SAB · 03 OUT 2026Assine

Inverno amazônico

Chuvas de dezembro alteram rotina e movimentação de vendedores de rua em Belém

Quando a chuva cai repentina, itens de proteção se tornam os protagonistas das bancas

Fabyo Cruz

12 de dezembro de 2025 às 09:20

Rodrigo Mendes, de 23 anos,  trabalha há quatro anos no comércio da área central de Belém

Rodrigo Mendes, de 23 anos, trabalha há quatro anos no comércio da área central de Belém ( Foto: Carmem Helena/O Liberal )

O mês de dezembro marca a chegada do período mais chuvoso do ano em Belém — e, junto com ele, mudanças significativas no dia a dia de quem faz do comércio de rua a principal fonte de renda. Vendedores ambulantes, camelôs e feirantes, que dependem da constante circulação de pedestres, já notam reflexos do clima nas vendas e reforçam as estratégias para manter o negócio funcionando mesmo com o céu fechado.

Quando a chuva cai repentina, itens de proteção se tornam os protagonistas das bancas. Guarda-chuvas, sombrinhas e até capas improvisadas para mochilas passam a ser vistos como produtos “salvadores” para quem é pego desprevenido no centro da cidade. A expectativa dos vendedores é de que, com o aumento das pancadas típicas do mês, o movimento finalmente engrene.

Há quatro anos trabalhando no comércio da área central de Belém, Rodrigo Mendes, de 23 anos, descreve que as vendas ainda não atingiram o pico esperado. “No momento, a venda pela sombrinha está mais ou menos. Não vou dizer que está devagar, mas está mais ou menos”, conta. Ele observa que o comportamento do consumidor muda de uma hora para outra: “O tempo fecha, faz aquela cara de chuva, aí o povo começa a olhar e começa a comprar”.

Rodrigo vende guarda-chuvas e sombrinhas entre R$ 20 e R$ 30 e acredita que a procura deve crescer nas próximas semanas. “Com certeza [deve melhorar], devido ao clima de chuva que possa vir. Às vezes passa o dia todo chovendo, então a procura já é maior”, afirma. Para manter as vendas, ele e outros ambulantes se organizam para não fechar em momentos de temporal. “É tudo coberto aqui, então a gente não fecha na hora da chuva. Se fechar, se esconder, a gente não vai conseguir vender”, declarou.

Cautela com o movimento

A poucos metros dali, próximo à avenida Presidente Vargas, a vendedora Cristiane Mello, de 48 anos, também se adiantou à temporada. Ela trabalha com guarda-chuvas durante o ano inteiro, mas ampliou o estoque e o leque de opções. O objetivo é atrair desde quem busca modelos básicos até quem prefere versões coloridas ou com detalhes diferenciados. Mesmo assim, o movimento ainda é tímido. “Ainda está devagar. Está lenta ainda. Estamos esperando cair a chuva aí pra melhorar”, diz.

A vendedora Cristiane Mello, de 48 anos, trabalha próximo à avenida Presidente Vargas, em Belém
A vendedora Cristiane Mello, de 48 anos, trabalha próximo à avenida Presidente Vargas, em Belém (Carmem Helena/O Liberal)

Na banca, há produtos entre R$ 10 e R$ 20 — valores que podem mudar a qualquer momento. Segundo Cristiane, quando a chuva aperta, os fornecedores repassam em alta, e os vendedores precisam acompanhar os ajustes. “Quando começar a chuva, eu creio que vai aumentar, porque todo ano aumenta. Eles aumentam lá e a gente tem que aumentar aqui”, contou.

Ela também adapta a oferta ao que o cliente precisa no instante da compra. Capas de chuva, apesar da utilidade, costumam ter saída menor. “Capa não sai muito. O preço acaba sendo até mais caro. Então é melhor disponibilizar aquilo que o freguês vai querer logo”, explica. Para seguir atendendo mesmo em meio a enxurradas, Cristiane conta com o próprio guarda-chuva e com o abrigo improvisado da banca: “A gente já usa [o guarda-chuva] e fica embaixo do banco aqui. Aí não molha. Procuro uma localização que possa me proteger”.

Embora apareçam com menos frequência, os pedidos por capas plásticas para mochilas e materiais que improvisam a proteção de motos também entram na lista de soluções rápidas dos vendedores — especialmente em áreas com forte presença de entregadores, mais expostos aos temporais.

Com a tendência de intensificação das chuvas ao longo de dezembro, os trabalhadores das ruas seguem na expectativa de que o período, apesar dos desafios, ajude a impulsionar o faturamento. Enquanto isso, permanecem atentos ao céu: basta uma nuvem escura se aproximar para que o comércio ganhe novo ritmo.

Assuntos relacionados