Restauros de ícones arquitetônicos reforçam preservação histórica de Belém
As intervenções simultâneas realçam a importância da preservação cultural e projetam novos usos para espaços
Belém celebra 410 anos, nesta segunda-feira (12), com um conjunto de obras de restauro em quatro de seus mais relevantes patrimônios históricos. Cine Olympia, Fórum Landi, Basílica Santuário de Nazaré e Complexo dos Mercedários passam por intervenções simultâneas que reforçam a importância da preservação cultural e projetam novos usos para os espaços que atravessaram gerações.
Restauração
Inaugurado em 1912, época do cinema mudo, o Cine Olympia é considerado o cinema de rua em atividade mais antigo do país e um dos símbolos da chamada Belle Époque amazônica. A reforma é patrocinada via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com participação da Vale, Prefeitura de Belém, Instituto Pedra, Iphan, cofinanciamento do Banco da Amazônia e apoio do BNDES. O projeto inclui restauração estrutural, reposição de poltronas, modernização da sala de projeção e criação de um espaço expositivo sobre a trajetória do Olympia no cenário audiovisual nacional e internacional. Para a arquiteta Beth Almeida, responsável pelo projeto, restaurar o prédio “significa devolver à cidade um lugar onde tantas gerações construíram memórias”.
No Centro Histórico, o Fórum Landi, edificação do século XVIII ligada à Universidade Federal do Pará (UFPA), também passa por melhorias. As obras contemplam a recuperação de áreas internas como auditório, sala expositiva, espaços administrativos, além da restauração das esquadrias da fachada voltada à Praça do Carmo. A coordenadora do espaço, Roberta Menezes, afirma que o equipamento retornará “ainda mais rico e plural, com visitas guiadas e exposições que reforçam o compromisso com a preservação do Centro Histórico”.
A Basílica Santuário de Nazaré, inaugurada em 1909, enfrenta a primeira intervenção completa em mais de cem anos. Reconhecido como um dos principais símbolos do Círio de Nazaré, declarado patrimônio cultural imaterial da Humanidade pela Unesco, o templo teve restaurados vitrais, mosaicos, esculturas, o altar principal e 16 capelas laterais. A etapa atual prevê renovação da área externa e conclusão da Cripta, que será transformada em espaço multifuncional. O restauro recebe patrocínio da Vale via Lei Federal de Incentivo à Cultura. Para Antônio Salame, representante da diretoria do Círio, a iniciativa é um “presente para Belém”.
Outro marco histórico em processo de requalificação é o Complexo dos Mercedários, conjunto do século XVII às margens da Baía do Guajará. Com interveniência da UFPA e da Arquidiocese de Belém, o espaço ganhará funções culturais, abrigando museu, auditório e galeria. A arquiteta Mayra Martins destaca que o projeto “vai além do restauro físico” ao aproximar a comunidade de um patrimônio que ajuda a narrar a formação da cidade.
Identidade cultural
Segundo a vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, Grazielle Parenti, as iniciativas refletem um compromisso com a identidade cultural da Amazônia e, especialmente, do Pará. Além desses projetos, a empresa integrou ações como a implantação do Museu das Amazônias, as obras no Porto Futuro II e a revitalização dos muros do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, que hoje recebem a terceira edição do Museu de Arte Urbana de Belém (MAUB).
As intervenções reforçam a expectativa de que, entre 2024 e 2027, Belém receba equipamentos restaurados e com novas funcionalidades. Para especialistas e moradores, isso representa a possibilidade de reencontro com o passado. O Olympia retoma o papel de espaço de convivência cultural; o Fórum Landi se consolida como polo de pesquisa e extensão; a Basílica reafirma sua centralidade religiosa e afetiva; e os Mercedários ampliam a oferta de arte e conhecimento.
Para o professor Michel Pinho, que acompanha o processo, as restaurações “unem passado e futuro” ao devolver à população edifícios que contam parte da história da cidade. “Esses prédios só ganham sentido quando se conectam com as pessoas, porque é na vida cotidiana que o patrimônio permanece”, avalia.
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