Passageiros enfrentam altas temperaturas, insegurança e riscos no BRT da Almirante Barroso
Estações do BRT funcionam sem ventiladores, bancos ou seguranças e geram transtornos para usuários
Altas temperaturas, insegurança e riscos de acidentes são alguns dos problemas que passageiros das estações do Bus Rapid Transit (BRT) Belém e Metropolitano, localizadas na avenida Almirante Barroso, enfrentam todos os dias na capital paraense. Os problemas se repetem em quase todas as estações por onde transitam milhares de pessoas todos os dias.
Quem utiliza as estações sente as altas temperaturas. As estações construídas com ferro não possuem nenhum sistema de refrigeração, nem mesmo ventiladores. O calor faz com que as portas das plataformas sempre precisem que ficar abertas. A situação aumenta o risco de queda de pessoas, principalmente idosos e crianças, das plataformas, podendo ocasionar acidentes graves.
Na estação do BRT Metropolitano da avenida Almirante Barroso com a travessa Lomas Valentinas, as portas permanecem abertas como forma de amenizar o calor no interior da estrutura. Um responsável pelo local informou à equipe que a medida é adotada para permitir a circulação de ar diante da alta temperatura no ambiente.
Jonatas Lacerda, de 30 anos, mora no Distrito Industrial em Ananindeua e pega todos os dias os ônibus do sistema BRT Metropolitano para ir e voltar do trabalho. Ele utiliza uma das estações localizadas em frente ao Bosque Rodrigues Alves e aponta vários problemas.
"Agora não está tão calor, porque estamos no inverno e ameniza um pouco, mas no Verão o negócio vai ser brabo o negócio. Aqui é muito quente, e são todas assim. É complicado", relata. Jonatas presenciou uma idosa passando mal em uma das paradas. "Um dia desses tinha uma senhora, uma senhorinha mesmo passando mal, por conta de não ter banco para a galera sentar, principalmente pessoas de mais idade que pegam direto BRT", relembra.
A falta de segurança é outro problema que entra para a lista. "Já teve casos de assaltarem aqui mesmo nessa parada. O ladrão veio por trás e assaltou um rapaz até do nosso trabalho, porque a porta fica aberta e não fica nenhuma segurança aqui", detalhou.
A passageira Antônia Rosineide, de 38 anos, estava com a bebê Elaine Ferreira, de um ano, no colo, na mesma estação e não tinha nenhum assento para descansar. Antônia pegaria dois ônibus para ir até sua casa em Marituba. "Acho que a falta de organização está na cara para todo mundo ver. De certa forma não adaptaram como deveria ser adaptado. Não tem banco para idoso, não tem espaço para cadeira, espaço para gestante, não tem um banheiro para quem trabalha o dia inteiro aqui. Não tem nada", reclama indignada.
Na frente da sede da Polícia Federal (PF), na avenida Almirante Barroso com a avenida Júlio César, outra estação do BRT Belém, é bem movimentada por estudantes. O local possui banheiro, mas está com a porta quebrada e improvisada com uma placa pedaço de madeira. Também não há bilheteria no local, expondo o cobrador diretamente. Nesta estação, as portas ficam totalmente abertas por causa de problemas nos sensores da estação.
A passageira Gilcilene Alcântara, de 55 anos, lista a insegurança como um dos maiores problemas. "Não tem banco para sentar e não tem segurança para os passageiros e nem para o pessoal que trabalha. Eles trabalham com dinheiro. Quer dizer se eles forem roubados, eles vão ter que dar o jeito deles", aponta.
"Não é porque estamos aqui dentro que temos segurança não. Eu vou pegar ônibus 6h20 e tá lá só o pessoal do caixa e o rapaz que fica, isso quando tem alguém para dar suporte, porque tem lugar que nem tem suporte", enfatiza.
A reportagem solicitou resposta da Prefeitura Municipal de Belém (PMB) e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) sobre os problemas verificados nas estações do BRT Belém. Também foi solicitada resposta para o Governo do Estado do Pará sobre os problemas na Estação da travessa Lomas Valentinas, pertencente ao BRT Metropolitano. O espaço segue aberto.
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