Belém 408 anos: setores do comércio e de serviços respondem por 65% do PIB de Belém

De acordo com pesquisadores, crescimento econômico da capital envolve exploração das potencialidade locais, como a cadeia produtiva do açaí

Ádria Azevedo | Especial para O Liberal
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Desde sua fundação pelos portugueses, em 1616, Belém desempenhou um papel de protagonismo no cenário econômico regional. Seja durante o período colonial, como polo exportador das "drogas do sertão", seja durante os ciclos da borracha, que tornaram a cidade uma das capitais nacionais de maior expressão econômica, inclusive já com uma pequena base de produção industrial, Belém assumiu esse papel.

Contudo, ao longo do século XX, embora tenha havido diversificação de suas atividades econômicas e sua consolidação como grande centro regional de prestação de serviços, Belém perdeu importância econômica no contexto estadual, regional e nacional.

De acordo com José Raimundo Trindade, economista do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Pará (PPGE/UFPA), essa conclusão de baseia em três critérios principais: o PIB (Produto Interno Bruto), o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) a geração de empregos industriais e não industriais.

“A expansão econômica de Manaus em função da Zona Franca deslocou Belém da importância preponderante que tinha na Região Norte. Além disso, houve influência das alterações econômicas do próprio estado do Pará, especialmente a expansão do modelo de extração mineral e sua concentração no sudeste do estado. Em 2002, Belém representava quase 30% do PIB paraense; em 2012, tinha reduzido sua participação para 24, 6%; e, finalmente, em 2021, sua participação reduziu para 12,73%, menor que a representada pelo município de Parauapebas, que responde por 18,93% do PIB estadual”, explica o pesquisador. “Adicionalmente, também foram determinantes a maior presença governamental no interior e perda de importância comercial de Belém frente a outros polos, como Castanhal e Marabá”, completa.

Setor terciário

De acordo com Trindade, as principais atividades econômicas de Belém se mantêm sendo comércio e serviços, compondo quase dois terços (65%) do PIB de 2021. O segundo setor é a administração pública, que representa quase 20% do PIB. O componente industrial responde apenas por 13%. 

image Economista José Raimundo Trindade aponta que Belém tem altas taxas de trabalho informal (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

“Um dado agravante sobre as condições ocupacionais da capital refere-se ao peso do trabalho informal: indicadores de subutilização da força de trabalho alcançaram, em 2022, 24,1% da população economicamente ativa ocupada, percebendo rendimentos de trabalho precário, enquanto 27,5% exercem atividades ditas por conta própria, caracteristicamente precárias”, aponta José Raimundo Trindade. 

O economista Danilo Fernandes, professor do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA (NAEA/UFPA), destaca que o carro chefe da economia de Belém é o comércio varejista. “Segundo dados de 2020, 56% do emprego formal e 48% da massa salarial da Região Metropolitana de Belém são dessa área. Nesse sentido, não é possível identificar um produto específico como principal gerador de riqueza. Apesar disso, não se pode perder de vista o papel dos produtos ligados ao histórico de forte relação da economia urbana de Belém com o seu entorno, em grande medida associado aos modos de vida e produção das comunidades ribeirinhas das ilhas e regiões próximas do centro da cidade. Hoje em dia, esses produtos são identificados com o que se passou a chamar de produtos da bioeconomia da sociobiodiversidade amazônica, especialmente o açaí”, detalha o pesquisador.

Futuro pós COP-30

Para Raul Ventura Neto, também professor do PPGE/UFPA, a realização da COP-30 em Belém pode sinalizar uma mudança no padrão de investimentos em atividades da bioeconomia. “Um caminho importante para promover o desenvolvimento da cidade é fomentar políticas que promovam o adensamento de cadeias de produtos dessa bioeconomia, pela sua alta capacidade de inclusão social e geração de empregos e ocupações ao mesmo tempo, em que garantem a segurança alimentar e nutricional de grande parte da população do município”, defende. 

image Pesquisadores da área econômica apostam na exploração das potencialidades locais de Belém, como a cadeia produtiva do açaí (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Danilo Fernandes acredita que é preciso diversificação das atividades. “Os ramos ligados ao turismo de base comunitária, gastronomia e demais setores, permitem essa potencialização das estratégias de diversificação da base produtiva, de comércio e serviços urbanos, que também podem ser considerados como chave para o desenvolvimento de uma política econômica no município, gerando conservação ambiental e oportunidades de geração de emprego”, afirma.

Já José Raimundo Trindade propõe, como algumas ações a ser adotadas pelo poder público em direção a uma Belém mais próspera, alterações nos critérios de partilha fiscal e a criação de um Comitê Metropolitano de Desenvolvimento, para pensar saídas conjuntas para o crescimento econômico da Região Metropolitana. “O Comitê criaria um Plano de Desenvolvimento que se apoiaria em quatro núcleos: o turismo; a cadeia produtiva do açaí; a cadeia produtiva de produtos farmacêuticos e cosméticos; e organização do arranjo produtivo da indústria alimentícia e de bebidas”, sugere.

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