Dia Mundial do Café: consumo moderado traz benefícios, mas excesso pode prejudicar a saúde
A quantidade segura de café pode variar conforme a sensibilidade individual à cafeína e condições clínicas, diz nutricionista Jamile Barros
O Dia Mundial do Café é celebrado nesta terça-feira (14), reforçando a importância da bebida que faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Em um país como o Brasil, onde o café é presença constante no dia a dia, especialistas e consumidores destacam que o consumo deve ser equilibrado, já que o excesso pode trazer efeitos negativos à saúde. Em Belém, a nutricionista Jamile Barros disse que o consumo moderado de café está associado à melhora do estado de alerta, da concentração e do desempenho cognitivo, devido principalmente à ação da cafeína no sistema nervoso central.
Além disso, explicou, o café é rico em compostos bioativos, como polifenóis, que têm ação antioxidante e podem contribuir para a redução do risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Porém, alertou, o consumo excessivo pode causar efeitos adversos como ansiedade, insônia, taquicardia e desconfortos gastrointestinais. “Pessoas com hipertensão não controlada, distúrbios de ansiedade, problemas gástricos, gestantes e indivíduos mais sensíveis à cafeína devem ter maior cautela e, em alguns casos, limitar ou evitar o consumo”, afirmou a nutricionista.
Ainda segundo Jamile Barros, a quantidade segura de café pode variar conforme a sensibilidade individual à cafeína, condições clínicas e fase da vida. “De forma geral, até cerca de 400 mg de cafeína por dia é considerado seguro para adultos saudáveis. Mas gestantes, por exemplo, devem limitar a ingestão a cerca de 200 mg diários. Avaliações individualizadas são sempre recomendadas”, explicou.
A nutricionista disse que o café pode sim fazer parte de uma alimentação saudável, especialmente quando consumido sem adição de açúcar ou com mínima quantidade. “Evitar acompanhamentos ultraprocessados e preparações muito calóricas (como bebidas adoçadas e com cremes) é importante para manter os benefícios do café dentro de um padrão alimentar equilibrado”, afirmou.
“Fico mais esperto”, diz contador de 29 anos
Para o contador Matheus Melo, de 29 anos, o café é um hábito diário. Ele contou que consome a bebida pelo menos duas vezes ao dia, sempre pela manhã e à tarde. “Eu consigo desenvolver um trabalho melhor, fico um pouco mais esperto, mais ligado. É um hábito desde criança, então acabou se tornando comum no meu dia a dia”, afirmou.
Segundo ele, o consumo contribui para melhorar o desempenho nas atividades diárias, especialmente para afastar o sono, tanto ao acordar quanto após o almoço. “Eu perco um pouco do sono e consigo ter um gás melhor”, diz. No entanto, Matheus reconhece que o excesso pode trazer prejuízos. Em períodos de maior demanda de trabalho, ele admite aumentar o consumo, o que pode causar efeitos indesejados. “Às vezes acontece uma aceleração no batimento cardíaco. E tem a questão do vício, a cafeína também é um vício”, relata.
Ele lembra de uma situação em que ingeriu cerca de cinco xícaras de café em uma única tarde. “Fiquei extremamente ansioso, muito agitado. Tive dificuldade para dormir durante a noite”, contou. Já o motorista Paulo Negrão, de 55 anos, viveu uma relação ainda mais intensa com o café no passado. Ele conta que consumia grandes quantidades da bebida durante a rotina de trabalho como motorista, especialmente quando fazia viagens de madrugada entre cidades. Na época, ele morava em Quatipuru, no nordeste do Pará e distante 250 km de Belém, e fazia longas viagens.
“Eu fazia frete de lá para cá e era todos os dias. Saía por volta de 3 horas da madrugada e, às vezes, encostava em um posto de gasolina em Santa Maria e tomava café com coca-cola para ter mais energia. Fiz isso por uns seis, sete anos”, contou. Posteriormente, ao trabalhar em uma empresa, o consumo continuou frequente, com café preto sempre por perto. “A garrafinha ficava do meu lado. Café preto direto”, disse.
Com o tempo, Paulo começou a apresentar problemas de saúde, principalmente no estômago. Após procurar atendimento médico, foi diagnosticado com uma infecção por bactéria (H. pylori) e orientado a evitar o consumo de café preto e refrigerantes. “Eu tive dores no estômago, fiz tratamento e o médico pediu para evitar o café preto. Isso já faz mais de dois anos e, de lá para cá, nunca mais na minha vida café preto”, afirmou.
Apesar de não sentir exatamente falta, ele reconhece que a mudança foi motivada pela preocupação com a saúde. “Eu parei por causa da saúde. Já vi pessoas com problemas graves no estômago e morrer”, disse. Hoje, Paulo evita completamente o café preto, consumindo eventualmente apenas café com leite. “Quando dá vontade, eu penso na saúde e não tomo”, completou. “Às vezes, em casa, não tem leite. Aí não tomo. Tomo no local onde estou trabalhando atualmente, onde tem café com leite”, disse.
Principais orientações:
Consuma com moderação: o café pode trazer benefícios como mais alerta, concentração e melhor desempenho cognitivo.
Aproveite os compostos antioxidantes: a bebida contém polifenóis, que ajudam na prevenção de doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.
Evite o excesso: consumir demais pode causar ansiedade, insônia, taquicardia e desconfortos gastrointestinais.
Atenção a grupos específicos: pessoas com hipertensão não controlada, ansiedade, problemas gástricos, gestantes e sensíveis à cafeína devem ter cautela ou reduzir o consumo.
Respeite os limites diários: até cerca de 400 mg de cafeína por dia para adultos saudáveis; gestantes devem limitar a cerca de 200 mg.
Prefira café sem açúcar: ou com o mínimo possível, para manter os benefícios à saúde.
Evite acompanhamentos ultraprocessados: bebidas muito calóricas, com cremes e açúcar, reduzem os efeitos positivos do café.
Busque orientação individualizada: a quantidade ideal pode variar conforme a saúde e a sensibilidade de cada pessoa.
Fonte: nutricionista Jamile Barros
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