Caminhada Down reúne multidão por inclusão na Praça Batista Campos, em Belém
O evento contou com a participação de pais, responsáveis e coordenadores, que destacaram a caminhada como um momento de visibilidade e fortalecimento de vínculos
A manhã de domingo (22) foi marcada por cores, música e mobilização na Praça Batista Campos, em Belém. A 12ª Caminhada Down reuniu centenas de pessoas — entre famílias, crianças, apoiadores e representantes de instituições — em um ato de conscientização pelo Dia Internacional da Síndrome de Down. Com o tema “Amizade, acolhimento e inclusão. Xô solidão!”, o evento evidenciou a importância do respeito e da convivência com pessoas com síndrome de Down em todos os espaços da sociedade.
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A concentração começou por volta das 8h e rapidamente transformou o entorno da praça em um grande encontro coletivo. Mais do que uma caminhada simbólica, a programação incluiu apresentações culturais, tendas informativas e serviços oferecidos por instituições parceiras, ampliando o diálogo com a sociedade sobre inclusão e direitos.
Uma das organizadoras do movimento, Andréa Miranda, coordenadora do Núcleo Amazônico de Acessibilidade, Inclusão e Tecnologia da Universidade Rural do Pará (Ufra), destacou o protagonismo das próprias pessoas com síndrome de Down na construção do evento. Ela disse que a caminhada é pensada e realizada por autodefensores, com apoio de colaboradores.
“Essa caminhada é uma realização das pessoas com Down. A gente ainda vive em um mundo com muito preconceito contra pessoas com deficiência intelectual, então nosso papel é ajudar a dar visibilidade e fortalecer esse protagonismo”, afirmou.
Andréa também relembrou o crescimento da mobilização ao longo dos anos. “Na primeira caminhada, éramos pouco mais de dez pessoas andando pela praça. Hoje, vemos esse mar de gente. Isso é fruto de um trabalho contínuo de conscientização, de ir às instituições e mostrar a importância de mudar o olhar da sociedade”, disse.
Para Romeu Neto, também integrante da organização, o aumento da participação reflete a força do movimento e a necessidade de ampliar o debate público. “É um mar de gente caminhando para mostrar à sociedade que existimos e que precisamos de respeito. Nosso objetivo é chamar atenção para o fim do preconceito e agregar cada vez mais pessoas à causa”, destacou.
Ele também adiantou planos para ampliar as ações do movimento. “Queremos criar uma caminhada cultural, incentivar talentos de pessoas com deficiência, como dança, música e pintura. Tem muita gente com potencial que precisa de espaço”, afirmou.
A presença de instituições públicas também marcou o evento. A coordenadora do Núcleo de Proteção à Mulher do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), Sabrina Kalume, ressaltou que a caminhada é uma oportunidade de dar visibilidade a pautas que ainda enfrentam resistência, especialmente quando se trata de mulheres com deficiência.
“Existe um capacitismo muito grande, e a mulher com deficiência enfrenta uma vulnerabilidade ainda maior, principalmente no acesso ao mercado de trabalho e aos direitos sexuais e reprodutivos. Estamos aqui para orientar, acolher e reforçar que esses direitos precisam ser garantidos”, explicou.
Entre os participantes, histórias de afeto e luta pela inclusão deram o tom do evento. A costureira Maria Rebouças participou da caminhada ao lado da filha Vitória, de 16 anos, e destacou a importância da presença das famílias. “A gente precisa estar junto, lutar pela inclusão social. Eles são preciosos. Ver minha filha feliz, dançando, participando, é muito importante. A união faz a força”, afirmou.
Ao longo da manhã, a caminhada percorreu as ruas ao redor da praça, retornando ao ponto de partida em clima de celebração. Mais do que um evento pontual, a mobilização integra um calendário de ações que segue até outubro, mês dedicado à conscientização sobre a síndrome de Down.
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