Faltam alimentos para pacientes com câncer na Casa de Apoio do Amapá, em Belém

Abrigo na capital paraense deixou de receber as verbas do governo amapaense há mais de cinco meses

João Paulo Jussara

Pacientes do programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) do Amapá, transferidos de Macapá para realizar tratamentos de câncer e outras enfermidades em Belém, denunciaram que estão passando por dificuldades na Casa de Apoio do Amapá, localizada na rua Domingos Marreiros, no bairro de Fátima. Segundo os pacientes, o governo amapaense não repassa a verba de custo aos gestores do local há cinco meses, e a situação das 122 pessoas alojadas na casa, entre adultos, crianças, mulheres e idosos, é dramática.

De manhã, um pão com um copo de café preto. No almoço, um pedaço de frango acompanhado de salada. Para o jantar, uma sopa sem muitos ingredientes e sem proteínas. Entre uma refeição e outra, apenas água. Esse é o cardápio oferecido diariamente, desde que o Governo do Amapá, responsável por financiar o TFD, deixou de repassar a verba de custo do programa aos gestores da Casa de Apoio do Amapá, há cerca de cinco meses.

Desde o início da suspensão dos repasses até agora, os gestores do local tiraram do próprio bolso para continuar servido a alimentação diária dos pacientes. Nesta semana, porém, a situação se agravou. Com cinco meses de atraso, está cada vez mais difícil sobreviver na casa de apoio. Na manhã desta quarta-feira, 4, eles receberam a notícia mais difícil: não havia mais dinheiro para o jantar. O desespero tomou conta das pessoas, que já temem passar fome no resto da semana.

A aposentada Maria Francisca Soares acompanha a neta no tratamento de câncer no sistema linfático (Ivan Duarte - O Liberal)

Maria Francisca Soares é aposentada e veio de Macapá para acompanhar a neta, de apenas oito anos, em um tratamento de câncer no sistema linfático, a ser realizado no Hospital Ophir Loyola. "As comidas que estão servindo aqui, ela não come. Aí eu venho pedir outra comida e eles dizem que não tem mais opções, e acabam servindo, de novo, aquela água de sopa", reclamou. "A gente amanhece o dia com o corpo tremendo, porque não estamos nos alimentando direito".

De vez em quando, os próprios pacientes tentam juntar o pouco dinheiro que lhes restou, e fazem uma vaquinha para comprar um lanche e enganar a fome. Mas a questão da alimentação não é o único problema. "As nossas colchas de cama não são trocadas há mais de uma semana, porque não tem sabão pra lavar", revelou a dona de casa Reci Silva, que está em Belém para acompanhar o tratamento da cunhada contra o câncer.

Por conta da falta de verba, alimentação é escassa (Ivan Duarte - O Liberal)

A manutenção da Casa de Apoio também está prejudicada. Ar-condicionados e ventiladores quebrados não podem ser consertados sem o repasse de verba. Além disso, o limite de lotação do local, que era de 120 pessoas, já foi ultrapassado. "É uma situação de abandono", ressaltou Reci Silva. "Nós temos crianças e idosos em tratamento. A gente depende desse lugar pra ficar, porque se a gente tivesse dinheiro, estaria em Macapá, nas nossas casas".

Em meio a tantas dificuldades, resta aos pacientes torcer e rezar para que a verba seja repassada aos gestores da casa pelo Governo do Amapá o quanto antes. Muitos já pensam em abandonar o tratamento e voltar para o Amapá, para perto de suas famílias. Mas a vontade de viver e continuar lutando é maior que o medo de passar fome. "Nós estamos pedindo pelo amor de Deus. Estamos suplicando para que esse pagamento seja feito. A gente só quer continuar vivendo".

Resposta do governo

A Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (Sesa-AP) informou, em nota, que aguarda recurso para o pagamento da Casa de Apoio em Belém do Pará que presta serviço de hospedagem e alimentação aos pacientes do programa de Tratamento Fora Domicílio (TFD).

"A Sesa reitera que tem trabalhado para ajustar seu cronograma orçamentário as constantes frustrações dos repasses federais que tem dificultado a atualização dos contratos continuados. No mês de junho a frustração foi de R$ 42 milhões no orçamento estadual, sendo R$ 6,4 milhões somente na saúde".

Belém
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