Transição capilar: mais do que assumir cachos, um processo de identidade, paciência e liberdade
A tendência para os próximos anos aponta justamente para cabelos mais naturais, volumosos e autênticos
Durante muito tempo, o cabelo liso foi tratado como padrão. Mas, nos últimos anos, cada vez mais pessoas têm abandonado as químicas alisantes e permitindo a textura natural dos fios. Esse movimento, conhecido como transição capilar, vai muito além de uma mudança estética, envolve autoestima, reconexão com a própria identidade e liberdade de escolha.
Segundo a cabeleireira Dalila Grippa, proprietária de um salão espacializado em cachos, no bairro do Marco, a transição capilar é o processo de sair de um cabelo tratado com química para um cabelo totalmente natural. “Ela começa no momento em que a pessoa decide não fazer mais nenhum tipo de alisamento ou química que altere a curvatura do fio”, explica.
Dalila observa que o grande aumento na procura pelo serviço aconteceu durante a pandemia. “Como é um processo demorado e que exige adaptação, o período de isolamento acabou facilitando. As pessoas puderam viver essa fase com mais tranquilidade”, conta. Desde então, a busca só cresce. “Uma pessoa inspira a outra. Alguém vê uma amiga passando pela transição, gosta do resultado e se encoraja”, acrescenta.
A transição capilar não acontece da noite para o dia. Como a química não pode ser revertida, o único caminho é o crescimento do cabelo natural e o corte gradual da parte alisada. O processo pode durar, em média, até dois anos, variando conforme o crescimento do fio e as decisões pessoais de cada um.
“Tem gente que prefere cortar tudo, deixar o cabelo bem curtinho. Outras pessoas optam por ir cortando aos poucos, mês a mês. É uma escolha muito individual”, explica Dalila. O serviço também é procurado por homens, que muitas vezes se surpreendem ao descobrir que também podem, e devem, passar pelo processo se desejarem assumir o cabelo natural.
Durante esse período, convivem duas texturas no mesmo cabelo, o que costuma ser um dos maiores desafios. “É preciso paciência, tanto com o cabelo quanto com o psicológico. O fio natural vem com frizz, volume, densidade, e muita gente ainda está acostumada com o cabelo alinhado e selado pela química”, destaca Dalila.
Para a cabeleireira Rita Araújo, também especialista em cabelos cacheados, que atua em um salão no bairro de Nazaré, a transição capilar já ultrapassou o status de tendência. “Hoje, ela é um movimento. As pessoas querem se reconhecer como são, cuidar da saúde dos fios e se libertar de padrões impostos. É uma escolha que fala muito sobre identidade e liberdade”, afirma.
Rita também alerta que a desistência costuma acontecer por falta de informação e acompanhamento profissional. “A ansiedade pelo resultado final, a pressão estética e a dificuldade de lidar com duas texturas podem desanimar. Com orientação correta e acolhimento, o processo se torna muito mais leve”.
A empreendedora Lollie Coelho, de 40 anos, viveu a transição capilar ao longo de cerca de dois anos. Para ela, a decisão surgiu de forma natural, junto com mudanças no estilo de vida. “Comecei a cuidar mais da alimentação, da saúde, e isso veio junto com o cabelo. Passei a me perguntar, quem é a Lollie? Por que esse cabelo?”, relembra.
Lollie optou por não fazer o corte radical. “Fomos cortando aos poucos, hidratando, vivendo cada fase. É um processo de redescoberta. A gente já nem sabe mais quem é quando olha aquele cabelo totalmente alisado”, diz. Ao longo do caminho, a vontade de desistir apareceu várias vezes. “Por isso é tão importante ter um profissional acompanhando. Sozinha, acho que eu não teria conseguido”, destaca.
Hoje, com a transição finalizada, o sentimento é de liberdade. “Não depender de química, de chapinha, de secador. Finalizar o cabelo, sair de casa e ser feliz. É libertador”, diz a empreendedora.
Volume natural em alta
Dalila também percebe uma mudança clara no comportamento das clientes. “Elas estão mais receptivas ao volume natural, à densidade do cabelo sem química. Buscam dicas de finalização, de como valorizar esse volume e tratar o fio para que ele fique mais saudável”, afirma. A tendência para os próximos anos aponta justamente para cabelos mais naturais, volumosos e autênticos.
TRANSIÇÃO CAPILAR: PASSO A PASSO E DICAS ESSENCIAIS
- Decisão consciente
- Fim do uso químicas alisantes
- Entenda que é um processo longo e gradual
- Paciência é fundamental
- O processo pode durar até 2 anos
- Cada cabelo tem seu próprio ritmo
- Aposte em cremes de pentear e hidratações frequentes
- Corte estratégico
- Cuide da saúde dos fios
Palavras-chave
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