Belém, 410 Anos: praças são espaços de convivência, memória e identidade na capital paraense

Sem praias urbanas, as praças de Belém se tornam o coração pulsante da cidade, repletas de histórias que se entrelaçam entre famílias, comerciantes e moradores

Fernando Assunção (Especial para O Liberal)

Nesta segunda-feira (12), Belém completa 410 anos, tendo nas praças refúgios de lazer, descanso, comércio e pontos de resistência cultural. Sem praias urbanas para oferecer um refúgio de areia e mar, as praças de Belém se tornam não apenas alternativas, mas o coração da cidade, repletas de histórias que se entrelaçam entre famílias, comerciantes e moradores que ali frequentam.

Amanda D’Almeida, pedagoga de 36 anos, é um exemplo do impacto que as praças de Belém têm na vida das famílias. Em um final de tarde na Praça Batista Campos, ela passeava com o marido Leandro, dentista, e os filhos Enzo, de 8 anos, e Caetano, de 8 meses. Para ela, aquele espaço público vai muito além de um simples ponto de lazer. 

“A gente tem o costume de vir aqui na Praça Batista Campos pelo menos uma ou duas vezes por semana. Nós moramos no bairro de Nazaré, mas essa é a nossa praça preferida. Aqui as crianças podem brincar, correr e interagir com outras, o que é uma grande oportunidade em uma cidade quente como Belém”, conta Amanda.

A pedagoga também faz uma reflexão sobre a importância das praças como lugares de convivência social. “Em Belém, a praça é um espaço democrático, sem distinção de classe. Todos se encontram ali. Acho que precisamos de mais espaços que promovam encontros familiares e sociais como esse, que são essenciais para a nossa cidade.”

A relação afetiva de Maylen Santos, vendedora de 43 anos, com a Praça Batista Campos é ainda mais pessoal. Nascida em Curitiba e moradora de Belém há mais de 30 anos, ela aproveitou o final de tarde para se despedir das primas Maria José e Cláudia Santana, que moram no Rio de Janeiro, mas nasceram em Belém. O local foi o cenário escolhido para reviver as memórias de infância e adolescência compartilhadas com as primas.

“Aqui é um lugar onde a gente se encontrava na adolescência, andava de patins, curtia as tardes. Agora, com as minhas primas, a gente tá criando novas memórias. Quando a gente chega aqui, parece que volta no tempo”, diz Maylen, com um sorriso nostálgico no rosto.

Ao lado da alegria, ela também lembra da necessidade de cuidados com os espaços públicos. “A praça é maravilhosa, mas acho que falta um pouco mais de consciência da população para manter esse lugar limpo e bem cuidado. As pessoas exigem que a cidade seja tratada com respeito, mas isso também passa por cada um de nós", comenta.

O papel central dos comerciantes 

A conexão das praças com os moradores de Belém não é apenas afetiva. Para muitos, elas representam uma fonte vital de sustento, como é o caso de Alvino Barreto, jornaleiro há mais de 40 anos na Praça da República. Ele conhece a praça como poucos e, ao longo das décadas, assistiu a transformações importantes tanto no espaço quanto no consumo de jornais e revistas. 

"Hoje em dia, tem muita gente que já prefere o digital, mas ainda tenho leitores que vêm comprar revistas e jornais, e as bancas se adaptaram, trazendo quadrinhos, mangás e outros produtos", explica Alvino, que vê as bancas de jornal como verdadeiros "patrimônios afetivos" da cidade.

Além das bancas, a Praça da República concentra importantes pontos culturais de Belém, como o Theatro da Paz e o Cine Olympia. Alvino destaca que a praça é um dos principais cartões-postais de Belém e um centro de agitação e cultura. "Aqui, sempre tem algo acontecendo, seja uma manifestação cultural, feirinhas aos domingos ou até mesmo uma batucada. É um espaço eclético, onde diferentes públicos se encontram."

Outros espaços, como a Praça do Carmo, na Cidade Velha, centro histórico de Belém, têm um valor cultural e histórico. Com forte ligação à religiosidade e à memória de Belém, ela atrai moradores e turistas interessados na arquitetura e na história da cidade, reforçando o turismo cultural e o comércio local. 

A Praça do Relógio é outro ponto de encontro simbólico para belenenses e turistas, representando a entrada principal da cidade e um centro de manifestações culturais e atividades comerciais cotidianas.

Principais praças de Belém

Praça da República – Um dos maiores cartões-postais da cidade, com o Theatro da Paz e o Cine Olympia como seus marcos culturais.

Praça Batista Campos – Arborizada e tranquila, é o local preferido para passeios em família.

Praça do Carmo – No centro histórico, é um ponto de forte ligação com a religiosidade e a memória da cidade.

Largo do Relógio (Praça do Relógio) – Símbolo de encontros culturais e manifestações cotidianas, especialmente importante para ambulantes e comerciantes locais.

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