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Ônibus: desrespeito às normas de prevenção é regra nos horários de pico

População que precisa usar transporte público segue submetida ao risco em coletivos lotados da manhã à noite

Byanka Arruda

Com o aumento do número de casos do novo coronavírus registrado nas últimas semanas no Pará, um aspecto voltou a trazer grandes preocupações e indignação na população: a lotação dos ônibus. Em horários de pico, no começo da manhã e final da tarde, ver ônibus abarrotados, com passageiros pendurados e muito próximos uns dos outros é comum. De acordo com o decreto estadual que determina uma série de recomendações baseadas nos órgãos de saúde e dados epidemiológicos, os ônibus deveriam circular com apenas 14 pessoas em pé, para linhas convencionais, e 28 para ônibus do BRT, mas isso não tem ocorrido.

A população reclama que as empresas de ônibus, desde o começo da atual pandemia do novo coronavírus, não respeitaram as recomendações dos órgãos de saúde e nem das autoridades. Conforme os usuários de transporte coletivo, a maioria dos ônibus circula com lotação muito acima da indicada, colocando em risco a saúde dos passageiros e também dos trabalhadores rodoviários. As máscaras ainda são usadas pela maioria das pessoas, mas ver passageiros sem o item de segurança individual que ajuda a evitar o novo coronavírus também não é uma situação incomum dentro dos coletivos. Usuários também se queixam da falta de fiscalização dos órgãos de trânsito para que sejam cumpridas as medidas sanitárias mínimas nos transportes públicos.

Nos horários de maior circulação, as lotações em paradas já dá uma amostra do que é precisar dos coletivos na cidade (Thiago Gomes/O Liberal)

"Os ônibus vêm sempre cheio. Não colocaram mais ônibus à disposição da população e a gente precisa, principalmente agora que o vírus voltou a aumentar. É uma calamidade. Desde que começou a pandemia nunca houve aumento da frota para reduzir o risco para a população, sempre foi cheio o ônibus. O povo precisa sair para trabalhar e voltar, mas não houve nenhum tipo de condição para garantir a saúde da população. Faltou mais fiscalização também", queixou-se o vendedor Jorge Anderson Galeno, de 50 anos, morador do bairro do Júlio Seffer, em Ananindeua, região metropolitana de Belém, que todos os dias se desloca de ônibus para a capital para trabalhar.

Moradora da ilha de Outeiro, distrito de Belém, a babá Jéssica Barbosa, de 30 anos, disse que não viu nenhum tipo de fiscalização para proibir a circulação de ônibus com lotação excedente. "As pessoas vêm penduradas. Todo dia é a mesma coisa. Não senti nenhuma mudança, nem no começo da pandemia nem agora. Eu nunca vi nenhum tipo de fiscalização para as empresas de Outeiro se adequarem. Os ônibus estão sempre lotados e tem gente que fica sem máscara. Um dia desses eu vi um cobrador sem máscara dando mau exemplo. No começo falaram que os ônibus só saíram

 Em nota, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Sembo) informou que deslocou cerca de 30 agentes de trânsito e agentes de transporte para a ação de cumprimento ao novo decreto que proíbe aglomerações. Os agentes, segundo a Semob, estão atuando diariamente em fiscalizações no horário de 7h às 10h, para orientar a população sobre o uso de máscaras e a importância de não haver aglomeração dentro dos coletivos. Ainda conforme o órgão, uma média de 45 a 70 veículos estão sendo fiscalizados ao dia, desde o início da operação. Em relação aos usuários que se recusam a utilizar máscara, não há punição por parte da Semob, apenas orientação e a retenção do veículo até que o usuário coloque o item obrigatório. Já as empresas recebem autuação administrativa caso estejam com a lotação acima da capacidade ou com atraso nas saídas dos veículos, por gerar acúmulo de passageiros nas paradas e, consequentemente, superlotação. O saldo de autuações administrativas emitidas será gerado ao final do período de fiscalização.

O uso de máscaras é pouco para evitar o contágio diante das aglomerações cotidianas (Thiago Gomes/O Liberal)

O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel), em nota, diz que "desde o início da pandemia, em março de 2020, diversas medidas para reduzir o risco de contaminação no transporte público foram adotadas, entre elas campanhas educativas que pedem que os usuários sigam as diretrizes do Poder Público, o uso obrigatório de máscara para motoristas, cobradores e passageiros, além de higienização dos ônibus nos finais de linha com solução de hipoclorito".

Segundo o sindicato, desde o início da pandemia, as empresas deixaram de transportar "mais de 62 milhões de passageiros". "Na última aferição, foi constatado número inferior a 67% do quantitativo geral de passageiros", diz a nota, acrescentando a proporcionalidade da frota foi mantida, com cerca de dois mil ônibus em Belém e Região Metropolitana.

 

Belém
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