Blocos que encerram o carnaval de Belém trocam as ruas por sopão solidário e live

Rabo do Peru, de Icoaraci, e Chulé de Pato, do Guamá, arrumaram um jeito diferente de marcar presença na festa

Dilson Pimentel

Com o cancelamento do Carnaval, os tradicionais blocos Rabo do Peru e Chulé de Pato não sairão este ano pelas ruas, respectivamente, de Icoaraci e do Guamá, em  Belém. Esses desfiles sempre ocorriam na tarde de Quarta-Feira de Cinzas. Para manter a tradição, o “Rabo do Peru” fará a distribuição do famoso sopão, o que, todo ano, ocorria antes do início do desfile. O sopão de mocotó, que já está sendo preparado pelo presidente do bloco, Marcos Moraes, será servido a partir das 11h30 de Quarta-Feira de Cinzas, mas com o devido distanciamento social.

“A sopa será colocada em vasilhas descartáveis e as pessoas passam e vão levando. Não vai haver nem música. Não vamos fazer aglomeração. Sabemos do momento difícil. E nós, como formadores de opinião, devemos zelar pela saúde dos outros e a minha também”, afirmou. “Sou do grupo de risco. Tenho 67 anos. A gente tem que se cuidar. Isso aqui é um compromisso do povo. Esse é um momento super difícil. Essa pandemia ainda não passou totalmente”, afirmou.

No ano passado, e segundo números oficiais, o bloco levou para as ruas de Icoaraci aproximadamente 200 mil pessoas, acrescentou Marcos Moraes. Os preparativos começaram neste domingo (14). “Como faço há 26 anos, comecei os preparativos para preparar o ‘Sopão do Peru’, que serviremos antes da saída do bloco na Quarta-Feira de Cinzas”, disse. “Como este ano o bloco não fará seu tradicional desfile, em virtude do atual momento que passamos, faremos só a distribuição do sopão, obedecendo todos os protocolos e distanciamento social. E serviremos em vasilhas descartáveis. Acreditamos que, se todos fizerem sua parte, com certeza dias melhores virão”, afirmou ele, enquanto cozinhava o mocotó. “Tem que cozinhar o mocotó, tirar o osso, cortar o mocotó, pra poder, quando for na quarta-feira de manhã, preparar para estar tudo prontinho. A partir das 11h30, já estar com as vasilhas cheias para poder distribuir para o povo”, contou.

"O bloco já é do povo", diz presidente do "Rabo do Peru"

Marcos Moraes lembrou que, em 2021, o bloco completará 26 anos de existência, e fazendo ação social durante o ano todo. “O bloco já é do povo”, disse. Se, até o ano passado, a convocação era para que todos participassem do desfile, este ano o pedido para o público é diferente.  “Não venham, porque não vamos sair”, disse. Ele contou que já comunicou a decisão de não ter o desfile ao 10º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Icoaraci.

Live marcará os 20 anos do bloco Chulé de Pato

Presidente do bloco Chulé de Pato, Paulinho Mururé também falou sobre a não realização do Carnaval neste ano. “A gente está triste. O bloco, agora na Quarta-Feira de Cinzas, completa 20 anos”, disse. “Mas, infelizmente, com o crescimento da pandemia, nessa segunda onda, a gente tem que respeitar. Vida é só uma e Carnaval tem todos os anos. Espero sinceramente que, em 2022, pelo menos uma boa parte do nosso povo já esteja vacinada”, afirmou.

O Chulé saía na Quarta-Feira de Cinzas. E, a partir das 12 horas desta quarta, o bloco fará uma live para os foliões, para não deixar passar em branco. “É uma live para comemorar os 20 anos do bloco Chulé de Pato. É um momento especial pra gente. É uma live que está sendo muito bem organizada pela gente. A gente vai cantar uma música de Carnaval, para e conto a história do bloco, como foi o começo. Cantando e contando, desde 2001, ano da sua fundação, como foi a história do Chulé de Pato”, disse Paulinho Mururé.

A live será das 12  às 14 horas, na sede do bloco, na avenida José Bonifácio, no bairro do Guamá.  “A live é pra que a gente também já possa começar a construir o Chulé de Pato para o ano que vem. O bloco não tem fins lucrativos. A gente vive de doações. Cada um dá o que pode. Esse dinheiro a gente paga a reforma do pato, o estandarte, o trio elétrico, a sopa que a gente dá todos os anos. A ideia é a gente fazer uma sopa e chamar só o pessoal da diretoria para que não haver aglomeração. E, a partir da 12 horas, fazer a live, cantando as marchinhas dos anos 40, 50 e 60 do Carnaval. A gente só toca marchinha”, afirmou.

Belém
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