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Três meses após desabamento, Largo da Palmeira segue abandonado no centro comercial de Belém

Na noite de 29 de outubro de 2025, um idoso ficou gravemente ferido após parte do piso do Largo da Palmeira desabar durante uma forte chuva

Dilson Pimentel

Três meses após a chuva que causou o desabamento das estruturas do Largo da Palmeira, no centro comercial de Belém, o espaço segue sem intervenções efetivas e em situação de abandono, segundo trabalhadores e frequentadores da área. Eles relatam que, desde a ação da Defesa Civil, nenhuma medida foi adotada pela Prefeitura de Belém para recuperação, manutenção ou reorganização do local, e que os ambulantes foram remanejados para as calçadas, enquanto não há obras em andamento no largo. A reportagem registrou essa situação na manhã da quinta-feira (29).

Na noite de 29 de outubro de 2025, um idoso ficou gravemente ferido após parte do piso do Largo da Palmeira desabar durante uma forte chuva. E, após o acidente, os ambulantes foram remanejados para a calçada em frente, na rua Ó de Almeida, e para a calçada lateral do espaço, na rua Padre Prudêncio, e, também, para a travessa 1º de Março. A ambulante Vera Lúcia Sena da Silva, 50 anos, que trabalha com moda pet e venda de bolsas em geral, tornou-se uma das principais vozes dos trabalhadores afetados pela interdição do Largo da Palmeira, em Belém. Ela trabalha na calçada, pela rua Manoel Barata.

E disse que a presença do poder público se limitou ao momento inicial. “A prefeitura veio com a Defesa Civil, interditou o espaço e, para eles, esse foi o trabalho feito. Depois disso, a gente teve que se organizar sozinho. Eles não apareceram mais aqui, nem para dizer como vai ficar a nossa situação”, contou. De acordo com ela, desde outubro do ano passado, nenhuma ação foi realizada. “Pelo contexto, eles não fizeram mais nada”, afirmou.

Vera destacou ainda que o Largo da Palmeira é uma área pública localizada em uma das regiões mais movimentadas do comércio da capital. Para ela, manter o espaço degradado compromete a imagem da cidade. “A gente está no centro comercial, isso aqui é cartão-postal do comércio. Não é legal para a prefeitura manter essa área do jeito que está”, afirmou.

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De acordo com Vera, após o acidente, a Defesa Civil esteve no local e constatou que 80% da área estava comprometida, o que levou à interdição total do espaço. “Automaticamente todo mundo perdeu o seu espaço, o seu trabalho. Não tinha mais como ficar lá dentro”, contou. À época, cerca de 120 pessoas trabalhavam no interior do Largo da Palmeira.

image A ambulante Vera Silva teme que o espaço volte a ser o que era antes: um buraco (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

Sem informações sobre o que será feito

Como alternativa apresentada em articulação entre a sede do espaço e a Prefeitura, foi autorizada a instalação de 40 barracas na travessa 1º de Março. No entanto, o número foi considerado insuficiente. “Eram 120 trabalhadores e só 40 barracas. O restante ia ficar sem barraca e sem trabalho”, explicou Vera. Diante da falta de vagas, os trabalhadores passaram a se mobilizar para ocupar a calçada em frente ao Largo da Palmeira. Vera afirmou que já atuava no local desde uma orientação anterior da Prefeitura, quando foi anunciada uma revitalização do espaço - que, segundo ela, nunca ocorreu. “Deram a permanência das barraquinhas aqui fora. Eu fiquei. Meus dois boxes são aqui, logo no corredor”, contou.

Largo da palmeira segue abandonado no centro comercial

Por já trabalhar na calçada e ter clientela formada, Vera acabou articulando, junto à direção da sede, uma solução para os colegas que ficaram sem barraca. “Tivemos uma reunião e eu tive que salvar o restante da calçada para organizar o pessoal em boxes, como você vê hoje”, informou. Segundo ela, parte dos trabalhadores, especialmente das óticas, optou pelos boxes por serem mais adequados do que as barracas, já que o material vendido exige maior proteção.

