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Pesquisadores alertam para possível colapso no Lago Bolonha

Falta de ampliação do sistema e problemas nos mananciais prejudicam o serviço

Camila Guimarães

O Lago Bolonha, principal manancial que abastece a Região Metropolitana de Belém (RMB), está em risco de colapso por causa das consequências danosas da cobertura excessiva de vegetação, as macrófitas, e de um processo lento, mas crescente, de assoreamento. Pesquisadores estimam que, sem medidas mais assertivas de preservação e tratamento, em até 30 anos o abastecimento de água da capital pode estar ameaçado

Há dez anos, em 2012, o Lago Bolonha já era visto sob risco de colapso. Dez anos depois, a situação ainda preocupa. “O problema do lago precisa de uma resolução eficaz, não paliativa. Se continuar do jeito que está, com uns 30 anos esse lago vai desaparecer”, diz o ambientalista José Oeiras, membro do conselho gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) de Belém. 

O Bolonha, localizado na área do Parque Estadual do Utinga (Peut), é um lago artificial que integra o sistema de abastecimento da cidade, administrado pela Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). Possui uma área de 577 mil metros quadrados, comportando um volume de 1,9 milhões de metros cúbicos de água. Não é de hoje que a saúde do lago preocupa pesquisadores e autoridades ambientais e em saúde. 

Segundo o Plano de Manejo do Parque Estadual do Utinga (2013), documento elaborado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), com a participação de instituições que compõem o Conselho Consultivo do parque, a presença da vegetação flutuante sobre o lago se intensificou após 2004, como consequência “de níveis anormais de nutrientes e poluentes, principalmente pelo lançamento de esgoto doméstico”.

O engenheiro sanitarista José Almir, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), explica que, ao receber resíduos de esgoto doméstico e industriais, a água do lago se torna rica em macronutrientes, que alimentam as macrófitas e elas, por sua vez, se proliferam em um ritmo que pode prejudicar a qualidade da água e a vida útil do lago.

“Esse esgoto traz nitrogênio, fósforo, que é um macronutriente para o crescimento de alguns organismos, como as plantas aquáticas por exemplo. Esse esgoto também tem os micro-organismos que se alimentam da matéria orgânica biodegradável, consumindo o oxigênio do lago. Então são dois problemas: o crescimento das plantas e dos microorganismos. E ainda tem o resíduo sólido, que vem pelo esgoto e acaba se acumulando, sedimentando no fundo do lago e reduzindo o volume da massa líquida. A curto prazo não, mas a médio e longo prazo, o lago pode sim acabar”, explica o especialista.

No Plano de Manejo do Parque do Utinga, já estava prevista uma ação estratégica de recuperação ambiental do lago que, de parte da administração do Peut, caberia o monitoramento e retirada das macrófitas, processo que vem sendo executado periodicamente, segundo Ivan Santos, gerente do parque por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio). “Nós estávamos há, mais ou menos, um ano ou oito meses atrasados nesse serviço por causa da pandemia, mas estamos, este ano, com o processo de retirada das macrófitas em pleno vigor”, garante.

Em nota, o Ideflor-Bio informou que as atividades de limpeza do lago Bolonha que eles vêm realizando devem continuar até dezembro deste ano, período em que termina o Plano de Trabalho, assinado com a empresa responsável pelo serviço. Após o término do prazo, o Instituto ficará responsável penas pela manutenção dessa limpeza, por pelo menos mais dios anos.

Apesar dos esforços em manter o lago limpo, José Oeiras avalia que a medida não seria suficiente para reverter o problema e impedir totalmente a progressão do processo de assoreamento: “É dinheiro público jogado fora. O que vai resolver é implantar as bacias de contenção, que está previsto no plano de ação da Cosanpa, mas que ainda não aconteceu. Essas bacias são um cinturão sanitário, que deveria ser implantado no entorno dos bairros que circundam os mananciais, como Castanheira, Guanabara, Pedreirinha, Águas Lindas”.

A preocupação é corroborada pelo professor José Almir, que participou da elaboração do  plano do sistema de esgotamento sanitário da Cosanpa, em 2007, por meio do Grupo de Pesquisa Hidráulica e Saneamento (GPHS) da UFPA. Ele diz que a limpeza das macrófitas é uma solução provisória. Uma solução mais adequada seria “proteger o lago, fazer um cinturão de todo esse esgoto e canalizar para a estação de tratamento. Se não, a gente vai ficar sempre gastando dinheiro limpando, mas o problema vai continuar”, avalia.

Também ciente da insuficiência do serviço de limpeza periódica, o gerente do parque do Utinga, diz que Ideflor-Bio tem ajudado a Cosanpa, visando a vida útil do lago: “Está sendo feito um aporte financeiro de R$ 2 milhões, que foi autorizado pela Câmara de Compensação Ambiental, para executar esse processo de limpeza e manutenção, que vai levar cerca de um ano a um e meio para ser concluído. O projeto também inclui a construção de uma contenção, chamada fitobiorremediação, para impedir que os ventos tragam macrófitas de outra região e se concentrem ainda mais no lago. Após esse um ano, passa a ser responsabilidade de novo da Cosanpa”, explica.

Belém
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