Carnaval: saiba como evitar doenças transmitidas pelo beijo e pelo contato, que aumentam nesta época

Nesta época, a incidência de casos de várias doenças costuma aumentar devido ao período prolongado de folia

Gabriel Pires
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Com a chegada do Carnaval, nesta semana, o período exige reforço nos cuidados por conta de doenças transmitidas pelo beijo e pelo contato, como alerta o médico virologista Caio Botelho, de Belém. Nesta época, a incidência de casos costuma aumentar devido ao período prolongado de folia. Segundo o especialista, algumas doenças são transmitidas diretamente pelo contato da saliva.

Entre as doenças, segundo o médico, estão a monkeypox (varíola), cuja contaminação requer a presença de vesículas ou bolhas ativas, e ainda a mononucleose, conhecida como a “doença do beijo” ou “sapinho”, que é uma das doenças mais comuns no contágio pelo beijo, além da herpes. “Porém, a mononucleose é transmitida muito mais com a característica das dores de garganta e dos linfonodos inchados. Tem muito mais esse perfil. Outras doenças podem ser transmitidas, mas não são tão comuns”, explica.

“A herpes também é uma doença que pode ser transmitida pelo beijo, mas não apenas dessa forma. Ela pode ser transmitida pelo contato da pele com as feridas, as bolhas estouradas da herpes, quando entram em contato com a pele de uma pessoa saudável. As bolhas ficam cheias de líquido, que contém grande quantidade de vírus. Não só o beijo, mas também o contato pele a pele com alguém que apresenta essas lesões pode transmitir. Por isso, deve-se evitar o contato direto com a pele que apresenta herpes, seja na região facial ou em outras áreas do corpo, como a genital”, alerta Caio.

Transmissão

Caio afirma que a transmissão de doenças como a mononucleose é mais frequente em pacientes que estão no início ou no final do quadro da doença, mas que ainda manifestam uma dor de garganta um tanto atípica. “Caso se tenha dor na garganta, feridas na boca como aftas ou lesões na boca, é melhor evitar o contato de beijo, porque isso pode transmitir doenças. E também isso deixa a pessoa vulnerável a outras doenças, principalmente quando se fala desses vírus de transmissão por saliva”, reforça o médico.

Caio Botelho orienta que alguns sinais de alerta dessas infecções são a dor de garganta intensa e a febre alta, geralmente entre 38 e 39 graus. Segundo ele, esses indicativos sugerem a necessidade de procurar atendimento médico até cinco dias após ter tido contato oral com outras pessoas. Botelho ressalta ainda que a mononucleose possui sinais mais específicos, como o inchaço dos linfonodos, a “íngua”, e a inflamação e inchaço da garganta, que podem causar dificuldade para se alimentar.

Compartilhamento de objetos

Já em relação à transmissão das infecções, o médico detalha que a grande maioria dos casos somente é contagiante por conta do contato corpo a corpo: “Compartilhamento de objetos pessoais não oferece riscos. Existem algumas doenças que são transmitidas por fômites, como falamos tecnicamente, que são esses objetos. Porém, essas doenças, geralmente, ocorrem em fases muito sintomáticas. Quando se vai para o Carnaval, se alguma pessoa for para uma festa de Carnaval, algo do tipo, e estiver muito doente, ou seja, com muita febre, mal-estar e mialgia, o ideal é não entrar em contato próximo com ela, porque não se sabe qual doença ela pode ter”, relata Botelho.

“O ideal é evitar esse tipo de contato. Porém, grande parte das doenças infecciosas não é transmitida por objetos contaminados. A maioria é transmitida por objetos com sangue ou com algumas secreções específicas. A gente não tem circulando em nossa região doenças que tenham essas características de alta transmissibilidade”, reforça o virologista. “As aglomerações aumentam o contágio de infecções, principalmente por vias respiratórias. Tende a se ter muito mais doenças infecto-respiratórias do que outras doenças”, completa o médico.

Risco de ISTs

E ainda, o carnaval é um período de alto risco para a transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) devido ao aumento de relações sexuais desprotegidas, em alguns casos, como lembra Caio. ”Ainda pode-se destacar como métodos de prevenção os preservativos. Independente da utilização de PrEP, é extremamente importante o uso de preservativo. Os preservativos não são apenas um método de barreira para prevenir gravidez ou HIV, mas também hepatites e sífilis. Tivemos uma fase muito grande com infecção alta de sífilis, então há esse controle de outras infecções sexualmente transmissíveis”, observa o médico.

“Lembrando que os preservativos são disponibilizados gratuitamente nos serviços de saúde. Principalmente no período de Carnaval, há diversas campanhas de prevenção. É importante destacar que o consumo de álcool associado a relações sexuais aumenta as chances de contrair doenças sexualmente transmissíveis, devido à maior exposição, tanto pela frequência quanto pela duração das relações”, acrescenta Caio.

Veja as doenças transmitidas pelo beijo e contato no Carnaval

Monkeypox (Varíola símia):

Como transmite: contato direto com vesículas/bolhas ativas ou secreções da lesão.

Sintomas principais: lesões/bolhas na pele, febre, linfonodos inchados, mal-estar

Prevenção: evitar contato pele a pele com pessoas que apresentem lesões visíveis, não tocar em bolhas ou casquinhas e procurar atendimento em caso de febre e erupção cutânea

Mononucleose (“doença do beijo”):

Como transmite: saliva, principalmente no início e no final do quadro.

Sintomas principais: dor de garganta intensa, febre (38–39°C), linfonodos inchados (“íngua”) e cansaço acentuado

Prevenção: evitar beijar se estiver com dor de garganta, aftas ou lesões na boca; procurar atendimento se sintomas aparecerem até 5 dias após contato oral; e não compartilhar copos apenas se a pessoa estiver muito sintomática

Herpes (oral e genital):

Como transmite: contato direto com feridas, bolhas estouradas ou pele infectada.

Sintomas principais: bolhas dolorosas na boca ou genitais; ardência, coceira e vermelhidão; e lesões cheias de líquido

Prevenção: evitar contato com qualquer lesão ativa, não beijar ou encostar pele a pele se houver bolhas e o uso de preservativo reduz riscos

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