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Data homenageia e reconhece a importância dos profissionais da educação

Ronaldo Araujo, professor do Núcleo de Educação Básica da UFPA, fala sobre a luta pela valorização, os avanços e desafios enfrentados pela categoria nos últimos anos

Laís Santana

Nesta sábado (6) é celebrado o Dia Nacional dos Profissionais da Educação, data instituída em 2014, através da Lei 13.054/14, com objetivo de homenagear e valorizar todos os profissionais que atuam no âmbito escolar na formação de crianças e adultos. O professor Ronaldo Araujo, do Núcleo de Educação Básica, da Universidade Federal do Pará (NEB/UFPA), comenta a função da data, os desafios enfrentados pela categoria e os impactos da pandemia de covid-19 no trabalho dos profissionais da educação em uma entrevista exclusiva a redação integrada de O Liberal. 

No Dia Nacional dos Profissionais da Educação, quais devem ser as reflexões a estes trabalhadores?

"Nesse dia a gente tem que chamar atenção para importância desses profissionais que tem a decisiva tarefa de organizar e ofertar a educação escolar do país. Os profissionais da educação não são tios que ajudam no cuidado das crianças e jovens, são pessoas formadas para agir de forma planejada e conforme o conjunto de orientações didáticos pedagógicas e que por tudo isso deve ter o devido reconhecimento social, estatal, governamental." 

Quais os grandes avanços históricos desses profissionais?

"A partir do processo de redemocratização do país, a gente pode apontar a própria LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) com uma grande conquista, onde se assegura um conjunto de direitos dos estudantes e dos profissionais da educação, mas eu diria que o grande avanço mesmo é o reconhecimento da sociedade pela sua importância. Ultimamente a gente tem visto a cada vez que os profissionais da educação são de alguma forma ameaçados em seus direitos quem mais defende esses profissionais é a sociedade."

O que tem sido mais desafiador para quem trabalha nas salas de aula formando cidadãos e outros profissionais?

"A precariedade das condições de trabalho em alguns estados como na região Norte, como o nosso estado, em que os profissionais ainda se deparam com escolas sem água, em energia, sem saneamento básico, às vezes escola sem quadro, sem carteira, a gente ainda convive como a precária nas condições de oferta da educação escolar. Outro desafio é a própria desvalorização do professor e eu diria que, nos últimos anos, tem sido desafiador lidar com o governo central que tem a educação aparentemente como entrave social, um governo que não investe em educação, que não valoriza a educação e que não valoriza os profissionais da educação."

Os profissionais da educação têm se sentido perseguidos, atacados ou censurados?

Absolutamente, principalmente pelas políticas da atual governo central que trata os profissionais da educação como inimigos. E deve-se reconhecer, de uma vez por todas, que qualquer chance de melhoria na qualidade da educação, principalmente da educação pública, passa pelo envolvimento do convencimento da comunidade educacional. 

As constantes mudanças, como a BNCC e o Novo Ensino Médio têm demandado mais atualização de professores?

"Nos últimos vinte anos pelo menos quatro grandes movimentos de reforma no ensino médio ocorreram no Brasil, essas reformas tem ultimamente exigido do professor não apenas atualização, mas também uma certa vigilância. Eu chamo muita atenção para o papel que tem os pais de alunos. É fundamental que a gente envolva os profissionais da educação e os pais de alunos na construção de qualquer projeto educacional que se tenha pretensão de repercutir positivamente na formação dos nossos jovens."

A covid-19 afetou gravemente o trabalho de todos os profissionais da educação. Como tem sido essa retomada? Os desafios expostos conseguiram ser superados?

"Superados não, porque, na verdade, o que a pandemia revelou de uma forma grave foram as desigualdades sociais brasileiras que estão que se reproduzem nas escolas. Para os profissionais da educação foi um grande desafio, primeiro, encarar a formação escolar durante a pandemia com estratégias de ensino híbridas ou mesmo absolutamente remota. Os professores e os demais profissionais da educação tiveram que reaprender a dar aula. Eu acho que nos cabe nesse momento, inclusive, fazer uma homenagem aos milhares de profissionais da educação que adoeceram e a outros que morreram em função da covid-19. Quanto a retomada, uma coisa é comum: antes da pandemia, durante a pandemia e após a pandemia o professor vai continuar lutando para ter o seu reconhecimento. Lutar faz parte da prática dos docentes brasileiros."

Belém
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