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Diabetes em jovens em Belém e no Pará: veja sinais de alerta e como prevenir a doença

Mais de 700 jovens com a doença são acompanhados na capital; especialistas orientam sobre hábitos saudáveis

Dilson Pimentel
fonte

O avanço dos casos de diabetes entre crianças, adolescentes e jovens acende um sinal de alerta em Belém e no Pará. Os números da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) mostram que, somente na capital, 46 crianças de 10 a 14 anos e 707 jovens de 15 a 29 anos estão em acompanhamento na rede pública, evidenciando a presença significativa da doença, sobretudo na faixa jovem-adulta.

Em relação ao público jovem (15 a 29 anos), neste ano, as unidades de saúde registraram 57 atendimentos por diabetes. No ano passado, foram 410 atendimentos. Em 2024, 607 pessoas foram atendidas. O período de referência é de 1/01 a 31/12 de cada ano, com exceção de 2026, cujos dados compreendem o período de 01/01 até o momento. A Sesma informa ainda que todas as unidades de saúde do município desenvolvem o programa Hiperdia.

O programa Hiperdia (Hipertensão e Diabetes), do Ministério da Saúde, é uma iniciativa do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao cadastro, monitoramento e tratamento de pacientes com essas doenças crônicas. A estratégia garante acompanhamento contínuo nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com foco na prevenção de complicações, oferta de medicamentos e ações de educação em saúde.

Cenário estadual

No cenário estadual, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) divulgou o número de atendimentos de pacientes com diabetes, na faixa etária de 10 a 19 anos, conforme dados do Sistema de Informação da Atenção Básica (SISAB). Foram 1.230 atendimentos individuais em 2024, 1.533 em 2025, e 316 atendimentos até fevereiro de 2026, demonstrando a continuidade da assistência prestada a esse público.

No que se refere às internações, foram registradas 472 ocorrências por diabetes na faixa etária infantojuvenil (de menores de 1 a 19 anos) no Pará, no período de 2024 a 2026, sendo a faixa etária de 10 a 14 anos a mais atingida. Quanto aos dados de obesidade infantojuvenil, a Sespa informa que o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), de abrangência nacional, ficará temporariamente inoperante por 10 dias, a contar desta terça-feira (23), em função de atualização de versão. A Sespa ressalta, ainda, que está implantando um sistema centralizador que permitirá ampliar o monitoramento e a qualificação das informações sobre pessoas diagnosticadas com diabetes e atendidas nas Unidades de Saúde do Pará.

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image O profissional de Educação Física Marvin Lima Pastana diz que, com acompanhamento e disciplina, é possível manter uma vida equilibrada (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Entre dieta, insulina e exercício: jovem convive com diabetes desde os 16 anos

Diagnosticado com diabetes aos 16 anos, o profissional de Educação Física Marvin Lima Pastana, hoje com 24, precisou mudar hábitos e incorporar novos cuidados à rotina para conviver com a doença. O diagnóstico ocorreu após sinais observados em casa, com o apoio da avó, que era enfermeira. Segundo ele, a suspeita surgiu quando percebeu a presença de formigas no vaso sanitário após urinar, o que chamou a atenção da avó. “Ela achou estranho e mandou eu fazer exame. Na época, eu não praticava atividade física, e isso influenciou muito”, conta.

Marvin também destaca o histórico familiar, já que os avós eram diabéticos, o que aumentava a predisposição para a doença. Os exames confirmaram o quadro com níveis elevados de glicose. “Minha glicose de jejum estava a 500. O normal é 100, 140 no máximo”, conta. No início, ele afirma que não compreendia a gravidade da doença, embora a família demonstrasse preocupação. “Eu era muito ignorante quanto ao assunto, mas depois fui entender que realmente é grave. Tem gente que, se não se cuidar, pode ter complicações sérias”, diz.

A partir do diagnóstico, Marvin passou a adotar uma rotina com dieta controlada e uso de insulina. Ele utiliza dois tipos do hormônio: um de aplicação diária e outro administrado antes das refeições, conforme a contagem de carboidratos. “Faço a contagem e isso define a quantidade que vou tomar”, explica. Com acompanhamento e disciplina, ele afirma que é possível manter uma vida equilibrada. “Tudo controlado, nada exagerado. Se eu tiver uma vida regrada, com atividade física e alimentação, consigo comer uma pizza ou tomar refrigerante de vez em quando”, afirma.

