Crianças não têm usado máscara para brincar em locais públicos em Belém

Especialistas alertam para o risco que tal comportamento representa

Tainá Cavalcante

Basta uma volta em praças e parques da capital paraense para encontrar dezenas de crianças brincando em áreas infantis. Com a flexibilização das medidas de prevenção na cidade, os locais destinados ao público infantil têm voltado a estar ocupados. Um comportamento recorrente, entretanto, preocupa os especialistas: as crianças, em sua maioria, não têm usado máscara e não estão mantendo o distanciamento no momento das brincadeiras.

De acordo com a médica infectologista Andréa Beltrão, por conta dessa falta de cuidado, a criança acaba sendo exposta ao vírus de duas formas: inalatória e por contato. "Se ela não estiver de máscara, ela pode adquirir o vírus de forma inalatória, principalmente se estiver em locais fechados, aglomerados, ou em locais em que ela não esteja mantendo o distanciamento, mesmo que seja aberto. Além disso, ela também pode se contaminar ao colocar a mão suja, por exemplo, na boca", explica a especialista.

A médica também ressalta que, pelas razões já citadas, não adianta que apenas os pais façam o uso de máscara em tais ambientes. "A criança vai estar em contato com as outras, ela está sendo exposta diretamente", afirma, ao reforçar que além de correr o risco de se contaminar, ela também passa a ser um potencial vetor do vírus.

"Entendo que é difícil as crianças pequenas consigam ficar com máscara, mas então é preciso ter noção de que é arriscado sair com elas para passear, para brincar nos brinquedos", explica, lembrando ainda que os brinquedos de espaços públicos "não são constantemente limpos, então corre o risco de o vírus estar na superfície, já que demora a ser eliminado".

Para ela, a melhor atitude, nesses casos, é a criança levar seu próprio brinquedo e não ficar em um espaço com outras crianças, já que ela não estará usando a proteção.

CASOS EM CRIANÇAS

"Não existe indício de aumento do número de casos em crianças. O que está acontecendo é que agora as crianças estão sendo mais expostas ao vírus, porque estão voltando a passear, ir para a escola. Como estão mais expostas, pode ter um aumento do número de casos em crianças por isso, mas elas não são mais afetadas que os adultos", afirma a médica, ao ressaltar que um dado importante, entretanto, é que "o risco de as crianças se contaminarem por contato, como passando a mão na boca, é maior do que em adultos".

A infectologista também reforça que, independente de qualquer dado, o uso de máscaras precisa ser mantido ao máximo, visto que "todos os dias descobrimos algo diferente sobre esse vírus". "Atualmente foi mostrada a reinfecção, ou seja, mesmo quem já teve a doença pode não só se reinfectar, como também ser veículo para infectar outras pessoas que possuem fator de risco para ter uma doença mais grave, então é muito importante ainda manter a máscara, mesmo que se tenha uma redução da taxa de transmissão do vírus", orienta.

Avós de Alana e Ana Luiza, de seis e 11 anos respectivamente, Maria Emérita (69) e João Lima (65) levaram as netas para passear no feriado de 07 de setembro. Em casa desde o início da pandemia, eles contam que têm sido difícil manter as meninas por mais tempo sem saídas e, por isso, resolveram dar uma volta na praça. "Mas a gente não deixa de jeito nenhum que elas fiquem sem máscara", afirma Maria Emérita, ao justificar a decisão do casal. "Essa pandemia ainda está muito forte. Não está liberado andar assim sem máscara. Não deixo minhas netas ficarem sem, não. Elas se mantém com a proteção em qualquer lugar", diz. Marido de dona Maria, o cortador industrial João lembra que as meninas só se mantém de máscara "porque são orientadas em casa sobre a importância do uso". "Elas sabem. Elas entendem que é necessário e aí é mais fácil de convencê-las a usar", afirma.

Família Lima não dispensa o uso da máscara (Akira Onuma)

Para as irmãs Alana e Ana Luiza, apesar do desconforto em usar a máscara, os riscos de não usá-la são bem maiores. "É diferente ficar brincando com ela, mas é mais seguro", diz Alana, sendo complementada pela irmã. "Difícil é, porque a gente quer correr, vai suar e a máscara atrapalha, mas a gente sabe que é necessário, porque com a pandemia as crianças podem ser muito prejudicadas".

Belém
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