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Cultura sul-coreana cresce em Belém, muda estilo de vida e incentiva pesquisas

A afinidade com a cultura, bens, serviços e culinária sul-coreana não só tem mudado o estilo de vida de algumas pessoas, como despertado o interesse acadêmico de pesquisas

Emanuele Corrêa

Os sucessos da série Round 6 (Squid Game), lançada pela Netflix, e do filme Parasita, que ganhou o Oscar de melhor filme em 2020, demonstram que o movimento de interesse pela cultura sul-coreana cresce no mundo. Esse movimento está se fortalecendo também em Belém, que está aderindo à "Hallyu" ou Onda Coreana. A afinidade com a cultura, bens, serviços e culinária sul-coreana não só tem mudado o estilo de vida de algumas pessoas, como despertado o interesse acadêmico de pesquisas.

Estima-se que 50 mil coreanos residam no Brasil e, segundo o Duolingo, o coreano é a segunda língua que mais cresce no país. No Pará, muitos fãs de k-pop (música pop da Coreia do Sul), de Dramas ou K-dramas (novelas, séries e filmes sul-coreanos) ou consumidores das comidas, produtos de beleza, itens colecionáveis, etc. introduziram as práticas no cotidiano belenense.

A atriz, turismóloga e criadora de conteúdo digital Fabíola Martins conheceu este universo em 2013, assistindo ao K-drama "Playful kiss", e em 2017 se apaixonou pelo K-pop. No cotidiano, veste, come e consome conteúdos da Coreia. Inspirada na cultura, sentiu a necessidade de expressar a afeição pela Hallyu por meio das redes sociais na pandemia e até participou do projeto Amigos da Embaixada da Coreia no Brasil. "A Hallyu chegou diretamente nos corações paraenses por meio da arte, culinária e muito mais. Esse aumento deve-se ao investimento do governo sul-coreano na arte e educação, além da dedicação dos artistas em proporcionar a melhor experiência para o expectador, através do seu trabalho", explicou.

Fabíola começou a estudar o idioma coreano - Hangul corresponde ao alfabeto - para assistir às séries e entender as letras de música e, também, porque em julho irá conhecer a Coreia do Sul. Ela conta que o fato de os dramas sem produções dubladas ou legendadas para o português, fez aumentar a demanda pelo ensino do idioma no Brasil.

Junto com duas amigas a turismóloga resolveu abrir uma empresa de turismo especializada em levar brasileiros à Coreia do Sul, com foco no turismo da Hallyu. Ela conta que realizará uma vontade pessoal e ajudará outras pessoas a viverem a experiência. "Serão 14 pessoas. A viagem está sendo organizada desde Outubro de 2021. Decidimos levar essa oportunidade para os nossos seguidores que sonham em conhecer a Coreia tanto quando a gente. Unimos nossas expertises e montamos a 'MinÁsia', que é uma empresa de turismo com foco na Ásia, será inaugurada agora em Maio de 2022 com o objetivo de levar brasileiros com pacotes exclusivos e personalizados com foco em K-pop, K-dramas e muitos mais da Coreia do Sul", celebrou.

"Iremos dia 18 de julho e ficamos 15 dias. Queremos proporcionar uma experiência confortável e segura ao ir para Coreia, já que em grupo é melhor. Visto que são tradições muito diferentes das nossas. Eu estou representando o Pará nesta viagem. Teremos tradutores brasileiros e coreanos lá", finalizou.

Mudança na rotina

 

Márcia Bouga, criadora de conteúdo digital, há 5 anos mudou os seus hábitos de vida, alimentares e conta que em casa e no ambiente de trabalho tem sempre alguma referência a cultura sul-coreana. Em 2017 conheceu os K-dramas e virou administradora de uma comunidade de fãs - para assistir e comentar junto os episódios -, que começou com 4 mil seguidores e hoje conta com mais de 72K de seguidores. "Eu entrei na página em 2019, e o maior motivo foi a busca por mais pessoas que quisessem falar de dramas com a empolgação e amor que eu queria falar. Os k-dramas hoje estão em alta, e muita gente se interessa e quer saber mais sobre, principalmente após o sucesso mundial de ‘Round 6’ ou ‘Squid Game’, atualmente os dramas lançam em um dia e no outro estão no Top 10 das plataformas de streaming", afirmou.