No ambiente de trabalho, em uma academia de Belém, Marvin relata que já enfrentou situações de desinformação. “Quando as pessoas veem a seringa e a insulina, pensam que estou usando anabolizante. Até eu explicar, mostrar…”, conta. Apesar disso, ele diz que hoje há mais compreensão por parte de colegas, alunos, amigos e familiares. Ele também destaca que pessoas próximas já sabem como agir em situações de emergência, como episódios de hipoglicemia. “Meus alunos, por exemplo, já sabem. Às vezes trazem biscoito ou chocolate para me ajudar caso eu precise”, disse.

Como mensagem para outros jovens, Marvin reforça que o diagnóstico não impede qualidade de vida. “Não é o fim de nada. Com informação e acompanhamento correto, dá para viver bem”, afirma. Ele recomenda buscar orientação médica, especialmente com endocrinologista, entender a própria condição e manter uma rotina ativa. “Quanto mais você entender sobre o seu corpo, mais controle você vai ter sobre a doença. E a atividade física é um excelente aliado no controle do diabetes”, conclui.

Sedentarismo e má alimentação

O aumento de casos de diabetes entre adolescentes e jovens adultos tem relação direta com mudanças no estilo de vida, como a redução da atividade física, alimentação inadequada e crescimento da obesidade. O alerta é da endocrinologista Natércia Marques, que destaca o avanço do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) nesse público. De acordo com a especialista, existem diferentes tipos de diabetes, sendo os mais relevantes o tipo 1 e o tipo 2. “O diabetes mellitus tipo 1 ocorre pela falta de insulina, quando as células do corpo não conseguem produzi-la. Já o diabetes mellitus tipo 2 acontece quando há resistência do organismo à insulina produzida, sendo esse o tipo mais comum”, explica. Ela ressalta que o foco está no DM2 por ser o mais influenciado por fatores como peso, alimentação e atividade física.

Segundo Natércia Marques, hábitos inadequados têm contribuído diretamente para o crescimento da doença. “Mudanças como redução da atividade física, alimentação não saudável e desbalanceada, com ingestão exagerada de açúcar, gordura e ultraprocessados, além do aumento da obesidade em adolescentes e adultos jovens, levaram ao aumento do diabetes tipo 2 nesse grupo”, afirma.

A médica explica que o sedentarismo interfere no funcionamento do organismo e no controle da glicose. “O exercício físico ajuda o corpo a funcionar melhor e reduz a resistência à insulina, que é o mecanismo para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Além disso, melhora o metabolismo do açúcar no sangue, contribui para o controle de peso e reduz o risco da doença”, ressalta. Já a alimentação desequilibrada também desempenha papel importante. “Uma dieta com excesso de alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras contribui tanto para o ganho de peso quanto para o aumento do risco de diabetes tipo 2”, afirma.

A endocrinologista chama atenção para sinais que podem indicar risco ou presença da doença. “O excesso de peso e o aparecimento de manchas mais escuras em áreas como o pescoço, chamadas de acantose nigricans, podem indicar resistência à insulina. Além disso, sintomas como urinar com frequência, muita fome e sede podem ser sinais de diabetes já descompensado”, alerta. Como forma de prevenção, a especialista reforça a importância de hábitos saudáveis desde cedo. “Exercício físico regular, alimentação equilibrada e manutenção de um peso corporal saudável são medidas fundamentais para reduzir o risco de diabetes tipo 2”, orienta.

Consumo de ultraprocessados acende alerta para risco de diabetes, diz nutricionista

O aumento no consumo de alimentos ultraprocessados entre jovens tem gerado preocupação entre especialistas em saúde. Segundo a nutricionista Samara Queiroz, a rotina acelerada e a praticidade desses produtos têm contribuído para escolhas alimentares menos saudáveis, com impactos diretos no metabolismo. De acordo com a profissional, esses alimentos são, em sua maioria, ricos em açúcares refinados - os chamados açúcares simples - que provocam elevações rápidas e intensas na glicemia, conhecidas como picos glicêmicos. Além disso, costumam conter farinha refinada, gorduras de baixa qualidade, baixo teor de fibras e grande quantidade de aditivos químicos, como corantes e aromatizantes.

