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Quilombolas fazem ato contra projeto da avenida Liberdade

Comunidade diz não ter sido ouvida sobre o projeto que pode impactar o modo de vida e natureza do quilombo do Abacatal

Eduardo Laviano

Moradores do quilombo Abacatal, em Ananindeua, no Pará, realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (9) em frente ao Palácio do Governo, na avenida Almirante Barroso, manifestando-se contra a construção da avenida Liberdade. Também participaram do ato representantes dos movimentos Salve Amazônia, Juntos e da Conferência Nacional Bispos do Brasil. 

O projeto do governo estadual pretende traçar uma nova via de 14 quilômetros de extensão, entre a avenida Perimetral, no bairro da Terra Firme, até o município de Santa Izabel do Pará, passando também por parte do território da Universidade Federal Rural do Pará (Ufra) - por parte da terra de 618 hectares onde as 121 famílias remanescentes de quilombo vivem no Abacatal.  

Para Vanusa Cardoso, líder espiritual do quilombo, a exigência prioritária dos quilombolas ao governo do estado é a consulta prévia, prevista em lei.

"Consulta prévia, livre e informada. O que a rodovia vai trazer de impacto para a comunidade é gigantesco, haja vista que a rodovia privada vai impedir o nosso vir pela nossa única via de acesso da comunidade. Vai afastar os animais também, pois vivemos em corredor ecológico", diz ela, ao lembrar que eles necessitam ir diariamente para Ananindeua, especialmente para vender os alimentos e artesanatos que produzem.  

Surgido por volta de 1710, o quilombo Abacatal, localizado em Ananindeua, região metropolitana de Belém, luta há décadas para manter a história da comunidade viva. Desde 1883, porém, com a construção da Estrada de Ferro Belém-Bragança, a região não saiu mais do mapa dos grandes empreendimentos e projetos, tanto da esfera pública como da privada.   

No dia 23 de fevereiro deste ano, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, órgão licenciador da obra, convocou entidades e outros interessados para contribuir com a elaboração do Termo de Referência que iria nortear a elaboração do estudo ambiental do projeto de implantação da rodovia. As sugestões deveriam ser encaminhadas por e-mail até o dia 15 de março. 

Um abaixo-assinado virtual contrário à avenida Liberdade já alcançou 2.086 assinaturas até a esta quarta-feira (9). O documento é endereçado ao governador Helder Barbalho (MDB), ao prefeito de Belém Edmilson Rodrigues (Psol) e ao reitor da Ufra, Marcelo Botelho, que preside o conselho da universidade que pode dar aval para que a obra passe pela área de várzea da instituição, que inclusive foi tombado como patrimônio do município, na época da primeira gestão do atual prefeito de Belém.

Procurado para falar sobre o estágio atual das tratativas da obra e da possibilidade de ouvir a comunidade em uma audiência pública, o governo do estado não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição.

A redação segue aguardando posicionamento do Governo do Estado.

Belém
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