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Dia Mundial do Autismo: demanda por educação especializada para autistas cresce em Belém

Ação alusiva à data chamou atenção para a importância do ensino inclusivo

Camila Guimarães

Neste domingo (3), uma programação alusiva ao Dia Mundial de Conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) reuniu famílias na Praça Milton Trindade, mais conhecida como Praça Horto Municipal, no bairro Batista Campos, em Belém. Segundo a prefeitura, a capital do estado tem 828 alunos autistas matriculados em programa especializado de atendimento e a demanda é crescente.

Tatiana Maia, coordenadora do Centro de Referência em Inclusão Educacional (Crie) Gabriel Lima Mendes, vinculado à Secretaria Municipal de Educação (Semec), conta que o número de crianças autistas que buscam por educação especializada em Belém aumentou nos últimos anos. “Em 2022 temos 828 alunos matriculados, 300 a mais do que em 2020, e, para nós, é um desafio diário, porque a procura pelo atendimento na rede municipal só tem crescido”, explica.

A coordenadora ressalta que ainda é preciso fortalecer não só a rede municipal, mas também a rede privada, em um trabalho conjunto entre município e estado, para conseguir expandir o atendimento: "a rede municipal tem matriculado a maior quantidade de estudantes que pode, mas existe uma grande necessidade de discutir políticas públicas para dar conta da demanda crescente”.

Mãe de autista procurou educação especializada 


Para Andrea Mendes, mãe do Otávio Henrique, de 12 anos, o apoio de um centro especializado foi muito importante para o desenvolvimento do filho. “Quando tivemos o laudo de hiperatividade e autismo o Otávio tinha nove anos e procuramos logo uma escola que desse assistência. Antes disso, nas escolas comuns, eles olhavam diferente, tinha uma discriminação e os professores não tinham o mesmo preparo. Já no Centro, eles dão toda uma assistência e acompanhamento, o Otávio desenvolveu muito mais rápido”, diz.

Para Otávio, que está atualmente no sétimo ano do ensino fundamental, a escola é um lugar onde ele se sente bem. “Lá eu estudo, brinco e aprendo coisas novas”, conta. Empolgado com a programação na praça, ele diz o que preparou para apresentar: “eu vim declamar um poema, O Boto”.

Mitos sobre a educação dos autistas 


A professora de Otávio no Centro de Referência, Elisa Pinheiro, explica que existem grandes mitos em torno da educação do aluno autista. “Um desses mitos é o de que eles não aprendem. Eles aprendem sim. Outro é que ‘um aluno autista não é inteligente’, mas é sim. E muito inteligente! Mas o ensino precisa de muitos recursos pedagógicos, entender o momento do aluno para cada atividade, não obrigar enquanto eles não estiverem prontos, porque eles não vão fazer. É preciso uma capacitação para conquistar o aluno e mostrar que ele é capaz”, informa.

Como diagnosticar se a criança é autista 


Quem faz parte do Centro há menos tempo, mas já nota a diferença de uma educação especializada para o filho é Katiane de Jesus do Lago, mãe do Kauê, de três anos de idade. Ela conta que descobriu a condição do filho depois de considerar a suspeita de outras pessoas: “ele foi fazer uma cirurgia na Santa Casa e lá as enfermeiras perguntavam se ele era autista, por causa do comportamento dele. Eu lia a respeito e, pra mim, ele não se encaixava, porque ele era muito sociável”.

Entretanto, Katiane explicou que preferiu investigar junto a especialistas em vez de permanecer na dúvida, e deixou a orientação para outros pais: “se há uma desconfiança, procure por um diagnóstico o mais rápido possível, para que a criança possa ter um acompanhamento adequado o quanto antes”. Para ela, não foi difícil conseguir uma vaga no Crie, quando abriu o período de matrículas no site da Semec. "Eu fiquei de olho e, quando abriu, eu inscrevi ele", conta.

Saiba como ser atendido pelo Centro de Referência em Inclusão Educacional


O psicólogo Edmilson Lima, do Programa de Atendimento Educacional Especializado aos Transtornos do Espectro do Autista (Proatea), que atua por meio do Crie, explica que, para acessar os serviços oferecidos no programa, é necessário que o aluno esteja matriculado na rede municipal de ensino. “Assim, nós fazemos um atendimento psicoemocional, com estimulação cognitiva, estimulação da linguagem, e acolhimento no contraturno escolar”, explica.

A secretaria do Crie funciona na avenida Gentil Bitencourt, número 696, bairro de Nazaré, em Belém. Os atendimentos funcionam de segunda a sexta-feira, de 8h às 17h e atende no número (91) 3252-0201.

Belém
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