Márcia Bouga adotou a cultura sul-coreana há 5 anos (Foto: Filipe Bispo / O Liberal)

"Lá atrás, quando eu entrei para a página, tinha uns 3 ou 4 mil seguidores. Ninguém perto sabia o que era K-drama. Hoje assisto com alguns milhares de seguidores. A gente se diverte muito, conversa, surta, cria teorias. Quando lança o episódio, eu faço o react e a DM fica lotada, é engraçado ver o quão somos parecidos, é realmente interessante a identificação que temos com nossos seguidores", contou.

Questionada como ela percebeu que a cultura da sul-coreana começou a fazer parte da rotina, ela diz que ao longo do tempo, naturalmente, foi inserindo elementos no dia-a-dia. "A língua, a moda, alguns costumes, detalhes aqui e ali agora, olhando ao redor, eu vejo que estão presentes em cada canto da minha casa. A decoração de casa em si, cheia de plantas e espaços amplos, foi inspirada nas casas que eu vejo nos dramas. Por causa da página eu acabei melhorando meu inglês, aprendi me virar em coreano - pra assistir os dramas, que nem sempre estão traduzidos -, sei alguma coisa de mandarim e em minhas viagens eu naturalmente priorizo as atividades culturais ligadas a Ásia", disse.

"Meu círculo de amizades é com outras dorameiras. Eu sempre fui muito caseira, detesto sair de casa, mas hoje em dia em me vejo indo a eventos ou restaurantes ligados a cultura ou a comida coreana. Pensando bem, muito da cultura e do entretenimento coreano, fazem parte da minha vida agora", refletiu.

Bouga, como ficou conhecida na internet, preparou uma receita de "Bibimbap" especial para O Liberal e apresentou a sua casa. Na sala ela mostrou os quadros com pôsteres de dramas. Na cozinha, as canecas do café fazem referência aos dramas ou artistas de K-pop. Conta que sempre inventa novas receitas, inspiradas na "Hansik", a gastronomia Coreana. "O chaveiro de casa é referência a outro grupo de -pop, o mouse pad no meu trabalho é de uma artista aqui de Belém que faz fanart de K-pop. Habitualmente ouço balada, um ritmo coreano que é a 'sofrência' de lá. Aos domingos eu gosto de shows de variedades, ouço arirang (música tradicional), bebo Soju, amo lámen. Não comia porco, hoje é minha carne preferida. Tenho sempre pasta de pimenta em casa. Os temperos, os utensílios, as coisas da minha casa, elas têm sempre um pezinho na Coreia", finalizou.

Hallyu inspira pesquisas em Belém

 

Manuela do Corral Vieira, é professora Drª da Universidade Federal do Pará (UFPA). Coordena o grupo de pesquisa Comunicação, Consumo e Identidade (Consia) e orientou a dissertação de mestrado da pesquisadora Raíssa Abraçado que, a partir do seu interesse pela cultura sul-coreana, transformou em objeto de estudo o fandom do BTS - uma das maiores comunidades de fãs da "boy band", no contexto da Onda Coreana. "A hallyu integra uma diversidade de produtos, serviços e ideias, sejam no formato de produções para canais de streaming, grupos musicais, produtos licenciados. Essas mercadorias fazem parte de um sistema que movimenta cifras crescentes. Além disso, os fãs que fazem parte da onda sul-coreana possuem uma capacidade de mobilização destacada que vai desde o alavancar de músicas em rádios e a própria lista da Billboard, quanto mobilizar ações relacionadas ao campo político e ambiental, como nos casos percebidos para o Brasil e Amazônia", destacou.

