Com bênção e procissão, Domingo de Ramos abre Semana Santa em Belém
Na Catedral Metropolitana de Belém, a programação teve início com a procissão saindo da Igreja Santo Alexandre
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, recordando a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, símbolo de humildade e acolhimento. Na Arquidiocese de Belém, a data foi celebrada com bênção dos ramos, procissões e missas nas 109 paróquias.
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Na igreja de Santo Alexandre, a programação começou por volta de 8h30. Houve a bênção dos ramos, feita pelo Arcebispo de Belém, Dom Julio Endi Akamine. Em seguida, começou a Procissão dos Ramos, que saiu da igreja de Santo Alexandre e foi até a Catedral Metropolitana de Belém, em um percurso que durou poucos minutos. Em seguida, houve missa celebrada por Dom Julio Endi Akamine.
A Semana Santa iniciou neste Domingo de Ramos em memória à entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho - o símbolo da humildade - e aclamado pelo povo simples, que o acolhia com seus ramos de oliveiras e palmeiras como "Aquele que vem em nome do Senhor".
Com a procissão de Ramos, a Igreja Católica faz memória da entrada de Jesus Cristo em Jerusalém para sofrer a Paixão. Ainda segundo a Igreja Católica, “os ramos, que trazemos nas mãos, significam que reconhecemos Jesus como o Messias de Israel, prometido por Deus, o nosso Rei. Significa também que nos dispomos a segui-lo”. Em entrevista à Redação Integrada de O Liberal, Dom Julio Endi Akamine destacou o significado espiritual da data e a mensagem central dirigida aos fiéis.
Segundo o arcebispo, a Semana Santa é a celebração mais importante do ano litúrgico - celebração do mistério pascal, que recorda a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. “Nós entramos com Cristo na morte, morremos com Ele para o pecado, na esperança da ressurreição, para a vida da graça. É por isso que é tão importante para nós católicos”, afirmou.
Atitudes diferentes
Dom Julio explicou que o Domingo de Ramos marca o início desse caminho espiritual, colocando os fiéis diante de uma escolha simbólica. Ele relembrou que, na entrada de Jesus em Jerusalém, o povo inicialmente o aclama - “Hosana ao Filho de Davi” -, mas, posteriormente, pede a sua crucificação. “Nós podemos entrar na Semana Santa com a atitude do povo que aclamou Jesus Hosana, o filho de Davi, ou com o pedido de crucificá-lo”, disse. O arcebispo afirmou que essa dualidade se reflete nas diferentes posturas presentes na narrativa da Paixão de Cristo.
Ele citou exemplos de comportamentos negativos, como a traição de Judas, a negação de Pedro, a perseguição dos chefes religiosos e a omissão de Pilatos. Por outro lado, destacou atitudes positivas, como a solidariedade de Simão Cirineu, o lamento das mulheres de Jerusalém, o gesto de Verônica, o arrependimento do bom ladrão, a profissão de fé do soldado romano e o cuidado de Nicodemos ao sepultar Jesus. Podemos tomar atitudes diferentes, que possamos, de fato, acolher e entrar na Semana Santa com boas disposições”, afirmou o arcebispo.
Ao comentar a simbologia do Domingo de Ramos, Dom Julio enfatizou a figura de Jesus como um rei de natureza distinta. “Ele entra na cidade de Jerusalém e é aclamado como rei. Só que é um rei muito diferente: não vem com exércitos, nem cercado de cortesãos e servidores. Ele entra como um rei pacífico”, explicou. De acordo com o arcebispo, essa imagem reforça a mensagem central do cristianismo. “É alguém que quer conquistar, sim, mas não com armas. Quer conquistar com amor, quer conquistar os nossos corações”, concluiu.
Fiéis destacam fé, reflexão e emoção durante o Domingo de Ramos em Belém
A celebração do Domingo de Ramos reuniu fiéis em um momento marcado por reflexão, fé e emoção, reforçando o significado do início da Semana Santa para os católicos. A professora de Educação Física Shirley Silva, de 57 anos, destacou a importância da data como um período de conexão espiritual e análise pessoal. Segundo ela, o momento vai além de um simples feriado. “É um momento muito importante na vida do católico, porque representa tudo o que Jesus sofreu por nós. Não é um feriado. É um momento de reflexão, para nos conectarmos novamente com Deus e pensarmos na nossa vida, em tudo o que está acontecendo”, afirmou.
Moradora de Barcarena, Shirley contou que fez questão de participar da celebração em Belém, ressaltando a relevância da experiência. “Eu estou muito feliz de estar aqui. Não moro em Belém, moro em Barcarena, e vir à igreja nesse momento, estar participando, está sendo muito importante para mim”, completou. O aposentado João Bosco da Silva, de 68 anos, que é namorado de Shirley, também enfatizou a importância da ocasião, especialmente por se tratar de uma experiência inédita para a companheira. “É muito importante, principalmente para o lado dela, participando pela primeira vez nesse Domingo de Ramos”, disse.
Já a estudante de Direito Leilane Anselmo, de 27 anos, destacou o aspecto emocional da celebração e a renovação da fé proporcionada pelo período. “É muito importante, renovação de fé. Estamos na Quaresma, mas esse momento mexe muito comigo. É um momento emocionante, a Semana Santa. Acho que é emocionante para todos os paraenses”, disse.
Coleta da Solidariedade
No Domingo de Ramos é realizada também a Coleta Nacional da Solidariedade, ação da Igreja Católica do Brasil, em virtude do encerramento da Campanha da Fraternidade (CF) 2026, com tema "Fraternidade e Moradia" e o lema "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14). Como gesto concreto, os recursos arrecadados na coleta são destinados ao apoio de projetos sociais relacionados ao tema da campanha.
Do total da arrecadação, 60% ficarão para ações de caridades da Arquidiocese de Belém, que este ano será destinado a criação da “Casa do Pão”, um espaço para acolher diariamente o povo de rua. Já os 40% serão para o Fundo Nacional da Solidariedade, para uso de campanhas sociais no Brasil, conforme direcionamento da Coordenação de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
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