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‘O legado da COP 30 é uma mudança de mentalidade’, diz reitor da UFPA durante evento em São Paulo

De acordo com Gilmar Pereira, é fundamental promover uma mudança de mentalidade que valorize a preservação ambiental

Gabriel Pires
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O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira, participou nesta quinta-feira (28) do Festival da Cultura Oceânica, em Santos (SP), e destacou que o verdadeiro legado da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que será realizada em novembro, em Belém, vai além da infraestrutura e das obras na cidade de Belém. Para ele, é fundamental promover uma mudança de mentalidade que valorize a preservação ambiental, o cuidado com os recursos naturais e o bem-estar das comunidades locais.

“Temos feito um debate importante, chamado a atenção de que o legado da COP não pode ser confundido com a infraestrutura que se realiza na cidade de Belém, apesar de tudo isso ser muito importante. E a população precisa de saneamento, de ruas asfaltadas. Mas a gente quer um outro legado, a gente chama atenção para um outro legado, que é um legado que eu tenho dito que tem a ver com mudanças de mentalidades”, conta o reitor.

O reitor da UFPA afirmou que essa mudança de mentalidade precisa ser o elemento fundamental para entender que, na Amazônia, além dos rios, dos peixes e das florestas, há muitas pessoas boas. “E o nosso propósito é que esse legado seja um impacto na vida dessas pessoas, que nós, professores, atuemos de uma outra maneira, que os trabalhadores rurais tratem das suas roças com outro propósito, com propósito de cuidado com a natureza, que os pescadores compreendam que os peixes são muitos mais que eles também são finitos”, detalha Gilmar em entrevista exclusiva a jornalista Vanessa Brasil.

“A ideia de legado é a compreensão de uma outra racionalidade, de uma racionalidade que compreenda o planeta e que compreenda algumas partes desse planeta como algo finito, como algo que precisa ser cuidado para ser mantido. E que, com essa manutenção, se mantenha a vida das pessoas, dos animais e das florestas”, acrescenta o reitor da UFPA.

Mudanças concretas

Para o reitor, esse momento também é uma oportunidade para se debater mudanças concretas e fortalecer o protagonismo que será dado à Amazônia, uma vez que a conferência será realizada em Belém. “Ao longo deste ano, temos discutido a importância da COP para o planeta, mas, particularmente, para a Amazônia. A Conferência, ao longo de suas edições, tem tratado muito fortemente da Amazônia, mas de uma forma muito distante”, alerta.

“A COP ocorrerá no coração da Amazônia. E a UFPA assumiu o compromisso de articular as universidades da Amazônia: as públicas, privadas e estaduais, para que a gente construa uma voz dentro da COP e faça com que essa leitura da Amazônia deixe de ser uma leitura meramente teórica e passe a ser uma leitura prática. No começo do ano, eu nomeei uma comissão na UFPA para cuidar das questões relacionadas à conferência e isso tem dado muito certo”, reforça Gilmar.

Soluções

Gilmar Pereira também lembrou das queixas sobre hospedagem e a infraestrutura da cidade, incluindo problemas de saneamento. Ele defendeu que, apesar dos problemas existentes, a Amazônia também oferece soluções. A gente tem ouvido muita reclamação sobre hospedagem, sobre a infraestrutura da cidade de Belém e a gente sabe que tem problemas. Tem problema de saneamento. Agora, se a gente observar todas as COP, inclusive a Rio 92, a Amazônia esteve no centro dos debates de uma forma subjetiva, infelizmente”, comenta.

“O que eu acho lastimável é os cientistas e os chefes de estado, que falam tanto da Amazônia, não estão dispostos a passar duas semanas na Amazônia, a não ser que seja num hotel cinco estrelas. Eu defendo muito que a COP seja feita na Amazônia para que todos nós, sobretudo as pessoas que são de fora, conheçam que a Amazônia tem problema, mas ela também é solução no meu modo de ver”, enfatiza o reitor da UFPA.

Carta

E ainda, a UFPA integrou o grupo de 71 instituições científicas, tecnológicas e acadêmicas da Amazônia que entregaram, no último 20 de agosto, a Carta da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia ao presidente da COP 30, o embaixador André Corrêa do Lago. O reitor da UFPA, Gilmar Pereira, destacou três pontos centrais da carta entregue ao presidente da COP. Primeiramente, ressaltou a importância de que os saberes das populações tradicionais sejam tratados de forma horizontal com os saberes científicos, especialmente na Amazônia.

Em segundo lugar, abordou a questão da insegurança alimentar, enfatizando a necessidade de políticas que garantam a alimentação, sobretudo para os mais pobres. Por fim, relacionou esses pontos às mudanças climáticas. “E a gente entende que tudo isso tem a ver com as mudanças climáticas. O nosso entendimento de mudanças climáticas só pode ter sentido se houver pessoas. E as pessoas precisam sobreviver. Isso porque as mudanças climáticas podem afetar a vida das pessoas, em relação à seca, às cheias”, relata.

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