A mestre em comunicação, Raíssa Abraçado, revela-se fã da cultura sul-coreana desde 2017. Ainda na graduação o TCC foi baseado na Hallyu, pois percebeu que estava envolvida com esses conteúdos, ao assistir aos K-dramas e ouvir K-pop. "Conheci um plano governamental de expandir e ganhar visibilidade política, cultural e econômica por meio de produtos culturais. Me questionei como era o consumo desses produtos aqui em Belém, se existia pessoas que assim como eu gostavam desses produtos, e nesse impulso busquei estudar o fandom Army, que é o qual faço parte", disse relembrando como escolheu o objeto de pesquisa do mestrado.

Apesar da abertura, Raíssa acredita que há muito a se expandir no consumo da cultura sul-coreana em Belém e no Pará. Acredita que até a próxima década a tendência seja de fortalecimento. "Pra não dizer que nunca aconteceu em Belém, pude presenciar uma palestra do curso de relações internacionais da UFPA com a embaixada sul-coreana do Brasil, falando sobre os programas de bolsas para estudar na Coreia do Sul. Podemos ouvir K-pop nas rádios locais, nos shoppings e supermercados, é possível ouvir tocando BTS. Os fãs são o grande fator para a entrada desses produtos em Belém. A maioria dos eventos é produzido e promovido por fãs", observou.

"Conheci uma competição de grupos covers de K-pop; tenho acompanhando a movimentação de encontros de fãs de K-pop em praça pública; movimento político. Recentemente uma fanbase brasileira fez projeções em prédios das capitais do Brasil incentivando jovens a tirar o título de eleitor. Belém estava entre as capitais. A movimentação e o consumo dos fãs é o que possibilita e promove a 'dominação' [com o auxílio da internet] e faz com que Belém também seja foco para acontecer shows de K-pop. Dia 21 de maio terá um show de um idol coreano, o Spax", finalizou.

Contexto histórico

 

A imigração Coreana no Brasil iniciou na década de 60, por volta de 1963, onde se estabeleceu, principalmente, em São Paulo. O grande fluxo migratório teria acontecido por volta de 1963 a 1974. Em 2023 completará 60 anos da imigração Coreana no Brasil.

Em Belém, o consumo da cultura sul-coreana de acordo com estudos publicados, teria iniciado nos anos 2000, com o recebimento do K-pop, principalmente, por meio das máquinas de dança mecânicas "Pump It Up" que simulavam as coreografias. Mas, de fato, esse movimento cresceu a partir da explosão de grupos covers em Belém entre 2013 e 2015 e também com eventos, tais como, Animazon no Taikai, entre outros.

De 2014 até 2022 o ritmo de crescimento aumentou e o auxílio da internet nos últimos anos, aumentou a presença no cotidiano da população paraense que pauta as suas atividades nesta cultura.

Idioma coreano

 

Na Coreia se fala o Coreano e o "Hangul" é correspondente ao alfabeto da língua. Conhecça as curiosidades:

- Foi criado em 1443 pelo Rei Sejong (o Grande) e seus eruditos. Antes da criação do Hangul, o coreano falado era transcrito usando letras chinesas.

- É composto de 24 letras, é possível escrever quase todos os sons humanos

- É formado por 10 vogais (모음 MOÛM ) e 14 consoantes (자음 JAÛM)

- A letra coreana Hangul se escreve de cima para baixo, da esquerda para direita e o círculo “i-ûng” escreve no sentido anti-horário.

Saiba como fazer a receita de Bibimpab

 

Definição - Bibim: misturar / Pab: arroz

É tradicional na "Hansik" ou Gastronomia Coreana. É um prato que mistura salada, arroz, carne e ovo.

Receita por Márcia Bouga, do "@Dramolandia" no Instagram

 

Ingredientes:

1 xicara de arroz japonês cozido sem sal

1  xicara de carne cortada bem fina (pode trocar por soja para a versão vegetariana)
2 ovos
½ xicara Cenoura fatiada bem fina

½ xicara de Abobrinha fatiada bem fina

½ xicara de broto de feijão

½ xicara de espinafre ou rúcula ou espinafre

½ xicara cebola

1 colher sopa de óleo de gergelim
1 colher de shoyu (molho de soja)
1 colher de pasta de pimenta
1 colher sopa de açúcar
Alho a gosto
Sal a gosto
Gergelim a gosto

Obs: Pode acrescentar shitake ou pimentão.

