Caminhoneiros voltam a enfrentar filas na Perimetral para terem acesso a balsas

Alguns somavam mais de doze horas de espera e denunciam ameaças de roubos

Dilson Pimentel

Os motoristas que procuravam embarque na balsa que leva ao porto do Arapari, em Barcarena, nesta quinta-feira (25), encontraram longas filas de carretas durante o dia na avenida Perimetral. A rota é obrigatória para seguir, por estrada, para cidades do nordeste e do sul do Pará. Em uma extensão de mais de três quilômetros, a fila se estendeu do canal da Cipriano Santos até o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá), no Guamá. 

Apesar do posicionamento de agentes do Detran e policiamento diário e constante feito pela Polícia Militar, já há caminhoneiro se queixando da prática de roubos. Marcelo Meireles, 40 anos, chegou à Perimetral a uma hora da madrugada e às 11 da manhã ainda permanecia na fila. "A fila andou muito pouco. Quase 12 horas já aqui", disse ele, que dirige carreta há dez anos.

Marcelo Meireles, 40 anos, chegou à avenida Perimetral a uma hora da madrugada e às 11 da manhã ainda permanecia na fila. (Ivan Duarte / O Liberal)

 

 

 

 

 

 

Meireles seguia para Barcarena, para descarregar container. "Todo mundo aqui está sofrendo. Mas, quem está sofrendo ainda mais, é o pessoal do container. O nosso é navio. Tem que ir, botar no chão, volta, carrega e volta para a fila. A gente não vai nem em casa", afirmou ele, que saiu de Marituba, na Região Metropolitana de Belém, com destino ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena. "Quando a gente volta, Deus o livre, é a mesma coisa".

ROUBOS

Marcelo comentou sobre roubos naquela área. "Assaltaram um colega nosso em um beco, perto da rua São Domingos, na Terra Firme. Os caras saem de um bequinho, assaltam o caminhoneiro e voltam. A Polícia Militar está aqui, fazendo um ótimo trabalho. A toda hora, eles vão e voltam. A Polícia Militar não nos abandonou. O Detran também está aqui. Só que o vagabundo espera (a PM) passar para assaltar. Como é que pega no beco? Ele some", afirmou. O motorista também observou que, naquele trecho, não há banheiro químico. "Não existe isso de ficar parado em um local 12 horas. Estou trabalhando. Não tive hora de almoço, de descanso, de nada", afirmou. "Fico escondido no caminhão, porque pode passar uma vagabundo aqui e me assaltar".

O também caminhoneiro Gleyson Costa, 36 anos, chegou à fila ainda mais cedo, às 23 horas de quarta-feira (24). Ele transporta soja para o porto de Barcarena. "Durante a noite, a fila andou três vezes. Parou de chamar às quatro da madrugada. E, pela manhã, só uma vez. Ou seja, a fila não anda, muito lenta", disse ele, que veio de Paragominas, distante 300 quilômetros de Belém.

O caminhoneiro Gleyson Costa entrou na fila às 23h da quarta-feira (24). "Durante a noite, a fila só andou três vezes e parou às quatro da madrugada. Pela manhã, só teve uma chamada." (Ivan Duarte / O Liberal)

 

 

 

 

Às 11h45, a carreta dele estava estacionada próximo ao Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, em cujo trecho há banheiro químico. "Se a fila andasse, melhorava. A gente não ficava esperando. É uma espera muito grande. Sol, calor..", disse Gleyson, que tem 12 anos de profissão.

Ele recebeu a informação de que houve problema em uma balsa, no porto Arapari, o que retardou, e muito, o embarque das carretas. Da Perimetral, os motoristas seguem até o porto, na avenida Bernardo Sayão. A travessia por balsas é uma das principais alternativas depois do desabamento da ponte Rio Moju, na Alça Viária, no dia 6 deste mês.

Belém
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