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Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo: dependência compromete a saúde física e mental

Embora o caminho para a recuperação seja longo e desafiador, é possível vencer a dependência com o tratamento especializado e a conscientização de todos os envolvidos, segundo os especialistas

O Liberal
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Nesta sexta-feira (20), é celebrado o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo. A dependência dessas substâncias, sejam elas lícitas ou ilícitas, é um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a dependência como uma doença, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, gerando consequências devastadoras para os indivíduos, suas famílias e as comunidades.

A dependência química é um transtorno cerebral complexo, que altera circuitos responsáveis pelo prazer, motivação e autocontrole. A abordagem à condição deve ser integrada, com o apoio de profissionais de saúde, programas educacionais e políticas públicas eficazes. Embora o caminho para a recuperação seja longo e desafiador, é possível vencer a dependência com o tratamento especializado e a conscientização de todos os envolvidos.

Os dependentes enfrentam um ciclo vicioso que compromete a saúde física e mental, inclusive no caso de drogas mais socialmente aceitas, como é o caso do álcool. O alcoolismo é uma das formas mais comuns de dependência no Brasil e no mundo, consumido amplamente em festas, eventos sociais e reuniões familiares. No entanto, o alcoolismo é uma doença crônica, marcada pelo consumo compulsivo e pela perda de controle sobre a quantidade e a frequência do uso.

De acordo com a psiquiatra Daniele Boulhosa, o alcoolismo é caracterizado por uma crescente tolerância ao álcool e sintomas de abstinência quando a substância é retirada. "O corpo vai se acostumando com o consumo, o que faz com que o indivíduo precise de doses cada vez maiores para atingir o mesmo efeito", explica a especialista. 

Além disso, a dependência do álcool pode causar danos irreversíveis ao fígado, coração e sistema nervoso, aumentando o risco de doenças como cirrose, cardiomiopatia e encefalopatia hepática. A dificuldade em reconhecer o alcoolismo como uma doença é agravada pela aceitação social. 

"Como o álcool está presente em tantas situações cotidianas, muitas vezes não percebemos que ele pode ser a causa de sérios problemas na vida de uma pessoa", diz Boulhosa. Ela destaca que o tratamento da dependência alcoólica exige um acompanhamento contínuo e um trabalho psicoterapêutico, além de apoio familiar e social.

Maconha traz mais prejuízos do que se imagina

O uso crônico de maconha pode trazer sérios problemas de saúde. A fumaça da maconha contém alcatrão e substâncias cancerígenas, como o benzopireno, que afetam diretamente o sistema respiratório. De acordo com o clínico geral Carlos Lutian, o consumo regular de maconha pode levar a doenças pulmonares crônicas, como bronquite e enfisema, além de aumentar o risco de câncer de pulmão.

Outro ponto preocupante é o impacto da maconha na saúde mental. "O uso excessivo de maconha pode agravar transtornos psicóticos preexistentes, como esquizofrenia, além de prejudicar a memória e as funções cognitivas", alerta Lutian. Além disso, a abstinência de maconha pode desencadear sintomas como ansiedade, insônia, tremores e perda de apetite, tornando o processo de desintoxicação ainda mais desafiador.

Os riscos do crack e da cocaína

A cocaína é uma das drogas mais viciantes e devastadoras que existem. A substância age diretamente no sistema nervoso central, gerando uma sensação intensa de euforia. Contudo, o consumo constante faz com que o usuário precise de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito, o que gera um ciclo de dependência difícil de quebrar.

O crack, uma forma de cocaína mais barata e de ação mais rápida, é responsável por uma das maiores crises de dependência no Brasil. O uso de crack tem efeitos devastadores no sistema nervoso central e cardiovascular, causando danos irreversíveis em órgãos vitais e levando o usuário a uma deterioração física e mental rápida.

Além disso, muitos usuários de crack acabam contraindo doenças transmissíveis, como hepatite e HIV, devido ao compartilhamento de seringas entre os que fazem uso intravenoso da droga. Além disso, o crack tem um impacto profundo na saúde mental, podendo levar a quadros de psicose, agressividade extrema e alucinações, de acordo com Lutian.

A dependência acelerada a anfetaminas 

As anfetaminas, substâncias sintéticas com efeito estimulante, têm se tornado cada vez mais populares, especialmente entre os jovens. Drogas como o MD e o êxtase ou bala causam euforia intensa, mas também levam à dependência de forma rápida. O uso prolongado de anfetaminas pode resultar em sérios danos cerebrais, psiquiátricos e cardiovasculares.

"Essas substâncias podem causar neurotoxicidade, danificando áreas do cérebro responsáveis pela memória e pela regulação emocional", explica Boulhosa. Além disso, o uso de anfetaminas pode desencadear convulsões, psicose e aumento do risco de morte súbita devido a arritmias cardíacas.

Tratamento

O tratamento da dependência química é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar. No Brasil, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) desempenham um papel fundamental no apoio a indivíduos com transtornos relacionados ao uso de substâncias. Esses centros oferecem atendimento médico, psicológico e social, com equipes compostas por psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais.

"A desintoxicação não é suficiente. O tratamento da dependência química deve incluir acompanhamento psicológico contínuo, medicação e suporte familiar", afirma Boulhosa. Ela ressalta ainda que a dependência química é uma doença crônica, que, como outras condições de saúde, exige cuidados a longo prazo.

A prevenção, no entanto, é a chave para reduzir os danos causados pelo abuso de substâncias. Programas educacionais nas escolas, campanhas de conscientização e o incentivo à prática de atividades saudáveis são fundamentais para evitar que mais pessoas se tornem dependentes. Lutian enfatiza que a sociedade precisa parar de romantizar o uso de substâncias como o álcool e a maconha. "É preciso que haja uma mudança cultural para que a dependência seja vista como uma doença, e não como uma escolha pessoal", afirma.

 

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