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CONSCIÊNCIA NEGRA: Governo do Estado promove palestras e serviços de cidadania na Estação das Docas

Confira os serviços e programação que ocorrem no espaço, que incluem vacinação contra covid-19

Eduardo Laviano

Com o tema "Novembro da Consciência Negra - Resistir para Existir", a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos promove, neste sábado (20), um evento em alusão ao Dia da Consciência Negra, na Estação das Docas, em Belém.

De 8h às 18h, há ação de cidadania com a emissão de carteiras de identidade, inscrição na carteira de trabalho digital e encaminhamento para segundas vias de certidões de nascimento, além de atendimento médico que será ofertado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa). Há vacinação contra covid-19 também.

Palestras diversas alusivas ao Dia da Consciência Negra são algumas das principais atrações da programação (Eduardo Laviano / O Liberal)

Palestras estão também incluídas na programação. Temas como epistemicídio, racismo e intolerância religiosa, medidas afirmativas, valorização da pele preta, uso de redes sociais no combate ao racismo e "resistir para existir" serão debatidos com pessoas ligadas ao movimento negro.

Também estão previstos a 1ª Estação Fashion Black: AMAZONAFRICA, apresentações musicais do "Encantro negro mata adentro", e do grupo cultural "Pará Caboclo", entre outros.

A importância da pele preta: cantora e DJ Nega Black defende fim do ciclo de discriminação

Cantora, DJ e produtora cultural de Ananindeua, Nega Black foi convidada para falar sobre a importância da pele preta no Brasil de 2021 e destacou a importância da busca por conhecimento e informação como o melhor caminho para desmanchar o ciclo de discriminação que perdura no país.

“O valor da pele preta vem através do conhecimento. Sem o conhecimento nós somos ignorantes. A pele preta ela tem valor porque precisamos nos respeitar como seres humanos que somos, como filhos de um Deus único e essa pele preta ela tá muito barata, essa pele tá muito desvalorizada e desrespeitada. O 20 de novembro é lembrança de Zumbi, né? Lá do Quilombo dos Palmares que morreu atrás de respeito pelas nossas civilizações. Ainda, hoje trezentos e vinte e três anos depois, continuamos a lutar. Então salve a resistência, salve o povo que luta por direitos iguais”, declarou a palestrante. 

Na opinião de Nega Black, os números de negros assassinados todos os anos no país e bem como as estatísticas sobre as principais vítimas de feminicídio, que são as mulheres negras, são provas cabais de que o preconceito estrutural da sociedade brasileira mata.

“Precisamos ver o dia de hoje como um dia de libertação. Saímos da senzala mas a senzala não saiu de dentro de nós. Ela continua presa na gente toda vez que alguém nos olha com desrespeito ou sem dar o mesmo valor que dão para um branco”, afirma.

Afroempreendedorismo

A ativista e empreendedora Maynara Santana estava junto com as mulheres do coletivo Pretas Paridas na Amazônia no corredor de roupas e artesanatos do local. Ela lembra que o empreendedorismo enquanto caminho de autonomia e liberdade pode ajudar e muito na luta antirracista. 

"As mulheres pretas sempre foram empreendedoras. A gente atravessou o Atlântico empreendendo. O poder, a autonomia, vem da possibilidade de conseguires tua própria renda, teu direito de ir e vir. A mulher preta está chegando em espaços que antes não chegava, principalmente no sentido de empreender coletivamente. Ninguém anda só, ninguém se liberta só. Quando estamos em contatos com outras iguais nós, somos mais fortes", conta. 

Empreendendo desde 2016, ela conta que ainda hoje ela não tem a naturalidade e autoestima de empreendedoras com o mesmo tempo de estrada que não são negras. Ela lembra que o racismo finca raízes na cabeça das pessoas desde sempre.

"Tenho certeza do meu produto, da minha verdade, de tudo o que eu faço. Mas nem sempre consigo me entender como essa potência que pode ganhar o mundo. Isso nada mais é do que as nossas subjetividades gritando que esse racismo de 300 anos ainda está presente no nosso dia-a-dia. É um processo", afirma.  

Belém
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