Motociclistas invadem ciclofaixa na Arthur Bernardes e ciclistas relatam risco diário em Belém
SegBel já registrou 4.598 autuações por circulação irregular em ciclofaixas entre janeiro e julho de 2026
O espaço reservado aos ciclistas continua sendo alvo de desrespeito nas ruas de Belém. Trafegar com qualquer veículo motorizado, como carros e motocicletas, em ciclovias e ciclofaixas é uma infração gravíssima prevista no Artigo 193 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), punida com multa de R$ 880,41 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mesmo com a penalidade, a prática segue presente no cotidiano da capital.
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Dados da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (SegBel) mostram que, entre janeiro e julho de 2026, foram registradas 4.598 autuações por circulação irregular nesses espaços exclusivos. Em todo o ano de 2025, o órgão aplicou 6.875 multas pela mesma infração, indicando a permanência desse tipo de ocorrência nas vias da cidade.
Na manhã desta quarta-feira (5), a reportagem do Grupo Liberal esteve na Rodovia Arthur Bernardes, no bairro do Telégrafo, em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) Pratinha, e registrou mais de três flagrantes de motociclistas utilizando a ciclofaixa para avançar pelo corredor durante o congestionamento, dividindo o espaço destinado aos ciclistas.
Segundo os usuários da via, a prática se torna mais frequente justamente nos horários de maior movimento, no início da manhã e no fim da tarde, quando aumenta o fluxo de carros, motos, bicicletas e pedestres. Eles afirmam que, nesses períodos, motociclistas costumam utilizar a faixa exclusiva para escapar do trânsito, colocando em risco quem pedala diariamente pelo local.
Relatos de quem pedala diariamente
Morador do bairro, o mecânico Ayron Max Souza utiliza a bicicleta todos os dias para ir ao trabalho e afirma que convive frequentemente com esse tipo de situação. Segundo ele, além das motocicletas, carros também invadem a ciclofaixa quando o trânsito fica lento. "Ontem mesmo, quando eu estava vindo do trabalho, passaram três carros por aqui porque o trânsito estava parado. Eles não dão respeito", relatou.
Ayron contou ainda que já escapou de acidentes em diversas ocasiões e disse que situações de risco acontecem quase diariamente. Para ele, a ausência de fiscalização contribui para a continuidade das infrações. "Fiscalização aqui? Nada. O que precisava era respeito, mas as pessoas não fazem isso", afirmou.
O mecânico disse que pedalar pelo trecho gera insegurança constante. De acordo com ele, além da circulação irregular de veículos, alguns condutores ainda reclamam da presença dos próprios ciclistas na faixa exclusiva. "Medo a gente sempre tem. Não tem muito o que fazer. [Os motoristas] até brigam e dizem que a gente está no meio do caminho", declarou.
Quase acidente na Arthur Bernardes
Maciel Rodrigues Tavares, técnico em panificação, também utiliza a bicicleta para se deslocar ao trabalho e quase foi atingido por um motoqueiro na manhã desta quarta-feira. Segundo ele, o condutor tentou ultrapassá-lo pela ciclofaixa para escapar do congestionamento, provocando um momento de risco.
Ainda assustado após o ocorrido, Maciel afirmou que situações como essa são frequentes. "O rapaz da moto quase me bateu. A gente fica com medo. Eles passam e ignoram", disse.
Natural do Pará, Maciel mora há seis anos em Santa Catarina e retornou ao estado no último mês por motivos pessoais. Ao comparar a realidade dos dois estados, ele afirmou que percebe maior presença de fiscalização no trânsito catarinense. "Lá é direto fiscalização. Aqui, infelizmente, isso faz diferença. As pessoas respeitam mais as regras por lá", relatou.
Posicionamento
Em nota, a SegBel informou à reportagem que intensifica ações de fiscalização patrulhamento, incluindo trechos considerados “críticos” como o da Arthur Bernardes. “A secretaria alerta aos condutores que a ciclofaixa é de uso exclusivo de ciclistas e jamais deve ser utilizada como acostamento, atalho ou pista de ultrapassagem”, disse.
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