Modo de preparo:

Corta a carne em pequenas fatias, temperar com alho, óleo de gergelim e shoyu e
deixa descansar. Neste momento colocar só o açúcar.
Em seguida, lavar bem o arroz até sair uma água clara. Cozinhar o arroz sem sal. A medica é uma porção - no medidor que tiver - de arroz para duas porções de água. Cozinha com a tampa entreaberta.

Fatiar bem fino a cenoura, a abobrinha e a cebola, depois refogar um por um, salpicando o sal, da mesma forma com o broto de feijão e a rúcula.

A rúcula é ideal que seja refogada no óleo de gergelim. Após refogada, cortar em
tirinhas misturar com shoyu e gergelim. Após tudo refogado, é hora de montar o prato.

Conheça os principais grupos de K-pop:

 

BTS

Stray Kids
Blackpink
TXT
ITZy
Aespa
Seveteen

Saiba como diferenciar os conteúdos

 

As produções audiovisuais da Ásia, dependendo do país, tem uma categoria, saiba quais:

- K-dramas / Dramas: novelas ou séries sul-coreanas. Podem ter até 25 episódios, mas os formatos mais comuns são 16 episódios. Há uma tendência das produções no formato de 12 episódios.

- Também são chamadas popularmente de "Doramas", no entanto, este termo veio do Japão - para denominar séries japonesas/asiáticas no geral -, pelo contexto das guerras. Apesar de muitas pessoas utilizarem o termo, é mais interessante e respeitoso falar k-drama ou drama, define Fabíola Martins.

- Nesta lógica, "J-drama" são séries do Japão; "C-dramas", séries da China; "K-dramas, séries da Coreia do Sul" e "TW-drama", séries de Taiwan.

- BL: Ou "Boys Love" são séries, que os protagonistas são dois rapazes, focada no romance homoafetivo.

Confira: 15 Séries K-dramas para maratonar

 

Pousando no Amor (Netflix)

Vinte e Cinco Vinte e Um (Netflix)

Trinta e Nove (Netflix)

Itaewon Class  (Netflix)Round Six  (Netflix)

O Rei de Porcelana (Netflix)

Romance is the bonus book (Netflix)

O Rei Eterno (Viki e sites de fãs)

Goblin (Viki e sites de fãs)

A Historiadora (Netflix)

O que houve com a secretária Kim (Viki e sites de fãs)

Pretendente Surpresa (Netflix)

No Clima do Amor (Netflix)

Na Direção do Amor (Netflix)

Toque Seu Coração (Netflix)

Saudações - Escrita em Coreano / Romanização

 

안녕하세요 / annyeonghaseyo - Olá! Ao chegar ou atender o telefone.

안녕히 계세요 - annyeonghi gyeseyo - Usado ao se despedir / sair de um local

감사합니다 kamsahamnida - Muito obrigado

Gírias ou termos presentes nos k-dramas

 

Aigoo: "Égua" ou "Putz"

Saranghae: Te amo

Fighting: incentivo, encorajamento.

Aqui você pode ouvir outras pronúncias.

Apelidos ou termos em coreano para se reportar às pessoas

 

Oppa: mulheres chamam de Oppa os homens mais velhos. Podem ser chamados assim irmãos, namorados, amigos, o que diferencia é a relação que se tem.
Unnie: mulheres chamam de Unnie outras mulheres mais velhas. Tratam-se assim, irmãs, amigas, etc.
Hyung: homens chamam Hyung para homens mais velhos. São chamados assim, irmãos, amigos, etc.
Noona: Homens chamam as mulheres mais velhas de Noona. São chamadas assim: amiga, irmã, etc.
Chingu: referindo-se aos amigos da mesma idade.
Ajusshi: qualquer pessoa se referindo a um homem bem mais velho
Ajumma: qualquer pessoa se referindo a uma mulher bem mais velha

Palavras-chave

Belém
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