Buracos e abandono revoltam moradores dos conjuntos Maguari e Satélite, em Belém
Interligados e usados como rota alternativa ao trânsito da Augusto Montenegro, conjuntos enfrentam problemas de pavimentação, alagamentos e abandono de espaços públicos
Moradores dos conjuntos Maguari e Satélite, em Belém, denunciam uma série de problemas de infraestrutura urbana que afetam diretamente a rotina da população. Os dois conjuntos, que são interligados e servem como rota de ligação para outros bairros da capital, enfrentam dificuldades relacionadas à pavimentação precária, falta de acessibilidade, deficiência no transporte público e abandono de espaços públicos.
No conjunto Maguari, um dos principais problemas apontados pelos moradores é a situação das vias. A avenida Principal tem muitos buracos, assim como suas transversais. E não tem faixa para os pedestres. O engenheiro florestal Daniel Francez, de 46 anos, disse que o trânsito no local se tornou perigoso por causa dos buracos espalhados pelas ruas. Segundo ele, os motoristas precisam desviar constantemente da buraqueira, o que aumenta o risco de colisões e atropelamentos.
“A gente tem diversos problemas, mas sobretudo a questão do trânsito. Hoje as vias principais do conjunto Maguari estão completamente esburacadas. O trânsito acaba sendo perigoso porque os carros desviam da buraqueira e acabam provocando acidentes, com colisões entre os próprios veículos”, afirmou. Daniel também criticou a precariedade do transporte público na área. De acordo com ele, o número de ônibus é insuficiente para atender a demanda dos moradores. Como o conjunto fica distante da avenida Augusto Montenegro, muitos moradores precisam recorrer a transporte alternativo ou caminhar longas distâncias para conseguir se deslocar.
“As empresas não fornecem ônibus suficientes. A população padece, porque é longe da via principal do bairro, que é a Augusto Montenegro. As pessoas têm que caminhar ou pegar transporte alternativo para chegar até a Augusto Montenegro”, contou. “Tem gente que espera mais de uma hora por um ônibus”, disse. Outro problema apontado por ele é a falta de acessibilidade. Segundo o morador, muitas calçadas estão ocupadas, dificultando a circulação de pedestres e impossibilitando o deslocamento de cadeirantes. “A gente vê que o conjunto Maguari, que foi um conjunto bem estruturado, só piora com o passar do tempo”, afirmou.
Daniel destacou ainda que o conjunto Maguari funciona como corredor de ligação entre outras áreas da cidade. “O conjunto recebe um fluxo de trânsito que vem da (avenida) Mário Covas, pela rua Xingu. Por causa do fluxo intenso, muita gente acaba saindo da Augusto Montenegro e passa por dentro do Maguari para ir para o Tenoné, que dá acesso a Icoaraci. É uma via importante também de escoamento desse trânsito”, afirmou.
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"A gente está aqui ao Deus dará”, dizem moradoras
Morador do conjunto há mais de 30 anos, ele afirmou que a situação vem piorando ao longo do tempo. “Há mais de 15 anos o conjunto foi asfaltado e hoje precisa urgentemente de uma repavimentação. As alamedas estão esburacadas. Nós estamos vendo aqui a situação da via principal, que está nesse estado aí. Foi feito um tapa-buraco só até a alameda 11. Da Alameda 11 até a alameda 32, está nesse cenário que que vocês estão vendo”, disse.
A dona de casa Georgeane Melo, de 50 anos, mais conhecida como “Jô”, também relatou transtornos causados pelos buracos e alagamentos na alameda SN 10, onde há um grande buraco na via. Segundo ela, um motociclista caiu no local recentemente após escorregar em um dos buracos da rua. “Ontem (segunda-feira, 11), um rapaz caiu de moto aqui. Escorregou no buraco e quase bateu a cabeça no meio-fio”, contou. Ela afirmou ainda que crianças da área também já sofreram acidentes. “Semana passada, os garotos estavam jogando bola e um deles caiu dentro daquele buraco ali. Graças a Deus não estava chovendo”, disse.
