Advogado de sindicato sustenta versão de que PM atirou em jovem no Mormaço

Suspeita se confirma com relatos de policiais civis e militares e testemunhas do fato

Victor Furtado

O homem que atirou em Vinícius de Moraes, de 20 anos, na casa de shows Mormaço Bar e Arte, é policial militar. Só que ainda não foi identificado. A informação foi confirmada por Fernando Soares, diretor do Núcleo de Atendimento do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Pará (SHRBS-PA). O caso ocorreu na madrugada de sábado (15). Ainda segundo o advogado da entidade sindical, muitos policiais costumam se valer de uma brecha do Estatuto do Desarmamento para ingressar em locais onde armas são proibidas.

Fernando está acompanhando o caso pelo sindicato, que confirmou que prestará assistência jurídica ao Mormaço. Pelas informações que já conseguiu reunir, junto à Polícia Civil, policiais militares e relatos diversas de testemunhas, tudo começou com uma briga entre dois homens. Um deles, segundo as mesmas fontes, era o suposto policial militar. O motivo seria uma mulher. Agressões começaram, a confusão aumentou e o atirador sacou a arma. Nesse momento, Vinícius — que ainda não se sabe se foi envolvido na briga de alguma forma — tentou buscar abrigo.

O desconhecido fez o disparo que acabou atingindo Vinícius na cabeça. Mas o jovem não seria o alvo. O disparo atravessou e o rapaz segue em estado grave, internado no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua. O atirador fugiu do local. No boletim de ocorrência, registrado pelas vítimas, já havia a tese de que se tratava de um policial. Só que no registro, feito na unidade da Polícia Civil do HMUE, não havia certeza se seria um policial civil ou militar.

"Infelizmente, há um espírito de corporativismo entre policiais. Mas as imagens do circuito interno de segurança já foram cedidas à polícia. O policial será investigado e punido, mas ainda não sabemos a identidade dele. É certo que um agente público de segurança deveria dar segurança, zelar pela segurança da população. Não atacá-la. Se ele não tem equilíbrio emocional para lidar com uma situação como a deste sábado, não deveria portar uma arma e nem fazer parte da polícia", critica o advogado do SHRBS.

Belém