Servidores do Hospital Barros Barreto fazem ato por reajuste salarial e outras reivindicações

Mobilização reúne sindicatos e residentes no HUJBB e pressiona por avanços no acordo coletivo de trabalho e melhores condições na unidade em Belém

Gabriel
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Trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) realizaram, na manhã desta segunda-feira (30), um protesto em frente ao Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), em Belém. A mobilização iniciou por volta das 8h30, no portão de entrada da unidade, e reuniu servidores que cobram avanços nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial, melhorias nas condições de trabalho e garantia de direitos para os trabalhadores. O protesto encerrou por volta de 11h30.

O ato foi definido em assembleia da categoria realizada na última quinta-feira (26), quando também foi decretado estado de greve a partir desta segunda. A decisão inclui ainda a manutenção de assembleia em caráter permanente. De acordo com o sindicato, a manifestação ocorre em meio a um impasse nas negociações com a empresa, principalmente em relação às cláusulas sociais e econômicas. A mobilização integra o movimento nacional dos trabalhadores da EBSERH, que intensificam a organização em diversos estados para pressionar por melhorias no ACT.

Segundo o coordenador-geral do Sintsep-PA, Cedicio de Monteiro, os principais pontos de reivindicação da categoria neste momento são a manutenção das cláusulas sociais do atual acordo e a garantia de ganhos financeiros para esposas vítimas de violência doméstica e para a população LGBTQIA+. Ele destaca que, entre os fatores determinantes para o início da mobilização, estão as cláusulas econômicas apresentadas à empresa: INPC + 15% de ganho real e apenas 23% de reposição de perdas salariais.

Estado de greve

Cedicio explica que o estado de greve deve se manter até esta terça-feira (31), quando devem ser tomadas novas decisões sobre a mobilização dos servidores. “Ontem, eu mesmo protocolei, às 16h30, o ofício comunicando o HUJBB sobre o estado de greve e ato público no portão de acesso ao hospital, além de assembleia de caráter permanente. Portanto, a partir da hora do protocolo, temos que contar 72h, se eu entendi, para aprovar a greve propriamente dita. Um dos hospitais do Nordeste, hospital de clínicas, entrou em greve à noite, o que motivou a Condsef [Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal] a entrar com o pedido de dissídio”, acrescenta o gestor da entidade.

Ato unificado

O ato reúne, ainda, representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior (Sindtifes-PA), além do Sintsep, e também residentes do Barros Barreto, que participam de forma conjunta da mobilização. A mobilização ocorre de forma unificada entre residentes multiprofissionais, trabalhadores da EBSERH em campanha salarial e servidores da Universidade Federal do Pará (UFPA) em greve.

O membro da coordenação do Sindtifes, Will Mota, explica que o ato reúne três mobilizações: a campanha salarial dos trabalhadores da Ebserh, que ainda não apresentou proposta; a reivindicação de residentes multiprofissionais por melhores condições de trabalho, diante de problemas como falta de estrutura e desrespeito à jornada; e a greve dos trabalhadores da UFPA, que iniciou no último dia 23 de fevereiro.

“Foram três lutas que confluíram aqui, para o mesmo dia e horário: a campanha salarial dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que faz a gestão do complexo hospitalar do Barros Barreto e Bettina Ferro. Eles estão em campanha salarial e não têm nenhuma proposta da empresa até o presente momento. Os residentes multiprofissionais do Barros Barreto reclamam de péssimas condições de trabalho”, detalha Will.

Problemas estruturais

Sobre os problemas no Barros Barreto, Will detalha: “Há pombo no refeitório, falta de ar-condicionado na sala de repouso, desrespeito à jornada de trabalho e de atendimento deles. Enfim, é uma situação bastante difícil que os residentes multiprofissionais passam. E, também, nós da universidade estamos em greve desde o dia 23 de fevereiro, os trabalhadores que são da universidade”.

“Durante o ato, o clima ficou tenso porque o portão [do hospital] estava fechado. Uma ambulância queria entrar. O pessoal que estava fechando o portão queria deixar a ambulância passar, mas algumas pessoas que têm carro, do lado de dentro, não queriam permitir a passagem. Enfim, houve tensão para que o ato fosse desmontado aqui na frente”, acrescenta Will.

Posicionamento

Em nota, a HU Brasil, empresa pública que administra os hospitais universitários Barros Barreto (HUJBB) e Bettina Ferro (HUBFS), informou que permanece em processo de negociação com as entidades representativas dos empregados e empregadas para a celebração do ACT 2026/2027, cuja data-base está fixada em 1º de junho de 2026. “As tratativas vêm sendo mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde a última terça-feira (24), com nova rodada de negociação agendada para esta segunda-feira (30). Na reunião, a estatal vai apresentar o índice econômico visando avançar no entendimento entre as partes”, detalha o comunicado.

“Destaca-se que o último ACT (2024/2026), ainda vigente, firmado com as entidades sindicais, contemplou avanços relevantes tanto do ponto de vista econômico quanto social, reafirmando o compromisso com o diálogo permanente e com a valorização dos(as) trabalhadores(as). Em relação à manifestação dos residentes uniprofissionais e multiprofissionais, o Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA/HU Brasil) informa que as demandas apresentadas já estão sendo avaliadas, com parte das soluções em andamento”, acrescenta a HU Brasil.

A empresa ainda detalha: “Nesta terça (31), a gestão deve se reunir com os estudantes para dialogar sobre novos avanços. A estatal reforça que tem adotado medidas para assegurar a continuidade da prestação dos serviços essenciais de saúde à população, resguardando o interesse público. No Pará, até o momento, não há impactos na assistência prestada aos usuários do SUS em decorrência das manifestações, sendo mantidos normalmente os atendimentos, como consultas, exames e cirurgias eletivas”.

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