A dona de casa Cleonilce Caldas, de 65 anos contou que, durante os períodos de chuva, a rua fica completamente alagada e a água invade as residências. “No meu quintal fica um rio. Quando chove, a gente fica ilhado dentro de casa. É sujeira, bactéria e muito trabalho para limpar tudo depois”, afirmou. Ela criticou a ausência de ações do poder público e disse que moradores se sentem abandonados. “É um sufoco. A gente está aqui ao Deus dará”, lamentou. Georgeane e Cleonilce pronunciaram a frase ao “Deus dará” ao mesmo tempo.
Outra reclamação dos moradores do conjunto envolve obstáculos instalados sobre calçadas e ocupações irregulares que dificultam a passagem de pedestres. A jornalista e professora de História Hildete Costa, de 62 anos, denunciou a instalação de estruturas metálicas em frente a uma lotérica, impedindo a circulação de pessoas e cadeirantes.
“O dono da lotérica colocou isso aqui porque um carro quase invadiu o estabelecimento, mas ele não tem direito de fazer isso. Isso aqui impede o direito constitucional de ir e vir. Cadeirante não consegue passar”, criticou. “Eu espero que o prefeito olhe para o conjunto Maguari, que está uma porcaria. A gente precisa ter qualidade de vida. Crianças não podem voltar da escola porque as ruas alagam e correm o risco de pegar doenças. A gente corre risco até de leptospirose”, afirmou. Ela afirmou ainda que oficinas mecânicas ocupam calçadas na área, obrigando pedestres a caminhar pela rua. “Eu já fui quase atropelada entre as alamedas 6 e 7”, relatou.
Buracos e praça abandonada no Satélite
Já no conjunto Satélite, os moradores denunciam problemas semelhantes. Na avenida Pentecostal, próximo à avenida Mário Covas, o vigilante Dalmo Souza, de 40 anos, afirmou que a situação dos buracos persiste há mais de seis anos. Segundo ele, os próprios moradores tentam amenizar os danos utilizando restos de materiais de obra para cobrir os buracos. “O poder público esqueceu da gente. Quando chove é um transtorno enorme. Já caiu senhora idosa aqui. A minha esposa também já caiu de moto tentando desviar dos buracos”, contou. Dalmo contou ainda que o tráfego intenso de caminhões pesados agrava os danos na via e aumenta o risco de acidentes. “A gente paga imposto, mas infelizmente não recebe retorno e deixa as mazelas para a população”, criticou.
Além dos problemas viários, moradores do Satélite também denunciam o abandono da praça Sérgio Guilherme. O farmacêutico Leonardo Santos, de 50 anos, afirmou que o espaço, antes utilizado pela comunidade para práticas esportivas e lazer, hoje está deteriorado. “A gente está pedindo uma reforma urgente. Uma atuação da prefeitura, porque a praça está abandonada”, disse.
“A praça sempre serviu à comunidade. Tinha campo de futebol, vôlei, parquinho. As crianças sempre vinham das escolas fazer atividades físicas. E, hoje em dia, está nessa situação de total abandono”, disse. Segundo Leonardo, promessas de revitalização e instalação de academia ao ar livre nunca saíram do papel. Ele também denuncia acúmulo de lixo, mato alto e ocupações irregulares.
“Por causa dessa falta de cuidado, já houve caso aqui até de assalto aqui por causa da escuridão. As árvores estão muito grandes e não há iluminação adequada”, afirmou. “Fora que está sendo tomado por veículos, que estão quebrando as calçadas”. Ele criticou ainda a falta de solução por parte dos órgãos públicos. “A gente liga para a prefeitura. E dizem que é pra ligar para Seurb, que diz para procurar quem cuida de praças. Fica um jogo de empurra e ninguém resolve o problema”, declarou. “Essa praça está sempre sendo ocupada por circo, por parque, mas para ganhar dinheiro. Mas a população que mora aqui não usufrui da praça”.
Conjunto Maguari
Problemas:
- Ruas esburacadas
- Falta de faixa para pedestres
- Transporte público precário
- Calçadas ocupadas
- Alagamentos
- Problemas de drenagem
- Falta de acessibilidade
- Sensação de abandono
Conjunto Satélite
Problemas:
- Buracos nas vias
- Tráfego pesado
- Falta de manutenção pública
- Praça Sérgio Guilherme abandonada
- Mato alto e lixo
- Falta de iluminação pública
- Ocupações irregulares
- Promessas não cumpridas
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