Pessoas em situação de rua ficam sem assistência nos fins de semana em Belém, denunciam entidades
Movimentos sociais denunciam dificuldades de acesso à alimentação aos sábados e domingos
A movimentação de pessoas em situação de rua em espaços públicos de Belém, tem chamado a atenção de frequentadores e trabalhadores do local, especialmente aos fins de semana. Representantes de movimentos sociais denunciam que a redução da oferta de alimentação no Espaço Acolher faz com que muitos precisem buscar ajuda diretamente com a população para conseguir se alimentar aos sábados e domingos.
As denúncias envolvem principalmente a ausência de funcionamento de equipamentos voltados à alimentação da população vulnerável durante o fim de semana. Executiva do Movimento da Luta Antimanicomial, Aline Beserra afirma que o problema está ligado à insuficiência da estrutura de acolhimento existente hoje em Belém.
Segundo ela, o Espaço Acolher foi criado após mobilização de movimentos sociais, lideranças da população em situação de rua e atuação do Ministério Público Federal e Estadual, mas ainda não consegue atender toda a demanda.
“Nós não temos um censo oficial da população em situação de rua, mas a estimativa dos movimentos sociais é de que Belém tenha entre dois e três mil pessoas nessa condição”, afirma.
Ela ressalta que a questão vai além da oferta de abrigo e envolve a garantia de alimentação, banho e acolhimento contínuo.
“As pessoas não deixaram de estar na rua. Muitas precisam desse acolhimento para alimentação, banho e descanso. Isso faz parte de uma política de redução de danos e assistência social”, diz.
A educadora social e ativista da causa Naraguassu Pureza, do Movimento República de Emaús, afirma que a situação se agrava aos fins de semana porque serviços como a Casa Rua e o restaurante popular não funcionam nesses dias.
“A Casa Rua e o restaurante popular não funcionam sábado e domingo. O Espaço Acolher recebe para dormir, mas esses outros serviços de alimentação param. Só que o morador de rua mora de segunda a segunda na rua. Ele não deixa de sentir fome no fim de semana”, afirma.
Segundo ela, a Praça da República acaba se tornando um dos principais pontos de busca por ajuda.
“A praça é um espaço onde tem comida e circulação de pessoas. Então eles vêm pedir. Quem está com fome prefere pedir do que roubar. O poder público deveria atender essa população também aos sábados e domingos”, defende.
A presença constante de pessoas em situação de rua pedindo ajuda é confirmada por trabalhadores da praça. Há cinco anos atuando como vendedora no local, Rayane Meireles diz que a movimentação já faz parte da rotina da área.
“Eles abordam as pessoas pedindo comida. Isso continua a mesma coisa. A única diferença é que hoje muitos não ficam mais tanto na rua à noite porque têm um lugar para dormir”, relata.
Segundo ela, o fluxo costuma aumentar próximo ao horário de almoço, principalmente aos domingos.
“Tem domingo que aparecem seis ou sete pessoas só na minha banca pedindo ajuda. Às vezes isso acaba afastando clientes”, conta.
A reportagem do Grupo Liberal procurou a Prefeitura de Belém para esclarecer como funciona atualmente a oferta de alimentação e acolhimento no Espaço Acolher, além de questionar quais medidas estão sendo adotadas para garantir assistência contínua à população em situação de vulnerabilidade social.
O que diz a Prefeitura de Belém
Em nota, a Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), afirma que as denúncias não correspondem à realidade. “O Espaço Acolher funciona de domingo a domingo, inclusive aos feriados, das 18h às 7h, com acolhimento e alimentação ( jantar e café da manhã)”. A prefeitura diz ainda que o Espaço tem capacidade para atender 60 pessoas, podendo ampliar esse número para 70, em emergências.
A vereadora Vivi Reis, que acompanha as cobranças relacionadas ao funcionamento da rede de assistência social do município, também foi procurada pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
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