Falta de fórmulas especiais em Belém é risco para crianças com alergia ao leite, alerta especialista

Nutricionista afirma que ausência de produtos como Neocate e Pregomim pode comprometer crescimento, cognição e desenvolvimento de crianças com alergia severa ao leite

Ana Laura Carvalho

A falta das fórmulas especiais Neocate e Pregomim em Belém, registrada desde outubro de 2025, representa risco ao trazer consequências graves para crianças diagnosticadas com alergia à proteína do leite de vaca (APLV). O alerta é do nutricionista Rui Tofolo, que afirma que a ausência prolongada desses produtos pode causar desnutrição, anemia, atraso no crescimento e até prejuízos cognitivos permanentes.

“Sete meses sem estoque já ultrapassam o período mais importante da formação da criança. Quantas crianças podem ter prejuízo de cognição, crescimento e anemia por causa disso?”, questionou o especialista em entrevista ao Grupo Liberal.

Segundo Rui Tofolo, os primeiros seis meses de vida são considerados decisivos para o desenvolvimento infantil. Nesse período, o intestino do bebê ainda não consegue digerir alimentos sólidos e, no caso das crianças com APLV, também não consegue processar proteínas derivadas do leite de vaca.

Por isso, fórmulas como Neocate e Pregomim se tornam essenciais. “Essas fórmulas possuem proteínas quebradas em partículas muito pequenas, o que facilita a absorção e evita que o intestino da criança reconheça aquilo como uma ameaça”, explicou.

image egundo Rui Tofolo, os primeiros seis meses de vida são considerados decisivos para o desenvolvimento infantil. (Foto: Cristino Martins | O Liberal)

O nutricionista destacou que, sem acesso às fórmulas, as famílias acabam ficando sem alternativas viáveis. “Nos primeiros seis meses não tem jeito. Ou a mãe amamenta, ou a criança precisa da fórmula. Se não tiver, a família vai precisar comprar, procurar grupos de mães, ONGs ou até recorrer à Justiça e ao Ministério Público”, afirmou.

Ele explicou ainda que o consumo de leite inadequado por crianças alérgicas pode desencadear uma série de reações graves, como diarreia com sangue, urticária, refluxo e problemas respiratórios. “Essa criança pode entrar em um estágio de desnutrição. Ela pode ter deficiência de ferro, de cálcio, prejuízo no crescimento e no desenvolvimento cognitivo”, disse.

Rui Tofolo ressaltou que os impactos da APLV vão além da saúde física e atingem também a rotina e o emocional das famílias. Segundo ele, o tratamento exige cuidados rigorosos dentro de casa para evitar contaminação cruzada.

“O simples fato de um parente comer queijo e beijar a criança já pode causar problemas. Todos da casa precisam entender que essa criança não pode ter contato com proteína do leite de vaca”, afirmou.

O nutricionista também criticou a falta de orientação às famílias e defendeu ações mais efetivas do poder público. “O SUS deveria disponibilizar cartilhas, orientar pais, avós e cuidadores, além de fazer um planejamento para evitar a falta dessas fórmulas”, pontuou.

Na rede privada, o custo das fórmulas pode variar entre R$ 200 e R$ 500 por lata, dependendo da necessidade de cada criança. Segundo o especialista, muitas famílias não conseguem arcar com esse valor. “Essa fórmula é importantíssima para a criança, principalmente até os seis meses. Essa falta prolongada não pode acontecer”, reforçou.

Sobre a falta dessas fórmulas especiais na rede municipal de Belém, a reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), que respondeu por meio de nota. Informou que a dispensação de fórmulas infantis e dietas especiais na rede pública municipal segue rigorosamente os fluxos e protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e pelas diretrizes de assistência nutricional vigentes.

"Esclarecemos que a administração pública, por força de lei, realiza a aquisição desses insumos com base na composição técnico-nutricional necessária para cada quadro clínico, e não por marcas comerciais específicas (como Neocate ou Pregomin)”, diz a nota da prefeitura.

"O compromisso da Secretaria é garantir que o produto fornecido atenda plenamente às necessidades metabólicas dos pacientes com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) ou outras condições severas”, afirma a secretaria.

"A Sesma reafirma seu compromisso com a assistência integral e segue monitorando a situação de forma prioritária. Informamos que já estamos adotando todas as medidas administrativas e logísticas necessárias para restabelecer, com a maior brevidade possível, o fornecimento de fórmulas infantis e dietas especiais na rede municipal”, continua a pasta.

"A Secretaria permanece à disposição, por meio da Referência Técnica de Nutrição, para o diálogo, orientação e esclarecimentos às famílias”, finaliza.

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