Enquanto isso, o cenário dentro do Largo da Palmeira é descrito como de abandono. Vera demonstra preocupação com a ausência de informações sobre o futuro do espaço. Segundo ela, o prefeito mencionou, em entrevistas à televisão, a possibilidade de remanejamento dos trabalhadores para um prédio inacabado na avenida Tamandaré, ao lado de um shopping, mas nenhuma medida concreta foi tomada. “Ele só falou isso. É como se a gente tivesse que esquecer o Espaço Palmeira”, afirmou.

image Na noite de 29 de outubro de 2025, um idoso ficou gravemente ferido após parte do piso do Largo da Palmeira desabar durante uma forte chuva (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

Espaço pode voltar a ser um buraco, teme ambulante

Até o momento, segundo Vera, nenhuma obra de recuperação foi iniciada no local. “A única coisa que está sendo feita somos nós mesmos, retirando o material de dentro e reconstruindo aqui fora”, afirmou. Como porta-voz informal dos trabalhadores, Vera faz um apelo à Prefeitura e às autoridades para que seja garantida a permanência dos comerciantes na área externa. Ela destacou que, apesar de ser uma via pública, o local tem grande circulação de pessoas e garante movimento ao comércio. “Muita gente passa, para para comprar com a gente, isso ajuda no nosso trabalho. É uma divulgação”, disse.

Ela alertou que a retirada dos comerciantes pode provocar novo abandono da área. “Se tirar a gente daqui, vai ser um abandono total da avenida e do espaço, que antigamente era o buraco da Palmeira. Vai voltar a ser um buraco deserto”, afirmou. Ainda segundo Vera, a presença dos trabalhadores mantém a movimentação e beneficia tanto o comércio quanto a cidade.

O cozinheiro Maximino Sodré Palheta, de 52 anos, também criticou a situação. Segundo ele, o local representa hoje um desperdício de espaço público. “Aqui podia gerar emprego para outras pessoas que estão precisando, mas está tudo abandonado”, disse. Maximino alertou ainda para os riscos estruturais, especialmente no período chuvoso. “Há risco de cair de novo, porque nada foi feito. Com toda essa chuva, o perigo continua”, afirmou.

Além disso, ele relatou problemas de segurança e falta de manutenção. “Já teve até incêndio, causado por vício, gente fumando aí dentro. Visualmente é ruim para quem passa e perigoso para quem trabalha por perto. O pessoal usa droga aí dentro, está jogado”, denuncia. Para os trabalhadores, medidas simples poderiam amenizar a situação enquanto não há uma solução definitiva. “Podia ter mais boxes, limpeza, alguma organização. Pelo menos isso, para não parecer totalmente abandonado”, indicou Maximino.

Infiltração e sobrecarga

Um dia após o acidente, no dia 30 de outubro, o então superintendente da Defesa Civil Municipal, Vitor Magalhães, disse que mais de 80% da laje do Largo da Palmeira, no bairro da Campina, estava comprometida. Segundo ele, a danificação da estrutura ocorreu por conta de “algumas pessoas terem feito piso e contrapiso”, o que pode ter sobrecarregado o limite de peso que o piso podia aguentar.

Segundo a Defesa Civil Municipal, o incidente pode ter sido causado por infiltração e sobrecarga provocada pelo acúmulo de chuva. Por medida de segurança, toda a estrutura foi interditada devido ao risco de novos desabamentos. Na parte inferior do espaço funcionava um estacionamento privado, onde um carro ficou bastante destruído após o colapso.

Sobre a interdição do perímetro, o superintendente disse, à época, que não havia uma previsão de liberação do local. “O que eu posso afirmar e assegurar é que todo time da prefeitura está empenhado para que respostas sejam dadas de imediato. O prefeito (Igor Normando) já convocou uma reunião com todo o time de secretariado da prefeitura para que a gente possa dar soluções o mais rápido e que essas pessoas (permissionários) possam ter suas atividades de volta”, afirmou Vitor. A Redação Integrada de O Liberal entrou em contato com a Prefeitura de Belém e aguarda retorno.

 

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