Depressão e ansiedade são doenças que podem levar ao suicídio. E não têm nada a ver com fraqueza.

Atualmente, jovens são os mais vulneráveis, devido à superexposição na internet e redes sociais digitais

O Janeiro Branco é uma campanha iniciada em 2014, com o objetivo de sensibilizar a sociedade a respeito da saúde mental. O tema ainda é cercado de tabus, desinformação e preconceito. Contudo, se tornou uma evidência nos últimos anos, devido ao aumento do número de casos de depressão, transtorno de ansiedade e até suicídios. As percepções começaram a mudar, mas muitos janeiros brancos e setembros amarelos — campanha de prevenção ao suicídio — ainda serão necessários até que o tema alcance a importância necessária.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito a quem está sofrendo com pensamentos suicidas ou doenças psicológicas. É possível conversar de forma sigilosa pelo telefone 141, pelo Skype, pelo chat do site, por e-mail... a pessoa que estiver precisando escolhe o meio que achar mais conveniente. O CVV tem atendimento 24 horas por dia. Pensamentos suicidas e sentimentos de tristeza prolongada não são fraqueza, covardia ou problema religioso. São sintomas de doenças que podem ser tratadas. 

Socialmente, há uma repulsa ou desprezo por pessoas com depressão, transtorno de ansiedade, fobias sociais e pensamentos suicidas. Tudo por desconhecimento e desinformação. Pessoas com problemas na saúde mental são vistas como "fracas", "covardes", "sem Deus no coração" ou simplesmente como "doidas". Não é nada disso.

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A psicóloga Larisse Souza explica que ainda há muitos mitos quanto à saúde mental e tratamento de doenças emocionais. Por conta de tanto preconceito e desinformação, os pacientes muitas vezes nem procuram ajuda. Quando procuram, em algumas situações, esbarram na desinformação alheia. Sem tratamento adequado, os pacientes acumulam sintomas e podem chegar a estágios mais graves. O pensamento suicida é um dos estágios mais extremos.

Na avaliação de Larisse, os jovens são os mais vulneráveis, atualmente. Têm cada vez menos controle e presença da família. Em contrapartida, cada vez mais acesso à internet. A adolescência é uma fase de transição, descobertas e formação de identidade. Os hormônios estão fazendo uma revolução no organismo. É uma fase difícil, emocionalmente. Mas muitas pessoas acham que tudo não passa de drama, frescura ou tentativa de chamar atenção. Não é tão simples assim. Essa fase pode ser dura e até traumática para algumas pessoas. Requer acompanhamento.

Larisse ressalta que o Brasil — de certo modo, o mundo todo — vive num momento de polarização e de muita agressividade. E justamente nas redes sociais digitais é que muito ódio tem vindo à tona sem restrições: intolerância religiosa, racismo, disputa político-ideológica, LGBTfobia, bullying, pornografia de vingança, machismo, misoginia... tudo isso contribui para uma geração tão exposta na internet ser bombardeada com coisas que podem levar a um adoecimento. Depressão e ansiedade são doença cada vez mais diagnosticada.

"A saúde mental é tratada com preconceito. Se introjetou na sociedade que buscar ajuda psicológica é como se já fosse louco, covarde, fraco ou perdido. É senso comum. Eu escuto que cuido de doidos. Mas eu cuido de pessoas com problemas emocionais. Não se vê a diferença entre psicologia e psiquiatria", destaca a psicóloga, dizendo que não é vergonha procurar ajuda.

 

O TABU ULTRAPASSADO DO SUICÍDIO

 

"Suicídio, querendo ou não, é um tabu. E o índice de suicídios tem aumentado. Isso é alarmante para psicólogos, pais e responsáveis. Hoje, de 30 pessoas que tentam suicídio, cinco conseguem. O número de ligações recebidas pela CVV aumentou e muitos são jovens e adolescentes. Um suicídio ou tentativa de suicídio é um pedido de socorro", aponta Larisse. Pessoas com esse problema precisam de acolhimento, compreensão e ajuda. Não julgamentos e orientações de senso comum.

O suicídio vem deixando de ser tabu na própria imprensa. Por muitos anos, jornalistas evitam publicar assuntos com o tema para evitar efeitos multiplicadores. Contudo, a necessidade de informação levou a se falar mais sobre o assunto, buscando outras abordagens mais propositivas, informativas e acolhedoras. De conteúdo ruim e sensacionalista, já há o bastante e de forma irresponsável nas redes sociais digitais. Repassar fotos de casos de suicídio é um enorme desserviço. Um risco a pessoas que já estão adoecidas.

 

 

"Qualquer pessoa com algum trauma ou que esteja vivendo uma situação difícil pode ter um pensamento suicida. É uma forma de escapismo ou tentativa de resolver o problema mais facilmente. Essa fragilidade pode levar pessoas a fazer até mesmo o que não querem de verdade", conclui Larisse.

Belém
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