Praticar pilates na gravidez melhora a mecânica corporal e fortalece relação mãe-bebê
Mesmo para grávidas sedentárias, a atividade é segura e indicada para começar do zero
A prática de atividades físicas durante a gestação tem sido cada vez mais incentivada por especialistas como uma forma de promover saúde, qualidade de vida e bem-estar para a mãe e o bebê. A reportagem ouviu gestantes de Belém, que relatam melhora em problemas como dor na lombar, inchaço e cansaço com a prática de pilates. A atividade conecta corpo e mente e ajuda no fortalecimento da musculatura, proporcionando uma gestação mais tranquila tanto para gestantes que buscam o parto normal quanto para quem escolhe pela cesariana.
Assim como outras grávidas, a fisioterapeuta Brenda Oliveira, de 31 anos, costumava sentir dores na região da lombar. E essa é uma das principais queixas que surgem com a gestação, por conta da mudança no centro de gravidade do corpo conforme o bebê cresce dentro do abdômen. Durante o terceiro mês de gestação, Brenda foi orientada por sua médica a praticar atividades físicas em busca de alguns benefícios, como mobilidade, alongamento e redução de dores.
A escolha da atividade foi transformadora, com destaque para a disposição que ganhou para realizar atividades diárias. “O pilates traz um corpo mais ativo, mais forte. Trabalhamos também o fortalecimento, não só questões de mobilidade, flexibilidade e as reduções de dores. E no emocional, acaba trazendo um momento só para gente, para se cuidar na fase da gestação. A gente trabalha também a respiração, desacelerando a rotina e tendo um cuidado mais de mamãe e bebê”, diz.
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A gravidez é um momento transformador para o corpo. O útero, por exemplo, deixa de ser um órgão pélvico para se tornar um órgão abdominal durante o período, o que altera a funcionalidade do diafragma, comprometendo a ventilação e perfusão pulmonar. Conforme a barriga cresce, os músculos posteriores puxam para trás, alterando o centro de gravidade e as curvaturas da coluna.
E o que torna o pilates tão benéfico para as gestantes? A resposta está principalmente no fortalecimento da musculatura, como explica a fisioterapeuta e instrutora de pilates Josilene Lobato, idealizadora do estúdio onde Brenda realiza a atividade. “Através dos movimentos corretos, a futura mamãe terá os benefícios do fortalecimento do assoalho pélvico. Se for o parto normal, na hora de fazer força, ela terá um momento mais rápido e confortável. E no pós-parto, essa musculatura já vai estar mais fortalecida e a recuperação vai ser muito mais rápida”, explica.
Mesmo para grávidas sedentárias, que não tinham o hábito de praticar exercícios físicos, a atividade é segura e indicada para começar do zero. Existem níveis, que vão do básico, intermediário até o avançado. Quem chega pela primeira vez começa com exercícios que respeitam o objetivo e os limites de cada mulher.
“Os exercícios favorecem a liberação de hormônios, o que vai ajudar a mulher a ficar um pouco mais tranquila nesse período de gestação, ajudando na ansiedade e justamente no desconforto que acaba surgindo. Então, através dessa liberação desses hormônios durante a prática da atividade física, vai ajudar com que ela tenha um maior conforto durante a gestação”, destaca Josilene Lobato.
Para Brenda Gouvêa, que pretende ter um parto normal, o pilates vem ajudando com a mobilidade do quadril e o fortalecimento do assoalho pélvico. “Para as gestantes, aconselho que pratiquem. É uma excelente atividade para quem é tá nessa fase de gestação, tanto para ter o corpo mais ativo, para melhorar o condicionamento físico, reduzir as dores, inchaços. Além de melhorar também toda a questão corporal e ajudar nessa questão do parto e do pós-parto”, recomenda.
Constância é a chave
A fisioterapeuta Elizadeth Almeida é conhecida como fisioterapeuta das “prenhas e paridas” e também é idealizadora de um estúdio de pilates. Ela destaca que como o pilates é um recurso de exercício, ele demanda constância, que é adaptada de acordo com a rotina de cada mulher. “Uma vez na semana é constância, duas vezes na semana é constância, todo dia é constância. O que ela precisa é gerar dentro da sua rotina uma constância dessa prática de exercício”, afirma.
Existem exercícios de mobilidade pélvica, alongamento e respiratórios que podem ser praticados também em casa, englobando a rotina para além das horas no estúdio. “Nosso maior objetivo como profissional é entregar para essas mulheres consciência corporal e que elas possam reconhecer o corpo delas dentro de tantas modificações que uma gravidez traz em um corpo que sempre foi delas, mas está em constante mudança”, avalia.
Para além dos benefícios físicos, surgem também ganhos para a saúde mental e emocional. É o momento de estar junto e fazer trocas, novas amizades e compartilham experiências e compartilhar momentos semelhantes mesmo entre mulheres com rotinas completamente diferentes. “São mulheres em uma mesma travessia gestando a vida, onde elas trocam muito e para além de exercício. Isso ajuda muito na saúde mental também”, afirma Elizadeth.
As gestantes Ana Paula Couto e Thanyele Costacurta praticam pilates no estúdio de Elizadeth. A primeira é professora de matemática da rede estadual e tem 32 anos; já a segunda é advogada. Ambas começaram no pilates por indicação médica.
No caso de Ana Paula, ela foi tentante por 1 ano e 3 meses até que veio a notícia da gestação de Aurora. Hoje está com 36 semanas, mas no início da gravidez passou por um quadro de placenta baixo, onde precisou abdicar das atividades físicas e entrar em repouso para prosseguir com a gestação. “Meu corpo se tornou uma casa saudável para a minha bebê com o pilates. Me ajudou a não ganhar peso na gestação, porque temos orientações e troca de experiências”, pontua. Outros fatores, como dor na costa, inchaço e cansaço também foram atenuados com a constância no pilates.
Já a advogada Thanyele começou há pouco tempo na modalidade e está completando um mês no pilates. Ela aguarda a primeira filha, Maria Eduarda, e está com 26 semanas de gestação. “O peso aqui na parte pélvica diminuiu também. Tenho me sentido melhor, principalmente ao deitar, tem sido de grande ajuda para mim”, compartilha. Por trabalhar quase sempre sentada, a advogada costumava sentir mais dores na lombar, que aumentaram com o peso da barriga crescendo.
‘Para quem não conhece os benefícios do pilates, eu diria para tentar se informar, pesquisar e buscar fazer parte. A gente fica com os movimentados limitados, com as dores, e praticar ajuda na flexibilidade, diminui dores, peso lombar e também pélvico”, finaliza.
Veja a lista de benefícios do pilates na gravidez
- Ganho de consciência corporal
- Estabilização da postura alterada pela fisiologia da gravidez
- Melhora da mecânica respiratória, que se altera por conta das transformações no útero
- Ajuda a entender movimentos que facilitam a descida do bebê na pelve, tornando o parto dinâmico e consciente
- Potencializa relações interpessoais
- Fortalece a conexão mãe-bebê
Fonte: Elizadeth Almeida, fisioterapeuta especialista em saúde da mulher
*Estagiária de Jornalismo, sob supervisão de João Thiago Dias, coordenador do Núcleo de Atualidades
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