Dia Nacional do Cego: estudantes em Belém lançam livro sobre 200 anos da Independência do Brasil

Iniciativa movimenta alunos da Unidade Especial José Álvares de Azevedo, referência em educação para pessoas com deficiência visual

O Liberal
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image No Dia Nacional do Cego, estudantes demonstram as potencialidades dos deficientes visuais (Foto: Alex Ribeiro / Ag. Pará)No Dia Nacional do Cego, a transcorrer nesta terça-feira (13), estudantes da Unidade Educacional Especializada José Álvares de Azevedo, em Belém, coordenada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), lançam hoje um livro de poemas, em braille, sobre o bicentenário da Independência do Brasil, no auditório desse órgão estadual. A iniciativa traduz todo um trabalho desenvolvido pela UEE em prol da cidadania de pessoas portadoras de deficiência visual, por meio do projeto "Arte Faz Parte", com foco no incentivo das potencialidades desse público-alvo.

Todos os anos, a UEE Josá Álvares de Azevedo promove atividades especiais no dia 13 de dezembro, alusivas ao Dia Nacional do Cego, e, em 2022, a direção escolheu como tema "Arte de educar, acessibilidade tecnológica, qualidade de vida e a pessoa com deficiência visual". Esse direcinamento foi dado pelo professor Ronaldo de Carvalho. Ronaldo é deficiente visual e atua na escola por meio do Projeto "Arte Faz Parte", criado por professores do Rio de Janeiro (RJ). 

E dois desses criadores ministraram uma oficina on-line para nove estudantes da “José Álvares de Azevedo”, a fim de estimulá-los a criar poemas sobre o bicentenário da Independência do Brasil. A ação resultou no livro que hoje (13) é lançado.

"Grito de Independência de cada um"

O professor Ronaldo de Carvalho explica o processo de confecção do livro. "O 'Arte Faz Parte' trabalha a questão da diversidade. A escola acatou a ideia na mesma hora em que recebeu a proposta. Fizemos a oficina em oito aulas on-line, eu e mais nove alunos, todos também deficientes visuais. Vejo que o tema do Bicentenário da Independência pode ser entendido também como um grito de independência de cada um. Por exemplo: para mim, independência é poder caminhar, estudar, e acho que esse tipo de projeto estimula essa busca por ser independente, pelo crescimento", diz o docente. 

"Muitos alunos relataram durante esse trabalho que às vezes acham que não têm a capacidade de escrever. Quando viram que construíram algo único, que é deles, ficaram em êxtase", conta Ronaldo de Carvalho.

 

Victória Emily Vale, 18 anos, concluiu agora o 3º ano do ensino médio na escola e é autora de um dos textos do livro. "Sempre gostei de escrever, mas não tinha muito contato com poema, poesia. Aceitei o convite do professor Ronaldo para a oficina sem expectativas. Quando as atividades foram passadas, achei que não ia conseguir. Mas acabou que eu me diverti muito, e estou feliz porque superei, provei para mim mesma que posso escrever", disse Victória.

Potencialidades e superação

De acordo com a diretora da UEE José Álvares de Azevedo, Lindalva Carvalho, 264 estudantes são atendidos regularmente matriculados na Seduc e também quem é cadastrado, chegando a quase 300 alunos. O atendimento é feito pelo currículo funcional, que prevê reabilitação educacional em conjunto com o ensino regular para trabalhar conteúdos em braile, recursos de informática, material em alto relevo e adaptação para baixa visão.

"Elegemos esse dia 13 de dezembro para demarcar a importância de se falar das potencialidades das pessoas com deficiência visual, das oportunidades que precisam ser criadas dentro das necessidades reais desses alunos. Eles podem desenvolver a vida normal desde que sejam trabalhados para ter independência na rotina", destaca a gestora escolar.

Sobre o tema deste ano, ela explicou que está relacionado às dificuldades impostas pela pandemia de covid-19, como a dificuldade de lidar com o ensino remoto em meio à realidade de muitos alunos que não têm acesso à internet em casa, ou dispõem de um serviço precário. 

"Ensino híbrido é desafio também para nós. A gente sentiu necessidade de formação, e é possível, sim, avançar em termos de conhecimento com nossos alunos desde que a gente invista nisso. A Seduc vislumbra esse caminho e abraçou nossa ideia, trazendo professores do Rio de Janeiro", acrescenta Lindalva Carvalho.

Belém
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