Crianças e adolecentes criam soluções tecnológicas em empreendedorismo

Eles foram premiados por inovação tecnológica e confirmam talento paraense

Laís Santana e Eduardo Rocha

Não existe idade para se ter ideias e aprender sobre como usar a tecnologia a fim de empreender, ou seja, superar obstáculos, desafios, para criar ambientes focados no bem-estar das pessoas e do meio ambiente, como demonstram crianças e adolescentes em Belém. Com a disposição latente de seus verdes anos, eles participaram recentemente de uma maratona de desenvolvimento tecnológico (Hackathon), promovida pela Escola de Tecnologia e Inovação Happy Code, em parceria com o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil(Sicoob Coimppa). Como resultado foram apresentadas propostas na área estrutural da sustentabilidade, como a de um game educacional incentivador do consumo consciente de papel e um projeto de robótica para controle do nível de água em uma empresa.

Dez finalistas das categorias Kids (05 a 10 anos) e Teens (11 a 15 anos) tiveram a oportunidade de apresentar ideias desenvolvidas por suas Startups junto aos seus sócios. A maratona teve como objetivo resolver problemas reais voltados para sustentabilidade. Três alunos de cada categorias foram premiados com um vale poupança, nos valores de R$ 1.000,00 para o primeiro colocado, R$ 500,00 para o segundo e R$ 300,00 para o terceiro. O evento foi realizado no auditório da Associação do Ministério Público do Estado do Pará (AMPEP), em Belém.

A Happy Code fez uma parceria com o Sicoob para que os alunos resolvessem problema real de dificuldade dentro da agência. Nesse Hackathon, as crianças lançam a ideia, a qual não chega a ser finalizada com uma programação em tecnologia, "mas o diferencial é que elas faziam uma composição societária com os seus pais; então, a família envolvida no processo, e a família tinha que apresentar a solução junto", como ressalta Sílvia Nascimento, gestora pedagógica da Happy.

Waldirene e Enzo: foco no empreendedorismo e tecnologia (Foto: Filipe Bispo / O Liberal)

Jeito de pensar

Esta foi a primeira vez que a escola de tecnologia se associou a uma empresa para resolver um problema real dessa organização e também com o envolvimento direto da família, nesse formato, para a construção de conhecimento. "As crianças costumam ser imediatistas, e por meio do ensino de tecnologia a gente faz com que as elas tenham foco na resolução de problemas. Então, eu deixo o foco de desistir rapidamente das coisas, as crianças tendem a desistir, desistem de brinquedos, de uma atividade quando ela se torna difícil; quando a gente traz a criança para o universo do letramento digital, com a programação, a criança dá a sua devida importância, porque ela começa a enxergar a programação e sua linguagem como um facilitador da sua vida, muda o jeito de pensar", enfatiza Sílvia.

Sílvia Nascimento: jeito de pensar da criança muda ao lidar com recursos tecnológicos para solucionar desafios (Foto: Filipe Bispo / O Liberal)

No Hackathon, as problemáticas apresentadas para as crianças resolverem foram baseadas no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU de nº 12 - relativo a consumo consciente. E o Sicoob trouxe duas problemáticas possíveis de serem solucionadas pelos alunos: o uso excessivo de papel nos processos da cooperativa e a dificuldade com fornecimento de água. E os alunos e família fizeram um pitch apresentando as soluções diante de uma banca julgadora.

Criatividade

Arthur Santos, de 7 anos de idade e filho da corretora de seguros Márcia Santos, 39 anos, foi o primeiro lugar na categoria Kids. Márcia conta que eles partiram para criar um projeto que acreditam ser viável diante da problemática apresentada, a de combate ao consumo excessivo de papel. "A gente pensou em um projeto que fosse aplicado, ou seja, a criação de um aplicativo em que à medida que o funcionário fosse realizando cursos de conscientização de uso do papel, fosse imprimindo frente e verso, fosse digitalizando, ele ia ganhar moedas em uma pontuação, a gente chamou Moeda Sicoob, e que ao final ele poderia, inclusive, trocar por milhas, por brindes", declara Márcia.

Para ela, a iniciativa, com a participação da família, é um grande incentivo ao aprendizado ao uso da tecnologia, como parte das ações da Happy que focam no uso da tecnologia para o lado positivo, com programação, por meio de plataforma com a qual a criança se identifica e um todo um trabalho de conscientização dos alunos.

Aos 7 anos, Arthur utiliza tecnologia para buscar soluções a problemas reais (Foto: Filipe Bispo / O Liberal)

Já Arthur gostou muito de ter participado do Hackaton. "Eu fiquei muito feliz, ainda mais por ter participado com a minha família", destaca. Ele deu sugestões para o aplicativo, como se usar o som de moedas caindo. O menino gosta de estudar tecnologia, para construir jogos, por exemplo, e do professores, como diz. Arthur vai usar uma parte da poupança para comprar brinquedos.

Nativos digitais

Enzo Tuma, 12 anos, primeiro colocado na categoria Teens, apresentou a proposta de um sistema de um sensor de nível de água, para identificar a falta desse produto na empresa - um projeto com arduíno em robótica. A criatividade do aluno se traduz em uma engrenagem que visa contribuir com o bem-estar das pessoas e da própria natureza, de vez que a água é um dos elementos fundamentais para a vida no planeta. Nesse processo, Enzo utiliza o arduino, que facilita o aprendizado de programação - projetos de robótica e eletrônica e criação em geral de jogos e meios para solução de problemas. "O meu sentimento com o primeiro lugar é de gratidão", externa o adolescente criativo.

A mãe de Enzo, é Waldirene Andrade, 48 anos, professora de Educação Física. Ela conta que foi gratificante, porque ela sempre incentiva o estudo do filho, e quando veio a ideia de os pais estarem colocando a mão na massa, ela propôs: "Enzo, bora fazer uma maquete, porque é muito mais fácil de as pessoas compreenderem, vendo o projeto, e aí nós fomos comprar o material juntos, eu aprendendo, porque eles (os jovens) já são nativos digitais, e ele me explicando, por exemplo, que esse fiozinho aqui é o arduíno, e nós montamos a maquete, foi muito gratificante".

Para Waldirene, qualquer que seja a profissão que Enzo escolher "com certeza, ele vai ser bem-sucedido, porque hoje em dia é a tecnologia mesmo, daqui pra frente tudo é a tecnologia, e ele está tendo já essa graduação desde cedo, digamos assim", afirma a mãe, referindo-se à escola de tecnologia. "Ele já é nativo digital, e ele é quem queria uma escola, porque 'eu quero criar uns jogos' ", conta. Waldirene observa que projetos de ensino da tecnologia também poderiam ser realizados na rede pública de educação em prol de outras crianças e adolescentes.

 

Belém
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