Em dia de jogo, tem quem esteja muito animado e quem esteja nem aí 

A Copa do Mundo é um evento que divide opiniões. Para muitas pessoas, é a oportunidade de reunir amigos e familiares para torcerem juntos, enquanto outra parcela dos brasileiros é indiferente ao campeonato

Laís Santana
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Enquanto muitas famílias estão animadíssimas com a Copa do Mundo, contando as horas para o primeiro jogo da Seleção Brasileira, nesta quinta-feira (24), e com a expectativa lá em cima para a trajetória do time no campeonato, tem quem não liga para a disputa de futebol, lamentando as horas de trabalho desperdiçadas nos dias de jogos do Brasil e afirmando que as copas da atualidade não tem mais a mesma graça. Apesar da falta de sentido para parte dos brasileiros, o momento esportivo é utilizado para reunir familiares e amigos.

Na casa da pedagoga Fernanda Mariz, de 34 anos, o futebol sempre esteve presente. Filha de um ex-jogador e irmã de um treinador, Fernanda casou com Renato, que também é apaixonado pelo esporte e se tornou mãe de um craque mirim e uma futura jogadora. O resultado dessa soma só pode ser muita animação para viver mais uma Copa do Mundo. Para isso a família preparou a casa, investiu na pintura de um grande painel temático no muro do quintal, instalou bandeirinhas, providenciou caixa de som e anunciou para familiares e amigos que o point para Copa já estava definido, até os animais de estimação foram vestidos de verde-amarelo. Mas quem chegar ao local só poderá participar da festa com uma condição: não falar mal do Neymar, atacante da seleção brasileira. 

"É um momento que a gente curte bastante, é a hora de reunir amigos e familiares. É muito gostoso! Esse ano ainda fizemos algo a mais que foi pintar o muro, todo mundo se organizou pra participar desse momento, até pra colocar as bandeirinhas. Para hora do jogo vamos preparar um churrasco, sanduíches e o encontro deve ir até à noite. O primeiro passo dessa preparação foi com o meu esposo que comprou um tapete que está escrito 'Se você veio falar do Neymar desculpa, mas veio no lugar errado'. Aqui somos 'neymarzetes' e o tapeta fica nem na entrada da casa. A partir daí a gente começou a se empolgar e fazer planos", afirma Fernanda. A paixão da família pelo futebol também ultrapassou os muros da casa e invadiu a vila onde moram, em forma de bandeirinhas nas cores do Brasil para ornar com a decoração da casa dos Mariz. 

Não diferente da maioria dos brasileiros, a expectativa de Fernanda e toda sua família é que a Seleção Brasileira traga o título de hexacampeão. E no que depender a empolgação da turma, a taça será do Brasil no dia 18 de dezembro. "Nosso povo merece, nossos jogadores também. Na última Copa ficamos desolados aqui, mas esse ano a gente realmente espera que o Brasil trago o Hexa. O time está muito bom, gostamos da escalação. Que eles façam um jogo lindo e que ninguém se machuque", deseja a torcedora. 

"Tanto faz quem ganhar, quem não ganhar" 

A Copa do Mundo não causa a mesma empolgação em outra parcela da população brasileira. Tem gente que está nem aí para os jogos, mas aproveita as folgas do trabalho e acaba torcendo para o Brasil continuar ganhando. Tem também quem prefere trabalhar por não ver sentido no campeonato. Para o supervisor de vendas Alexandre Monteiro, de 31 anos, a Copa do Mundo já não é tão interessante como há anos atrás. Ele revela não ligar para a disputa entre os times e afirma que o evento não tem mais o mesmo "clima de Copa" como antes. 

"Eu já gostei bastante, mas hoje em dia não tem mais aquele clima legal como era antigamente, que a gente acordava e queria assistir quem ia jogar, independente da seleção. Hoje em dia não, principalmente a Seleção Brasileira. A gente não sabe nem quem são os jogadores, mal a gente sabe um que é o Neymar, o restante praticamente ninguém conhece. Não tem mais aquele clima! Por exemplo, a minha rua não está arrumada, não tem nada e nos outros anos a gente enfeitava tudo, todo mundo se reunia pra ver jogo", relembra. 

Além de não se sentir motivado a acompanhar a Copa, Alexandre avalia que o campeonato mundial afeta a dinâmica do trabalho. "A gente não vai parar, não vamos ter folga. Vamos parar uma hora antes dos jogos, mas isso acaba impactando porque, como eu sou supervisor de vendas, a gente acaba deixando de fazer venda, de prospectar cliente, os vendedores acabam ficando dispersos porque vão estar esperando o momento de sair pra ver o jogo, não vão estar ali focados no trabalho", pontua. 

Em relação à oportunidade de encontrar amigos e familiares, Monteiro pontua que pode participar mais para rever os amigos e parentes do que para assistir ao jogo da seleção. "Eu posso me reunir com meus amigos, por exemplo, a qualquer momento, não precisa necessariamente ter um jogo da Copa do Mundo pra isso. Esse é só mais um momento e isso a gente pode fazer em qualquer dia. Eu não vou estar ali focado no jogo", declara. A única expectativa de Alexandre é que a disputa acabe logo. "São muitos dias, inclusive. Não tem necessidade disso, sem contar que não temos mais atmosfera pra isso. Espero que as coisas voltem ao normal logo, não acho que o Brasil vai chegar muito longe, nem que vai ganhar essa copa", conclui. 

Belém
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