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Hospital Jean Bitar oferece ambulatório para transgêneros

Acompanhamento vai da hormonioterapia até cirurgias

Redação Integrada com informações da Agência Pará

“Eu nasci com o sexo masculino, mas desde criança sempre me reconheci como mulher. Com o passar do tempo isso só foi ficando mais claro e forte dentro de mim. Eu comecei a transição hormonal com 18 anos sem nenhum acompanhamento médico. Sofri, arrisquei minha saúde e agora sou muito feliz em ser acompanhada pelo Ambulatório de Transgêneros do Jean Bitar e, por saber, que outras pessoas trans podem ser acolhidas e não precisarão passar pelo que eu passei”, diz Melissa Costa, de 37 anos.

O Ambulatório de Transgêneros do Hospital Estadual Jean Bitar, criado em 2017, atende pessoas que apresentam disforia ou incongruência de gênero, ou seja, uma incompatibilidade incômoda entre a identidade de gênero e o sexo que lhe foi atribuído socialmente no nascimento.

A unidade também auxilia e incentiva a formação de endocrinologistas residentes com experiência neste tipo de atendimento. Segundo a coordenadora do Ambulatório, a endocrinologista Flávia Cunha, os indivíduos trans que não recebem apoio, acolhimento e o tratamento que precisam constituem um grupo de elevado risco para complicações psicológicas.

“[Como] tentativas de suicídio, automutilação, depressão e transtornos psiquiátricos ocorrem, na maioria das vezes, por apresentarem a incongruência de gênero e não terem como realizar o tratamento.Este ambulatório reduz essas condições e abre mais oportunidades de acolhimento para transgêneros", avalia Cunha.

Os pacientes são encaminhados da Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Ure Dipe) (Pedro Guerreiro/Agência Pará)

Pioneiro na região Norte, o ambulatório surgiu com o objetivo de descentralizar atendimentos do tipo para pessoas trans, que  antes precisariam recorrer a estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás para realizar o tratamento por meio da saúde pública.

A Unidade engloba atendimentos de endocrinologia com acompanhamento psicoterápico e hormonioterapia; serviços de cirurgia plástica (acompanhamento pré e pós-operatório) para colocar próteses mamárias de silicone das mulheres trans e mastectomia para os homens trans; serviço de ginecologia que realiza cirurgia de histerectomia e salpingo-ooforectomia bilateral (retirada de útero, ovário e trompas) dos homens trans, além do acompanhamento psiquiátrico. 

“O acompanhamento não é só hormonal, é uma rede de apoio completa. Melhorou muito a minha vida”, ressalta Melissa Costa. Cerca de 50 pacientes são cadastrados no Ambulatório e 17 cirurgias do processo transexualizador já foram realizadas até fevereiro de 2021. 

Os atendimentos do Ambulatório não funcionam no esquema "porta aberta", recebendo quem chegar a qualquer hora. Os pacientes são encaminhados da Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Ure Dipe) após um primeiro acolhimento por uma equipe multidisciplinar e do tratamento inicial, que dura, no mínimo, em torno de dois anos de acompanhamento e de preparação antes da submissão a procedimentos cirúrgicos.

Belém
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