Especialista aponta precaução durante chuvas em parques e praças

O pesquisador Bruno Santana de Albuquerque orienta ações preventivas para acidentes elétricos

O Liberal
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O incidente com o adolescente Kelvin Riquelme Paixão da Rocha, de 16 anos, que morreu após descarga elétrica, na última quarta-feira (08), no Parque da Cidade, reforçou a necessidade de precaução para evitar acidentes elétricos em parques, praças e áreas públicas abertas durante as chuvas. O doutor em Sistemas de Energia pela Universidade Federal do Pará (PPGEE/UFPA), o pesquisador Bruno Santana de Albuquerque, aponta que a água aumenta a possibilidade da corrente elétrica se espalhar pelo solo, poças e estruturas metálicas, além de descargas elétricas de raios.

“Durante a chuva, a presença de água aumenta a possibilidade de a corrente elétrica se espalhar pelo solo, por poças e por estruturas metálicas. Se houver um fio rompido, uma luminária danificada, uma caixa elétrica aberta ou uma falha de isolamento, partes que normalmente não deveriam conduzir eletricidade podem ficar energizadas. Em alguns casos, a pessoa nem precisa tocar diretamente no equipamento: caminhar próximo a um ponto energizado já pode representar perigo, por causa da diferença de tensão existente no solo, conhecida como tensão de passo. Por isso, áreas alagadas próximas a postes, luminárias, painéis ou cabos devem ser evitadas”, orienta.

O pesquisador aponta que a primeira recomendação é acompanhar a previsão do tempo e os alertas da Defesa Civil antes de realizar atividades ao ar livre. No caso de estar em um local aberto, todos devem se abrigar aos primeiros sinais de chuva e raios. “Ao perceber relâmpagos, ouvir trovões ou observar chuva intensa se aproximando, é importante sair de campos, quadras, praças, praias, piscinas e demais áreas abertas. Também se deve evitar árvores isoladas, postes, cercas, alambrados, luminárias e estruturas metálicas. Crianças e adolescentes precisam ser orientados a nunca tocar em fios caídos, caixas elétricas ou equipamentos danificados, mesmo que pareçam desligados. Depois da chuva, o cuidado deve continuar, principalmente em locais com alagamentos, árvores caídas, postes inclinados ou cabos no chão. Na dúvida, a regra é simples: não tocar, manter distância e avisar os responsáveis”, alerta.

Outro risco elétrico com as chuvas são as descargas elétricas atmosféricas - os raios - que são a transferência de eletricidade estática entre nuvens, ou entre as nuvens e o solo. Com picos que superam 100 mil amperes e centenas de milhões de volts, os raios são destrutivos. O Norte é região que apresenta a maior incidência de raios no Brasil. Em números absolutos, o estado do Pará é um dos que lidera o ranking de descargas atmosféricas no país. A alta incidência nessas localidades ocorre a uma união de fatores que são a extensão territorial, ao clima tropical e à alta umidade, que juntos criam o ambiente perfeito para a formação de tempestades severas constantes.

“Em áreas abertas, a pessoa fica mais exposta às descargas atmosféricas, principalmente quando se torna um dos pontos mais altos do local. O risco não se limita ao impacto direto do raio. A corrente também pode chegar pelo solo, por uma árvore atingida, por cercas, postes ou outras estruturas próximas. As consequências podem incluir queimaduras, parada cardíaca, parada respiratória, lesões neurológicas e quedas, por conta do choque. Ao ouvir trovões, o mais seguro é interromper a atividade e procurar abrigo em uma edificação fechada ou em um veículo com teto rígido. Árvores isoladas, quiosques abertos e pequenas coberturas não oferecem proteção adequada”, reforça o pesquisador.

O professor e engenheiro elétrico Bruno Albuquerque, que atualmente desenvolve atividades no Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (CEAMAZON/UFPA), aponta que os materiais metálicos, como os utilizados em postes, podem conduzir facilmente eletricidade. “O fato de o equipamento ser metálico não significa, por si só, que ele esteja energizado ou que atraia raios. O problema é que o metal conduz eletricidade com facilidade. Assim, uma estrutura pode oferecer risco se estiver próxima de uma instalação defeituosa, de cabos subterrâneos, de luminárias com falha ou de equipamentos sem aterramento adequado”, afirma. Ele também orienta que as pessoas devem interromper o uso de equipamentos com estruturas metálicas. “Durante chuva intensa, alagamento ou tempestade com raios, a recomendação é interromper o uso de pistas, brinquedos e academias ao ar livre e procurar um local seguro”, assegura.

A população deve ficar atenta a alguns sinais que merecem atenção como: fios soltos, rompidos ou desencapados; caixas elétricas abertas ou com água; postes, luminárias ou equipamentos danificados; faíscas, estalos, zumbidos, cheiro de queimado e marcas de aquecimento. Albuquerque também diz ser preocupante quando qualquer estrutura provoca formigamento ou pequenos choques ao ser tocada. “No entanto, é importante destacar que nem sempre uma instalação energizada apresenta sinais visíveis. Diante de qualquer suspeita, ninguém deve tentar fazer testes tocando no equipamento, usando objetos ou entrando na água ao redor”, alerta.

A principal orientação do especialista é não tocar e não se aproximar de estruturas com risco. Pessoas e animais devem ficar afastados dessas estruturas inseguras. Em seguida, deve-se comunicar o problema à concessionária de energia e ao órgão responsável pelo espaço público e, em caso de risco imediato, vítima ou princípio de incêndio, acionar o Corpo de Bombeiros. “Se houver fio caído ou suspeita de corrente no solo, o afastamento deve ser feito com passos curtos, evitando correr ou abrir muito as pernas. Caso alguém esteja sofrendo um choque, não se deve tocar diretamente na vítima enquanto a fonte de energia não tiver sido desligada, porque quem tenta ajudar também pode ser atingido”, enfatiza.

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