberto por uma manta impermeável de polietileno de 2 mm de espessura. Atualmente, o aterro tem uma altura de aproximadamente 40 metros, segundo o engenheiro ambiental Wagner Cardoso, gerente comercial da empresa.

Após várias prorrogações de permissão para o funcionamento do serviço, o Aterro Sanitário de Marituba seguirá operando até 30 de junho de 2027. A decisão foi proferida no dia 30 de dezembro de 2025 pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA).

Entenda o funcionamento do aterro

Ao chegar ao espaço do aterro, o caminhão com os resíduos se posiciona em cima de uma balança para aferir o peso. Em seguida, o veículo se dirige ao local sinalizado para descarregar os resíduos, o que dura aproximadamente 30 minutos. Por fim, o caminhão precisa voltar à balança antes de sair para o sistema medir o peso líquido dos resíduos.

“É todo um sistema rastreável e auditável. O operador só faz digitar a placa do caminhão e selecionar a empresa. No mais, ele pesa de novo no final e no sistema terá o peso líquido automaticamente da quantidade de resíduos que entrou”, explica o engenheiro ambiental Wagner Cardoso.

aterro

Os resíduos são descarregados em uma área descoberta do aterro. Após esta área ser completamente ocupada, um trator compacta o montante e é depositado solo para cobrir os resíduos. Quando a área está coberta, uma manta é soldada por cima dessa área.

“A área que fica descoberta não pode ultrapassar 1.500 m². É uma área pequena em relação à quantidade de resíduos que chega. Por que ela é pequena aqui na região? Por conta das chuvas”, comenta o engenheiro ambiental.

Diariamente, em torno de 172 viagens de caminhões são feitas no aterro sanitário, conforme informa Wagner Cardoso.

Estação de Tratamento de Efluentes (ETE)

O chorume é um líquido escuro, viscoso e de odor forte que é gerado pela decomposição de matéria orgânica. No Aterro Sanitário de Marituba, o chorume resultante dos resíduos é canalizado para a ETE, onde ele passa por um processo físico, químico e biológico para virar água de reuso.

A ETE tem a capacidade de gerar 960 m³ de água diariamente e 40 m³ por hora, segundo informa o gerente comercial.

A primeira etapa do processo é na lagoa de estabilização. Em seguida, o líquido vai para a lagoa de bactérias, onde a matéria orgânica é decomposta e a cor do chorume fica menos escura. Na sequência, ocorrem os processos de aglutinação, flotação e nanofiltração, nos quais as impurezas do chorume são retiradas, resultando na água para reuso.

O tempo de duração de todo o processo varia de acordo com a quantidade e a concentração dos poluentes. “Geralmente, esse tempo é de aproximadamente 27 a 33 dias”, afirma o engenheiro ambiental.

A empresa utiliza a água de reuso para umectação de vias, limpeza de equipamentos e irrigação para replantio.

Usina de Biogás

Além do chorume, os resíduos também geram biogás, composto por uma mistura de gases, como metano (CH4), oxigênio (O₂) e gás sulfídrico (H₂S). O biogás é canalizado para a Usina de Biogás, onde ocorre a queima (combustão) para gerar crédito de carbono e energia elétrica.

O processo serve para a geração de crédito de carbono, visto que o metano – queimado na usina e transformado em dióxido de carbono (CO₂) – tem um potencial de prejudicar a atmosfera mais de 20 vezes maior que o gás carbônico (CO₂).

A energia elétrica resultante é aproveitada pelo próprio aterro. “A energia é injetada na rede para que a concessionária volte essa energia em créditos. O que sobra é comercializado. Com o excedente, dá uma receita de uns R$ 100 mil, fora a economia que fazemos aqui”, detalha o engenheiro ambiental Wagner Cardoso.

Cuidados com o meio ambiente

A respeito da proteção ambiental, Wagner Cardoso destaca as ações e materiais utilizados no aterro. “Os resíduos são totalmente protegidos de ter qualquer contato com o solo, por meio de mantas de impermeabilização. Ainda temos uma ETE, que trata todos os efluentes gerados. Para os gases, temos a Usina de Biogás, que transforma um gás mais agressivo em um gás menos agressivo e em energia elétrica”.

O engenheiro ambiental também ressalta o monitoramento realizado no aterro. “Temos os monitoramentos de preservação: controle de água subterrânea, controle de efluentes, monitoramento de fauna e flora, de solo e de ar. Tudo isso é entregue ao órgão ambiental para que ele faça a análise e verifique a veracidade dos dados gerados na nossa unidade”.

O aterro ainda possui uma barreira vegetal que abrange todo o perímetro da área do espaço, tendo 30 metros de largura e sendo composta por espécies densas e locais.

Reclamações

A Guamá Tratamento de Resíduos possui um programa chamado "Alô Guamá", um canal de comunicação para receber reclamações, com o compromisso de retorno aos moradores em até 72h, segundo a empresa.

“Recebemos todas as reclamações da sociedade, principalmente a respeito de odores, incluindo os dias e os horários que eles surgem. Tentamos modificar e adaptar a nossa operação para que não gere odores à comunidade”, afirma Wagner Cardoso.

Segundo dados disponibilizados pela empresa responsável pelo aterro, o número de reclamações no canal de comunicação caiu quase totalmente entre 2022 e 2025, passando de 52 para 5 reclamações. Até maio de 2026, duas foram registradas.

“Nosso diálogo é totalmente transparente. Nosso processo de licenciamento é público, qualquer pessoa pode pedir vista. Todas as nossas análises estão no órgão ambiental, feitas por laboratório externo e acreditado, além de estarem expostas à sociedade”, defende Wagner Cardoso.

Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) trata da gestão integrada e do gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil, determinando princípios, classificações, objetivos e responsabilidades do poder público e da sociedade.

Com base na lei, a gestão se baseia na seguinte ordem de ações: não geração; redução; reutilização; reciclagem; tratamento dos resíduos; e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

Entre as determinações da PNRS, todos os lixões do país deveriam ter sido fechados até agosto de 2014. Porém, o Lixão do Aurá foi desativado apenas em 2015 e o Aterro Sanitário de Marituba foi aberto no mesmo ano, recebendo os resíduos de Belém, Ananindeua e Marituba.

“O ponto mais importante da Política Nacional de Resíduos Sólidos foi o encerramento dos lixões, que estava previsto até 2014. Ela é muito importante, pois chama as prefeituras e a sociedade à responsabilidade desse problema, que é a existência de uma quantidade muito grande de lixões no Brasil e no Pará”, afirma Reginaldo Bezerra, diretor de negócios da Guamá Tratamento de Resíduos.

Apesar dos esforços de mudança, em 2024, 31,9% dos municípios brasileiros ainda utilizavam lixões como unidade de disposição final de resíduos sólidos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Após várias prorrogações de permissão para o funcionamento do serviço, o Aterro Sanitário de Marituba seguirá operando até 30 de junho de 2027. A decisão foi proferida no dia 30 de dezembro de 2025 pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA).

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Belém
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM BELÉM

MAIS LIDAS EM BELÉM