No 'Dia do Gordo', o que importa é a autoestima

Pessoas acima do peso ideal buscam superar preconceito e quebrar padrões de beleza impostos pela sociedade

João Paulo Jussara

Hoje, 10 de setembro, é comemorado o Dia do Gordo, data que tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância de se respeitar aqueles que estão acima do peso. Se para algumas pessoas a palavra é vista como uma ofensa, para outras, representa a autoaceitação. Em um mundo onde quase todos estão preocupados em seguir um padrão estético pré determinado, há também quem consiga provar que não é preciso ser magro para ser belo e alcançar o sucesso.

Aos 34 anos de idade e com seus 115 kg distribuídos por 1,76m de altura, a modelo plus size Daniela Ferreira conta que vive hoje plenamente feliz com o seu corpo. Mesmo com o preconceito e com as críticas que ainda ouve de algumas pessoas a respeito de seu peso, ela tem certeza que ele não influencia em sua beleza, muito menos na felicidade. Mas nem sempre foi assim.

Daniela foi magra a vida inteira, até passar pela primeira gravidez, aos 25 anos. Depois veio a segunda gravidez, aos 28, e o corpo não voltou a ser como era antes. Com a mudança, começaram a surgir os comentários preconceituosos, dentro de casa. Ouvia da própria família frases como 'você tá comendo demais' e 'precisa dar uma maneirada, tá ficando feia'. "Aquilo acabava comigo", revelou.

Comentários do tipo começaram a aparecer com mais frequência, seja em casa ou na rua. Depois de ouvir no trabalho que estava gorda demais, decidiu largar o emprego. "Eu tinha vergonha de ir trabalhar, tinha vergonha das pessoas me olharem e falarem que eu tava gorda, como se fosse um crime você ser gorda".

Certa vez, ao usar um vestido curto e com decotes, Daniela ouviu: "tira esse vestido, tá horrível, não é pra você". "Doía muito escutar aquilo", lembrou a modelo. "Eu me fechava, ficava triste, não saía pra festa, não saía de casa, não me arrumava, só ficava depressiva mesmo".

Depois de anos se sentindo triste e infeliz com o próprio corpo, Daniela recebeu, em 2017, um convite de uma empresa de Belém para participar de um concurso de modelos plus size. Naquele momento, ela não sabia o que era o plus size, e começou a pesquisar na internet. Apesar de ser muito tímida, ela decidiu aceitar o convite. Resultado: ficou em primeiro lugar e conquistou o título de Miss Glamour.

A experiência fez com que Daniela começasse a passar por um processo de autoaceitação. Depois de conversar e conhecer as histórias de outras modelos plus size, ela percebeu que era possível ser feliz sem viver preocupada com a opinião dos outros. "Eu comecei a ver que não é porque as pessoas estão acima do peso que não podem desfilar de maiô, colocar uma roupa apertada, mostrar as pernas ou o decote".

Após participar do concurso, surgiram convites para fazer outros trabalhos. De lá para cá, Daniela já gravou comerciais, já saiu em revistas, e hoje não só se aceita como é, como também ajuda a fazer com que outras mulheres também se aceitem. Seja postando fotos de biquíni, seja compartilhando textos sobre autoestima, a sua mensagem já alcançou muitas pessoas. "É uma coisa tão simples. É você se sentir bem e você passar aquilo adiante", explicou. "Hoje eu não tenho mais vergonha de sair, de conversar com as pessoas, de ser vista em uma praia ou um clube. Hoje eu posso dizer que sou feliz".

É possível estar acima do peso e ser saudável?

Certamente você já ouviu falar que quem está acima do peso provavelmente sofre com problemas de saúde, ou que quem é magro, consequentemente, é mais saudável. Mas será que isso é verdade? De acordo com a nutricionista e coordenadora do curso de Nutrição da Universidade da Amazônia (Unama), Danielle Farias, é possível sim viver com saúde mesmo estando acima do peso.

A profissional explica que a definição de obesidade pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é realizada de acordo com o índice de massa corpórea (IMC), a partir de um cálculo que avalia a altura e o peso de cada pessoa. Dependendo do valor do IMC, a pessoa é classificada entre sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9), obesidade grau I (entre 30 e 34,9), obesidade grau II (entre 35 e 39,9) e obesidade mórbida (IMC maior que 40).

Até o nível de sobrepeso, é possível viver tranquilamente de maneira saudável. Para tanto, é preciso compreender como funciona o próprio organismo. Se a pessoa apresenta sintomas que não costumava apresentar, como cansaço constante, dor nas articulações, nas costas, na coluna, entre outros, esse é um indício de que a situação fugiu do controle. Já os casos de obesidade mórbida são bem mais graves, e classificados como doença pela OMS.

Além do IMC, outro fator que deve ser levado em conta são os níveis sanguíneos, como o nível de colesterol e glicose. "Se o sangue daquela pessoa não está sobrecarregado, pode-se dizer que, mesmo estando acima do peso, ela é saudável", explicou a especialista. "A pessoa que está acima do peso, pode sim viver bem, sem ter problemas de saúde. O ideal é que a gente consiga balancear nossas escolhas alimentares, além de alguma atividade física, que vai ajudar a reduzir riscos no futuro".

Belém
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