Campanha iniciada no Rio de Janeiro prepara mulheres de Belém para a folia
Movimento busca reforçar a luta contra o assédio
A campanha “Não é não!”, iniciada há dois anos, no Rio de Janeiro, deve chegar a Belém neste carnaval. Tudo depende do alcance de 100% da primeira meta estipulada para a produção das tatuagens elaboradas para divulgar o movimento que é de R$ 3.200. Até às 11h da sexta-feira, 25, o total arrecadado equivalia a 78% da meta.
Embaixadora da campanha na cidade, Carolina Aranha, de 34 anos, é paraense, mas mora há dez anos no Rio. Ela conta que conheceu o projeto em 2017 e, desde então, tinha vontade de trazê-lo para sua cidade. “Fiz uma viagem pra Belém e consegui, em 10 dias, montar uma rede local, em dezembro do ano passado” lembrou.
A ideia surgiu quando ela identificou que vários movimentos feministas estavam se formando na cidade. “As mulheres estão cada vez mais na luta pelos seus direitos e eu quis reforçar o quão a luta contra o assédio é importante” explicou. Segundo ela, as pessoas estão empolgadas e até a próxima semana a primeira meta deva ser batida. “Caso consigamos alcançar essa meta, produziremos mil tatuagens que serão distribuídas no pré-carnaval e Carnaval de Belém”.
Em Paragominas, estimulados pela campanha, um grupo de universitários do curso de Design da Universidade do Estado do Pará (Uepa) criou uma espécie de linha de produtos com fantasias, latinhas, copos e tirantes, que fazem referência à campanha nacional. Professora do curso, Larissa Buenano explica que a partir das problematizações da disciplina Estética Aplicada ao Design, a equipe resolveu fazer a aplicação da campanha em produtos.
“Direcionamos as melhores estratégias de midiatização e de consumo no carnaval”, disse ela, ressaltando que o grupo chegou a criar até campanhas publicitárias hipotéticas para levar o debate para dentro da sala de aula. Para custear a produção das tatuagens e colocá-las nas ruas, a campanha aderiu a um sistema de financiamento coletivo, pelo qual pessoas de todo o Brasil podem colaborar e receber recompensas, que variam de acordo com o valor doado: R$ 20 dão direito a cinco tatuagens; R$ 25, a cinco tatuagens e um brinco.
Homens colaboradores não recebem as tatuagens, apenas a outra recompensa, já que a ideia do projeto é a identificação, e conexão entre mulheres. Entre as recompensas de Belém estão acessórios, sandálias, quadros, camisas e até um voucher para um restaurante do Combu. Todas as recompensas são doadas por empresas parceiras ou “vendidas” a preço de custo.
ORIGEM
A campanha começou quando uma integrante de um coletivo feminista foi assediada no Carnaval no Rio de Janeiro, segurada pelos braços após negar a investida de um homem. “Nós percebemos que já tinha acontecido algo parecido com várias de nós e começamos a querer fazer alguma coisapara levantar o debate em relação ao assédio e também criar uma rede de apoio entre mulheres”, explicou Luiza Campos, uma das idealizadoras da campanha.
O grupo resolveu confeccionar tatuagens temporárias com a frase “não é não” para distribuir gratuitamente para mulheres que participavam do Carnaval, formando uma rede de apoio e identificação. Em 2017, primeiro ano do projeto, 4 mil tatuagens foram distribuídas. “Em 2018 distribuímos 26 mil tatuagens para seis estados e agora a estimativa é que a gente distribua mais de 100 mil tatuagens em nove estados”, detalhou. O uso de embaixadoras ajuda a regionalizar a campanha e a chegara mais mulheres e locais, segundo explicou.
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