“Tudo isso pode desencadear impactos reais na glicemia desse jovem e, consequentemente, levar à resistência à insulina, que é o primeiro sinal para um pré-diabetes e até mesmo para o diabetes, quadro que tem sido cada vez mais notificado nesse público”, alerta. A nutricionista também destaca que esse padrão alimentar, marcado pelo alto consumo de produtos processados e baixo consumo de alimentos naturais, pode favorecer o acúmulo de gordura visceral. Esse tipo de gordura está associado a doenças metabólicas, como a esteatose hepática (gordura no fígado), que também compromete a sensibilidade à insulina e pode evoluir para diabetes.

Apesar dos riscos, mudanças simples na alimentação podem gerar impactos positivos significativos. A recomendação inicial é reduzir o consumo de ultraprocessados e priorizar alimentos naturais, como frutas, verduras e vegetais. “Quanto mais verde e colorida for a alimentação, melhor será para o metabolismo”, orienta. Outra medida importante é diminuir a ingestão de bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos industrializados, optando por versões mais naturais e com menor teor de açúcar, como limonadas e sucos caseiros. A inclusão de fibras na dieta também é essencial, podendo ser feita por meio de cereais e vegetais. A aveia, por exemplo, é destacada como uma excelente fonte de fibra devido à presença de beta-glucana, que auxilia na regulação da glicemia.

O aumento do consumo de proteínas saudáveis - como frango, peixes e ovos - também contribui para reduzir o impacto glicêmico das refeições. “Essas são mudanças simples que podem reduzir o risco de diabetes e até levar à remissão da doença”, afirma. Como padrão alimentar ideal, a nutricionista recomenda a adoção de uma dieta baseada em alimentos naturais, resumida na orientação “descascar mais e desembalar menos”.

Esse modelo inclui alimentos ricos em fibras e carboidratos complexos, que têm menor impacto na glicemia, além de gorduras saudáveis, como azeite de oliva extravirgem e castanhas. Esse perfil alimentar está alinhado à dieta mediterrânea, amplamente recomendada tanto para prevenção quanto para o tratamento do diabetes, por priorizar uma alimentação equilibrada e nutritiva.

Samara Queiroz também faz um alerta sobre restrições alimentares excessivas, que podem prejudicar a relação do jovem com a comida e até desencadear transtornos alimentares, comprometendo o manejo da saúde metabólica. Para conciliar uma alimentação saudável com a rotina corrida, a orientação é investir em planejamento. Organizar o cardápio semanal, preparar refeições com antecedência e manter opções práticas e saudáveis, como castanhas, iogurtes e sanduíches naturais, são estratégias que facilitam escolhas mais equilibradas no dia a dia.

Por fim, a nutricionista destaca a importância da leitura de rótulos de produtos industrializados. “É fundamental observar a lista de ingredientes e optar por alimentos com menos de cinco itens, pois, geralmente, quanto maior a lista, mais ultraprocessado é o produto”, explica.

O que os números indicam, em resumo:

O diabetes está presente de forma significativa entre jovens, especialmente de 15 a 29 anos em Belém.

Há indícios de aumento ou maior identificação de casos entre adolescentes no Pará.

As internações mostram que ainda há desafios no controle da doença, principalmente entre crianças e adolescentes.

Os dados de 2026 ainda são parciais e não permitem conclusões definitivas sobre tendência de queda.

A atenção básica, via programas como o Hiperdia, é essencial para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Dicas das especialistas

Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados

Evitar produtos industrializados ricos em açúcares, gorduras de baixa qualidade e aditivos químicos, priorizando alimentos mais naturais.

Adotar uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes

Incluir frutas, verduras, vegetais, fibras (como aveia) e proteínas saudáveis (frango, peixe e ovos), além de optar por gorduras boas, como azeite de oliva e castanhas.

Diminuir a ingestão de bebidas açucaradas

Substituir refrigerantes e sucos industrializados por opções naturais, com menor teor de açúcar, ajudando no controle da glicemia.

Praticar atividade física regularmente

Manter uma rotina ativa ajuda a reduzir a resistência à insulina, melhora o metabolismo da glicose e contribui para o controle do peso.

Planejar a alimentação e ler rótulos de produtos

Organizar o cardápio semanal, preparar refeições com antecedência e observar a lista de ingredientes dos alimentos industrializados, preferindo aqueles com menos componentes.

 

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