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Dia Mundial do Orgasmo: prática alia saúde ao empoderamento feminino, mas ainda enfrenta tabus

A compra de vibradores, usados em momentos solo ou a dois, cresceu 50% entre março e agosto de 2020, primeiros meses de pandemia; sexo traz qualidade de vida, diz especialista

Camila Azevedo

O Dia Mundial do Orgasmo é comemorado neste domingo (31), desde 1999. A data tem por objetivo incitar o debate sobre as dificuldades encontradas para atingir o ápice da relação, além de aquecer as vendas do mercado de produtos eróticos. Durante o primeiro ano de pandemia da covid-19,  o comércio de produtos adultos teve um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. Entre março e agosto de 2020, as vendas de vibradores aumentaram 50% no país. Os dados foram levantados pela Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (Abeme). A taxa significativa revela a necessidade de se reinventar no processo sexual e descobrir novidades aliadas ao bem estar que podem trazer empoderamento às mulheres. 

Ainda com muitos tabus que cercam o sexo e, consequentemente, o orgasmo, uma coisa é certa: a prática garante relaxamento e diminui os níveis de estresse e ansiedade quando a importância é entendida como forma de adquirir saúde e qualidade de vida. Afinal, algumas substâncias são liberadas no orgasmo, como a endorfina. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o prazer é um fator indispensável para uma boa vivência do cotidiano. 

Porém, para o aproveitamento máximo, é necessário ter consciência de que a relação sexual não é ruim e nem proibida, muito pelo contrário, os benefícios são enormes. A fisioterapeuta pélvica e sexóloga Mônica Moura diz que é fundamental a pessoa entender qual significado será atribuído à relação: quanto mais ele for voltado para a saúde, mais positiva a experiência será. “É importante primeiro que a gente entenda o que é o sexo e qual a importância desse sexo e do orgasmo pra gente. Cada pessoa vai dar um significado diferente pro sexo e é bom que você saiba qual o significado que ele tem na sua vida. Se eu tenho uma ideia de que sexo é pecado, sujo, nojento, a representação disso na minha vida vai ser sujo, nojento, proibido. Então, isso é incompatível com saúde”, ressalta. 

Combater a desinformação a respeito do sexo é uma forma de salvar famílias e de preservação mental. A sexóloga explica que todo o contexto que envolve a sexualidade humana ainda é um mito. “Lamentavelmente, ele [o sexo] é negligenciado nas escolas, nos próprios livros de fisiologia a gente encontra meia prágina falando sobre sexo. Falando de sexualidade, sexo, orgasmos, prazer, a gente consegue salvar muitas famílias das relações desgastadas e desprazerosas”, afirma a especialista.

A pandemia fez os costumes mudarem e levou as pessoas a se adaptarem a um formato inédito: o isolamento. Novas formas de pensar e de descobrir os corpos. Foi um período de adaptação das relações que trouxe tempo para aproveitar o momento e investir em aliados na busca pelo prazer e pelo alívio que o estresse do período causou. De acordo com a Abeme, a venda de vibradores somou mais de 1 milhão em 2020, gerando um faturamento de R$ 2 bilhões de reais no Brasil.

O orgasmo como forma de independência feminina

Evna Moura, fotógrafa de 36 anos, sentiu na pele os efeitos do tabu. Durante anos, ela tinha vontade de entrar em lojas de venda de brinquedos sexuais (sex toys, no inglês), os sex shops, mas encarava de frente a vergonha. “Eu tinha curiosidade, mas ficava com um constrangimento de chegar e nem saber o que perguntar ou comprar. E, também, o ambiente da loja, eu ficava pensando: ‘Nossa, e se alguém me ver entrando?’, esse tipo de coisa, porque eu acho que antes eles relacionavam muito o uso de vibradores, de lubrificantes, como um coisa pornográfica”, relata. 

O uso dos sex toys só começou a se tornar realidade na rotina da Evna com a pandemia. O distanciamento social foi um impulso para que a curiosidade desse lugar à certeza. “Vi uma matéria falando sobre o aumento do uso de vibradores, principalmente entre as mulheres, na pandemia. Isso pra mim foi um estímulo. Aquele constrangimento de entrar em uma sex shop não é um agravante mais. E aí, comecei a experimentar”, diz a fotógrafa.

Os benefícios na saúde e no bem estar logo foram vistos. Além disso, a experiência permitiu o autoconhecimento e a sensação de independência. “Eu me sinto bem, foi legal pra mim porque eu já venho dessa busca tem muitos anos, quando eu comecei a entender e frequentar um pouco o tantra. Deu para colocar essas duas coisas em prática. O tantra é o aprofundamento do corpo, do toque, e com os vibradores, a experiência se intensifica. Então, acredito que sim, causa esse sentimento de independência nas mulheres. Eu recomendo”, conta Evna.

E quanto a vergonha, atualmente a fotógrafa afirma que o orgasmo solo precisa de prática para “entender o ritmo do corpo, as posições que o corpo relaxa. Quanto mais você vai praticando e vai se conhecendo, mais vai ficando boa a sensação. Inclusive essa interna de você achar que precisa estar com alguém para ter um orgasmo satisfatório”, conclui.

Outros fatores envolvidos na importância de combater os tabus sobre sexo e orgasmo

Não é de hoje que muitos debates são colocados em cena quando é falado a respeito de educação sexual. Ensinar e educar sobre sexo é uma questão que atinge uma esfera profunda de preservação social. A falta de conhecimento pode gerar consequências incalculáveis. “Através de uma educação sexual bem embasada, a gente consegue diminuir os casos de violencia contra crianças e adolescentes, dimuinuir os casos de pedofilia, a gente consegue orientar as crianças pra que elas saibam se proteger em casos de abuso, que geralmente acontecem dentro de casa”, destaca a sexóloga Mônica. 

Belém
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