No Dia do Mototaxista, profissional fala sobre os desafios e expectativas da categoria para o futuro

Somente em Belém, o número de mototaxistas cadastrados na Semob caiu quase 50% de 2016 para 2022. Chegada de novos serviços de transporte pode ter sido decisiva.

João Paulo Jussara

Desde que surgiram no Brasil, nos anos 1990, os mototáxis se consolidaram no país como uma realidade irreversível no transporte de passageiros, em especial nas regiões menos assistidas pelo poder público. Atualmente, Belém conta com 1.139 mototaxistas cadastrados na Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), uma queda de quase 50% em relação ao ano de 2016, quando havia 2.123 profissionais regularizados. O Dia do Mototaxista, celebrado em 24 de setembro, serve para conscientizar a população sobre a importância deste serviço, que democratizou acesso ao transporte público.

A atividade de mototáxi em Belém é regida, atualmente, pela Lei nº 9.271/2017, que contempla o serviço de transporte individual de passageiros feito por pessoas físicas autorizadas pelo poder municipal. Mas a lei cobra exigências que acabam desagradando a categoria, como a obrigação da utilização de motocicletas que tenham entre 125 e 190 cilindradas e a contratação obrigatória de apólice de seguro contra acidentes de trânsito no valor mínimo de R$ 20 mil. Muitos profissionais acreditam que isso acaba inviabilizando a regulamentação e, por isso, há vários mototaxistas rodando de forma irregular na capital.

Em novembro de 2021, a vereadora Lívia Duarte (Psol) apresentou um projeto de lei que propõe uma nova regulamentação do ofício. O projeto altera a lei em vigor justamente nesses pontos mais criticados pelos mototaxistas, e torna opcional a contratação do seguro contra acidentes, além de autorizar que sejam utilizadas motocicletas de até 300 cilindradas para a condução de passageiros. O projeto está em tramitação interna e ainda não tem previsão para ser votado no plenário.

Weleson Yuri trabalha há nove anos como mototaxista no ponto do conjunto Panorama XXI, no bairro do Mangueirão. Ele afirma que os principais desafios para a categoria nos dias de hoje é a falta de segurança e o desrespeito dos motoristas de carros e caminhões, que acabam causando muitos acidentes. "Nós corremos muito risco, sofremos muitos assaltos quando rodamos pela cidade. Também estamos constantemente sofrendo acidentes, porque dirigir nesse trânsito caótico já é complicado, e a situação piora porque os motoristas não nos respeitam. Não é fácil a gente sair da nossa casa sem saber se vamos voltar", comentou.

Ele acredita que o número de mototaxistas cadastrados na Semob caiu bruscamente nos últimos anos tanto por conta da insegurança dos profissionais, quanto pela chegada de novos serviços, como os de transporte por aplicativo. "Isso deu uma grande diminuída na busca pelos nossos serviços. Deu uma quebrada, principalmente para quem não trabalha nesses pontos que já são tradicionais e mais movimentados na cidade. Inclusive, os próprios mototáxis já estão migrando para o 'motouber', vendo que seria melhor pra eles", destacou Yuri.

Mas ele acredita que o serviço de mototáxi é essencial, principalmente para a parcela mais pobre da população, já que tem um preço mais acessível e chega a lugares onde, muitas vezes, os taxistas e os motoristas de aplicativo não conseguem acessar. "Muitas pessoas já são acostumadas a utilizar o nosso serviço. Também é uma forma de eles terem uma segurança, porque o cliente sabe que a gente vai estar no ponto para atendê-los", pontuou. "Onde o mototaxista entra, muitos não entram. E por isso muita gente ainda pega mototáxi. Eles sabem que onde o cliente falar pra gente ir deixá-lo, nós vamos".

A empregada doméstica Maria Ilailce Silva mora no interior do bairro da Terra Firme, mas trabalha no bairro do Mangueirão. Para voltar para casa, ela pega um ônibus e depois um mototáxi que a deixa na porta de sua residência. Ela afirma que o serviço é essencial e, se não fosse por ele, não conseguiria ir e voltar do trabalho todos os dias. "Do ponto que eu desço para a minha casa são mais de 30 minutos de caminhada. Os coletivos não entram. Nenhum taxista entra. Somente os mototaxistas me deixam lá. Essa é uma grande vantagem. Fora o preço, que ainda é acessível, e a agilidade do serviço. Às vezes a gente fica com medo de sofrer algum acidente, mas isso é normal. O que não pode é deixar de ter esse serviço", concluiu.

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