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Banhos e essências da flora amazônica podem afastar energias ruins de agosto 

Para muitas pessoas pelo mundo ele é tido como o mês do "desgosto”. Com a pandemia, o desafio aumenta

Cleide Magalhães

Chegou o mês de agosto. Para muitas pessoas pelo mundo ele é tido como o mês do "desgosto”. Em meio à pandemia da covid-19, como suportar um mês com má fama tendo diversos compromissos suspensos, parados ou até atrasados? Além do mais, agosto é um dos meses mais longos em 2020, indo até dia 31 e conta com cinco sextas-feiras, sábados e domingos. O mesmo se repetiu somente com maio. Na feira do Ver-o-Peso, maior complexo de feira livre da América Latina, em Belém, onde trabalham cerca de cinco mil feirantes, no setor de Ervas é possível encontrar produtos para os feitiços certeiros para afastar as energias ruins e abrir caminhos neste oitavo mês do ano em plena pandemia.

A umbandista e católica Clotilde de Melo, conhecida nacional e internacionalmente como "tia Coló", que completa 67 anos nesta segunda-feira (3) - dos quais há 36 anos trabalha na banca dela no Ver-o-Peso, no setor das Ervas - recomenda os banhos das 21 Ervas e Abre Caminhos, para afastar as energias ruins deste mês agourento e da pandemia. "Para agosto aconselho o banho de 21 Ervas Atrativas, que é indicado para descarregar essa pandemia, mandá-la pra bem longe e não vem mais. Ele serve para trazer saúde, felicidade, prosperidade, amor e união no lar. O banho do Abre Caminhos é para fazer o mal ir pra bem longe mesmo daqui e atrair coisas boas", afirma a erveira.

Ela explica que o banho de 21 Ervas Atrativas conta diversos tipos de ervas de descarga da flora amazônica, como comigo ninguém pode, quebra barreira, mucuracaá, cipó-alho, pião roxo e outras. "Eu preparo e deixo tudo pronto nas garrafas. A pessoa toma o banho normal dela e depois coloca o banho no corpo, do pescoço pra baixo. Pode usar nas segundas, quartas e sextas-feira".

No intervalo, dias de terças e quintas-feiras, pode tomar o banho do Abre Caminho. "Já este banho leva as folhas de abre caminho, chama, busca longe, manjericão, dinheiro em penca e outras. Pode tomar nos intervalos do 21 Ervas Atrativas e banha do mesmo jeito. Agora, ao usar os banhos, a pessoa tem que acreditar que as coisas boas vão acontecer, tem que ter fé", esclarece "tia Coló", que prepara também para vendas perfumes e outros produtos, e conta com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré na banca de vendas.     

A empresária Edna Menezes, 48 anos, esteve na manhã desta segunda (3) no setor de Ervas, para comprar essências para levar para uma viagem. "Vim comprar priprioca, patchouli, breu branco, cheiro do Pará e outras para dar aos amigos de Fortaleza (CE) como lembranças do Pará, pois sempre viajo e as pessoas me perguntam muito pelas nossas essências. Então, dias antes das viagens, venho aqui no setor das Ervas. Há muito tempo, eu também uso o Raízes do Sol, como atrativo, e óleo de pequi, que serve para baques, dores. Compro muitas coisas aqui que são para uso medicinal", afirma a empresária.

Edna Menezes é do Tambor de Mina, religião Afro-brasileira com derivação do Candomblé, e afirma que agosto não é um mês agourento para ela. "As pessoas dizem que agosto é um mês de 'desgosto'. Mas para mim, para minha religião não é. Este mês é de Exu e é um mês de rituais de abertura de caminhos. Então, para mim, por exemplo, que trabalho em comércio, é um mês importante porque vou fazer minhas obrigações para abertura de caminho. Os banhos e as essências são importantes inclusive para afastar essas energias pesadas da pandemia, que, para nós, é um momento de transformação espiritual. Agora, não é só tomar os banhos e usar as essências, mas precisa ter fé. Eu tenho fé nos meus orixás e guias, para que os princípios ativos das ervas possam agir. Caso contrário, não têm resultados", enfatiza a empresária.

Ainda segundo "tia Coló", que é do grupo de risco à covid-19 devido à idade, com todos os cuidados necessários, ela precisou voltar ao trabalho na última semana, depois de três meses sem ir pra banca devido à pandemia. "Mas, por enquanto, as vendas estão fracas para praticamente todo mundo aqui. Até agora, 10h, vendi somente duas garrafas de banhos. Em tempos normais já teria vendido pelo menos 20 garrafas. Vamos acreditar em Deus de que tudo melhore. A esperança é que tudo vai melhorar e estejamos todos juntos com muita saúde e com essa pandemia bem longe", afirma erveira, que usa máscara, disponibiliza álcool 70% para os clientes limparem as mãos e mantém a higiene da barraca.

História

De acordo com sites que tratam de lendas e superstições, a má fama de agosto também remonta ao passado quando o povo da Roma antiga temia um gigante monstro que aparecia no céu, que na verdade era a constelação de Leão, mais visível nessa época do ano. Já a clássica frase “agosto, mês do desgosto”, surgiu em Portugal, na época dos descobrimentos.

Os casamentos que ocorriam eram considerados “azarados”, pois as caravelas costumavam partir para o Novo Mundo nessa época. Quem se casava em agosto não conseguia fazer a lua de mel e as noivas ainda tinham o risco de se tornarem viúvas antes mesmo de aproveitar a melhor época do casamento: o início.

Outra frase muito conhecida do mês é “agosto: mês do cachorro louco”. A expressão tem origem da suposição de que agosto é o mês com maior incidência de cadelas no cio. Como consequência, os machos ficam “loucos” e brigam entre si. Além disso tudo, alguns fatos históricos contribuíram para que agosto levasse a fama de agourento.

Palavras-chave

Belém
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