Embrapa lança nova variedade de açaí nesta sexta (29)

Nova variação do fruto atende a exigências do consumidor e do mercado. Pesquisa levou quase 20 anos ao todo

Victor Furtado com informações da Embrapa Amazônia Oriental

Há uma nova variação do açaí de cada dia do paraense. Foi desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental) e será lançada nesta sexta-feira (29). O novo açaizeiro (Euterpe oleracea) ganhou o nome de BRS Pai d’Égua. Além do lançamento formal, haverá um debate sobre a cadeia produtiva do fruto e degustação da novidade.

A BRS Pai d'Égua é uma nova cultivar (variedade de planta cultivada) de açaizeiro, irrigado de terra firme da Embrapa. A variedade atende às principais demandas da cadeia produtiva do açaí: a produção na entressafra, maior produtividade e frutos menores, que facilitam o processamento e rendem mais. Segundo a Embrapa, são características que agradam ao produtor e ao mercado. E não ficarão devendo nada aos consumidores.

Nova cultivar do açaizeiro ganhou o nome de BRS Pai D'Égua e pode solucionar algumas demandas do mercado, como produtividade na entressafra (Ronaldo Rosa / Embrapa Amazônia Oriental)

Como diferencial da variedade, o agrônomo João Tomé de Farias Neto, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, aponta a distribuição bem equilibrada da produção anual. A BRS Pai d’Égua produz 46% no período da entressafra (de janeiro a junho) e 54% na safra (de julho a dezembro).

Outro ponto forte desse açaizeiro é a maior produtividade, chegando a 12 toneladas ao ano por hectare. O açaí manejado de várzea e o cultivado em terra firme sem irrigação produzem cerca de cinco toneladas por hectare por ano. Os frutos menores rendem 30% mais polpa que os frutos tradicionais. 

 

90% do comércio de açaí só ocorre na safra

Em 2018, o Pará produziu 1,4 milhão de toneladas de açaí, numa área plantada de 200 mil hectares. O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa área envolve o manejo de áreas de várzea e os plantios de terra firme. Somente na economia paraense, o produto movimentou cerca de R$ 3 bilhões no ano passado.

Para ampliar a produção dessa palmeira nativa das áreas de várzea, a pesquisa vem trabalhando há mais de 20 anos. Além do manejo de açaizais nativos, em 2005, a Embrapa lançou a primeira de cultivar de açaizeiro para terra firme do mundo, a BRS Pará, responsável por ampliar o cultivo do açaizeiro no Pará e em outros estados brasileiros.

“Para a nova cultivar, a BRS Pai d’Égua, precisávamos ir além, resolver um dos principais gargalos dessa cadeia produtiva: a sazonalidade”, analisa o pesquisador. Cerca de 90% do açaí comercializado no Pará é produzido durante o período da safra, entre os meses de julho e dezembro.

Pesquisador João Tomé mostra o novo fruto, que apesar de menor, rende até 30% mais polpa (Ronaldo Rosa / Embrapa Amazônia Oriental)

O cientista conta que a BRS Pai d’Égua é resultado da pesquisa com melhoramento genético desse fruto. “O trabalho envolveu coleta de material genético (sementes) em diferentes regiões do estado, plantio em área experimental e seleção das melhores plantas ao longo de cinco anos”, explica João Tomé.

Os resultados do trabalho surpreenderam não somente a equipe de pesquisa, mas também o mercado. Para Márcio Coelho da Veiga, que trabalha como “batedor” de açaí desde 2001, “o rendimento dessa variedade foi surpreendente. Uma caixa de trinta quilos do açaí comum rendia de dez a 12 litros de polpa média, com esse açaí a gente chegou a 15 litros”, relata

Além do rendimento, de polpa que chamou a atenção do comerciante, a consistência, cor e o sabor também impressionaram. “Qualquer batedor percebe imediatamente que a polpa desse açaí é mais espessa e cremosa”, adianta para os consumidores.

Belém
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