Especialista explica o começo do verão e a razão do chamado 'Inverno Amazônico'

'Inverno amazônico' é apenas um termo popular utilizado na região, pois cientificamente é o período do verão que começa

Emanuele Corrêa com informações da Ufra
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A partir do dia 21 de dezembro o verão começa no país, mas com a chegada do final do ano as chuvas ficam mais intensas no Pará e os paraenses conhecem este período como "Inverno Amazônico". De acordo com o professor Hildo Giuseppe, meteorologista da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) o “inverno amazônico” é apenas um termo popular utilizado na região, pois cientificamente é o período do verão que começa.

Para explicar o que parece não ter muita lógica, devido às pancadas de chuvas, o professor diz que no hemisfério sul do planeta, o período que vai do mês de dezembro a maio é considerado verão, pois a radiação solar é mais intensa e, por isso, chove mais.  “Aqui na região temos muitos rios, e quando há muita energia solar, evapora muita água, formando assim nuvens que vão condensar e precipitar. E assim fica nesse ciclo, precipita, cai a chuva, evapora e forma a nuvem novamente, o que é comum nesse período, justamente pela maior incidência de radiação solar”, explicou.

“Nós, climatologistas, não gostamos do termo inverno amazônico, porque já é definido o verão na climatologia, mas quando se trata de demonstrar como é a variabilidade dos diversos climas ao redor do globo, existem especificações provenientes de cada município e cada região, e no caso da região amazônica, é muito comum se falar de inverno amazônico. É uma questão mesmo de nomenclatura para adaptar esse conceito com relação ao padrão local, mas, corretamente, estamos durante o verão no hemisfério sul”, complementou.

Hildo afirma que no período de dezembro a maio a chuva não é exclusiva da região Amazônica, outras regiões do país também enfrentam pancadas de chuva. No entanto, as florestas e outros fatores contribuem para a formação de nuvens de chuva. “Nesse período há uma maior concentração das chuvas de dezembro até por volta de maio, o que em porcentagem representa que em torno de 65%  a 70% das chuvas do ano se concentram nesses meses, e o resto é distribuído ao longo do ano. Mesmo nos períodos mais 'secos', ainda ocorre uma quantidade significativa de chuvas”, disse.

E as chuvas percebidas no mês de novembro são chamadas de "chuvas de transição", começa a preparar para a entrada de novos sistemas atmosféricos nessa região, e provocar, justamente o aumento da incidência de chuvas nesse período, comenta o professor. E após a chuva, se a população percebe a sensação de calor e abafado, Hildo diz que é comum.

“Isso faz com que ocorra uma espécie de tampão, ou seja, aquele vapor que deveria ser transportado de forma mais rápida para as altas camadas da atmosfera, acaba se aprisionando em uma grande parte. Isso causa uma sensação maior de calor, que a gente chama de aprisionamento, bem parecido com o efeito estufa, onde esse calor não se dissipa de forma rápida e causa essa sensação de abafamento”, explica o professor.

Belém
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