Moradores da João Paulo II fazem manifestação contra alagamentos

Condições precárias de saneamento prejudicam rotina, dizem os manifestantes

Dilson Pimentel

Durante duas horas e meia, moradores fecharam a avenida João Paulo II, no bairro Curió-Utinga, em Belém, na manhã desta quarta-feira (4). Eles bloquearam a via na esquina com a passagem Elvira. Os moradores protestaram contra os constantes e crônicos alagamentos nessa área, que, segundo eles, ocorrem há 20 anos. Policiais militares e guardas municipais acompanharam a manifestação, iniciada por volta das 6 da manhã. Eles fecharam a via com pedaços de pau e sofá, nos quais atearam fogo. E também fizeram um café da manhã, no meio da rua, para "comemorar o aniversário" do alagamento. Os moradores fecharam a via no sentido São Brás. "Esse protesto é porque estamos cansados de viver no alagado", disse Daicir Lopes, que tem 61 anos e disse ter nascido e se criado naquela área. "Basta cair uma chuvinha que é suficiente para alagar tudo. Você não consegue passar", afirmou.

MANIFESTAÇÃO NA JOÃO PAULO II

 

Ela afirmou que é dona de uma escola infantil de reforço para os alunos, que fica localizada na passagem Osvaldo Coelho. "A escola está prevista para fechar porque não tem como as crianças entrarem e saírem na rua, por causa da enchente. Tínhamos uma faixa de 30 crianças estudando. Agora, não chega a ter dez. Eles só vão voltar se eu sair daí (desse endereço). Vou ser obrigada a sair", acrescentou ela, que tem essa escola há 30 anos. Segundo Daicir, só limpar bueiro não elimina os alagamentos. "Quando era verão, estavam esperando o inverno passar. Agora, chegou o inverno e vão esperar o verão chegar? Nesse vai e vem, são 20 anos esperando", contou.

Gestor de recursos humanos, Daniel Prestes Furtado, 42 anos, mora na passagem Elvira, um dos pontos críticos de alagamento. "A situação está mais do que crítica. Locais que não enchiam estão enchendo agora", disse. "As notas que o prefeito manda para a imprensa (sobre as ações nessa área) são balelas", disse, acrescentando que o serviço de limpeza de bueiros é feito sem fiscalização. "Meu sofá serviu para queimar nesse protesto porque estragou. A minha geladeira eu tive que fazer um suporte para colocá-la lá em cima. Na minha casa, embaixo, não funciona quase nada, porque enche tudo. Queremos soluções e não mais promessas vãs do prefeito", afirmou ele, que mora na passagem Elvira desde os oito anos de idade.

A princípio, os moradores disseram que só terminariam o protesto com a chegada de um representante da Prefeitura de Belém, de preferência o titular da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan). "Infelizmente, a resposta da prefeitura foi a Guarda Municipal. Não veio um representante legal falar sobre obra e solução", disse André Pinheiro, que deu entrevista também representando os moradores. "Como aqui só tem morador de bem, e não queremos confronto com a Guarda Municipal, que está armada, vamos sair (da rua). Mas o povo está inquieto e insatisfeito. O povo, na rua, é que faz os políticos perderam o sono", afirmou. "Se não tiver nenhuma resposta clara, placa de obra, orçamento, o povo vai voltar às ruas", completou. Integrante do Movimento Habitar Belém (Moabe), e também residindo na avenida João Paulo II, Jairo Moura disse que a prefeitura está executando um projeto de recapeamento da avenida Almirante Barroso, orçado em R$ 13 milhões. "Esses recursos que poderiam ser usados para as obras de macrodrenagem do bairro Curió-Utinga. O povo não quer recapeamento asfáltico. Quer o fim do alagamento na João Paulo e no Curió-Utinga. Quer dignidade", completou.

A Prefeitura de Belém informou que vem mantendo diálogo com os moradores do Curió-Utinga. "No dia 11 deste mês, o prefeito Zenaldo Coutinho participou de reunião na Secretaria de Urbanismo com a comunidade, onde ouviu as reivindicações e foi garantido intervenções no bairro. A Prefeitura aproveita para anunciar que o bairro do Curió-Utinga será o próximo a ser contemplado, ainda neste mês de dezembro, com o programa Prefeitura no Bairro, projeto que reúne todas as secretarias da gestão para ações na comunidade e, ainda, audiência pública com o prefeito de Belém", informou. A Secretaria de Saneamento (Sesan) afirmou que desenvolve ações de limpeza frequentes nas ruas do bairro e que o trabalho vem sendo intensificado. "Os canais que cercam o bairro estão recebendo atenção especial por conta do período chuvoso. Na semana passada, a Sesan efetuou a limpeza do canal do Márte, na Bacia do rio Murucutum, com a limpeza desde o trecho entre a avenida João Paulo II até a passagem Cruzeiro, com ações de limpeza manual, além de escavação, raspagem, e desobstrução e retirada de produção".

Belém
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