Dia Nacional do Livro: projeto transforma geladeiras em bibliotecas em Belém

As 'gelotecas' são uma iniciativa voltada para promover a democratização dos livros para crianças em situação de vulnebilidade e garantir um processo de alfabetização mais humanizado

Camila Azevedo
fonte

O Dia Nacional do Livro é comemorado neste sábado (29) e tem como objetivo incentivar a leitura. A data foi criada em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional, localizada no Rio de Janeiro, época em que o primeiro acervo literário chegou em terras brasileiras. Porém, a região Norte tem apenas 8% de leitores no total da população do país. O levantamento foi realizado pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. É pensando em garantir o acesso aos recursos e diminuir as desigualdades que iniciativas em Belém, como a Rede de Gelotecas Comunitárias Pará Ler, buscam alcançar crianças em situação de vulnerabilidade, mudando o olhar delas e tornando os livros cada vez mais democráticos. 

O projeto começou a ser idealizado em 2019, mas foi apenas em agosto de 2020, no meio da pandemia da covid-19, que a primeira ‘geloteca’ - geladeira reciclada que passa por um processo de reforma e pintura para receber os livros - foi inaugurada. Atualmente, são cerca de 20 desses objetos customizados em diversas cidades do Pará, como o município do Acará. Com isso, mais de mil crianças são atendidas diariamente nos pontos e, além da missão de despertar o encantamento pela leitura, há também um trabalho voltado para fortalecer os direitos humanos.

VEJA MAIS

image Casinha Literária: projeto leva o acesso a leitura por meio de ‘minibibliotecas’ nas ruas de Belém
A iniciativa busca oferecer gratuitamente a pessoas sem recursos financeiros o acesso a um acervo de livros doados por meio de uma rede solidária

image Grupo 'Os Tapetes Contadores de Histórias' levam a magia das narrativas para Marabá
O grupo apresenta ao público infantil a exposição interativa “Peraltagens”, com um inédito acervo de livros, tapetes, painéis e caixas de pano

image Projetos promovem ações socioambientais, socioeducativas e étnico-raciais em quilombos de Castanhal
O Programa Universidade no Quilombo promove ações formativas abertas a professores e a toda a comunidade, com estudos, rodas de conversa, oficinas, publicações de livros e produção de vídeos

Douglas Nunes, de 24 anos, é um dos criadores do projeto. Ele afirma que essa se encaixa entre as formas mais democráticas de promover a leitura. As ações, então, são abrangentes e envolvem uma série de atividades rotineiras. “Nosso objetivo não é só a leitura literária, mas sim uma leitura de mundo. Por conta disso, a gente não só faz os empréstimos, a condução de histórias ou a mediação. A gente desenvolve outros projetos, como a horta comunitária, o cinema, palestras…”, diz.

A ‘geloteca’ traz um ensino humanizado por meio da leitura e promove a desconstrução de algo muito visível na sociedade: a falta do gosto pelos livros. “Há uma crítica que eu sempre faço: as pessoas falam que as crianças de hoje, os jovens e adolescentes não gostam de ler. Isso não é verdade, eles gostam. Mas a leitura não é trabalhada de uma forma agradável, ela é vista como um castigo. Então, a gente promove a leitura fazendo as crianças viajarem pelo mundo dos livros, trabalhando o imaginário delas”, ressalta Douglas.

Projeto também ajuda a combater o analfabetismo 

O professor de história Flávio Lauande faz parte da frente que iniciou a ‘geloteca’. Uma das unidades, a chamada Paulo Freire, está situada em uma área de intensa vulnerabilidade, expondo as crianças a situações de risco frequente e colaborando para o analfabetismo. “Ou a criança vai para o tráfico, ou a criança pode ir para um caminho do bem, estudar, ir para a escola. Muitas na faixa dos onze anos não sabem ler e até começar, aprender, e entrar no mundo da leitura, nós queremos que elas tenham o gosto de ficar”, destaca.

Na prática

A pedagoga Maria Pires é uma das guardiãs da ‘geloteca’ e um espaço da casa em que mora é usado para dar aulas de reforço para crianças do 1º ao 6º ano. Os livros doados são uma forma de ensinar aos alunos os conteúdos de uma forma diferente: por meio de atividades lúdicas com o uso do material. “Quando a criança não sabe ler, ela gosta daqueles com desenhos maiores, com as letras grandes para ver a imagem e eu conto a história. Eu conto, eu faço e aí eles vão se apaixonando. Tenho umas crianças aqui do 6º ano, elas desenharam e foram lá na frente contar a história que elas leram, de como elas entenderam. E quando começa a ler o livro, a criança lê e já interpreta. Essa é a maneira que a gente trabalha, ler e desenhar da maneira que você quiser, da maneira que você entendeu”, completa.

Como doar

Para colaborar com o projeto, os voluntários aceitam a doação de livros
@redegeotecaspa
Local:
Escolinha da professora Maria
De segunda a sexta-feira
Horário: 8h às 17h30

Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Belém
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM BELÉM

MAIS LIDAS EM BELÉM