Acidentes com animais peçonhentos: Pará teve mais de 9 mil casos e 36 óbitos em 2021

Saiba o que fazer nessas situações. Em 2022, já são 5.078 casos e 23 mortes. Belém sediará Congresso de Medicina Tropical abordando esse assunto

O Liberal

O Pará registrou, em 2021, mais de 9 mil acidentes com animais peçonhentos que resultaram na morte de 36 pessoas. Levantamento da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) indica que em 2021 foram registrados 9.367 casos de acidentes com animais desse tipo (serpente, aranha, escorpião, lagarta, abelha, entre outros). Já em 2022, até o momento, são 5.078 casos da mesma natureza. Em relação aos óbitos, foram 36 em 2021 e 23, até o momento, em 2022. Como o período chuvoso provoca o aumento desse tipo de acidentes, é bom conferir, agora, quando as chuvas se intensificam no Estado, alguns cuidados relacionados a essas situações.

O período invernoso propicia o aparecimento de animais peçonhentos em áreas habitadas por seres humanos, como casas, quintais e vias públicas, entre outros locais. A Região Metropolitana de Belém é cortada por rios, igarapés e canais. Nesse cenário, aumenta a possibilidade de acidentes, uma vez que os animais acabam ficando desabrigados em virtude da circulação e acúmulo maior de água e, então, buscam por lugares secos e quentes, como casas, sapatos e botas. 

A maior parte desse tipo de acidente, em 2021, abrange as serpentes, seguido por escorpiões, aranhas, abelhas, lagartas e outros animais, além de peixes e arraias. Os acidentes com óbitos envolveram serpentes, escorpiões e aranha. 

Atenção

O Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) repassa que uma pessoa, ao se deparar com algum animal silvestre, deve, de imediato, acionar o serviço de Resgate. Deve-se manter distante do animal, a fim de evitar qualquer tipo de dano para ambas as partes. 

O primeiro passo, então, afastar-se do bicho e ligar para o 190. O Centro Integrado de Operações (Ciop) aciona o BPA para deslocar uma guarnição para o resgate, e, depois de avaliação das condições de saúde do animal, soltá-lo ao habitat natural.

Procedimentos 

Ao sofrer um acidente com animal peçonhento, como orienta a Sespa, a pessoa deve procurar por atendimento médico imediato; se possível, lavar o local da picada com água e sabão, (exceto acidentes por águas vivas e caravelas) - deve-se manter a vítima em repouso até a chegada ao pronto socorro; não amarrar o membro acidentado e não cortar, sugar ou aplicar qualquer tipo de substância (pó de café, álcool, entre outros) no local da picada; não ingerir ou oferecer bebida alcoólica para o acidentado; informar ao profissional de saúde o máximo possível de características sobre o animal como: tipo de animal, cor, tamanho, entre outras. 

No caso, de acidentes com águas-vivas e caravelas: deve-se lavar abundantemente o local com solução fisiológica, fazer compressas geladas de/e lavar o local com ácido acético (exemplo vinagre)  sem esfregar a região. A remoção dos tentáculos aderidos à pele deve ser realizada de forma cuidadosa, principalmente com o uso de pinça ou lâmina. Procurar assistência médica.

Escorpiões

O medico Pedro Pardal, doutor em Doenças Tropicais, com atuação nas áreas de animais peçonhentos, envenenamentos e intoxicação, participará do 57º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (Medtrop), a ser realizado, em Belém, de 13 a 16 de novembro, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia. No evento, será abordado o tema “Acidentes humanos por Tityus obscurus. Sua relevância nos acidentes por aracnídeos no estado do Pará”.

Conforme destaca o professor Pedro Pardal, os acidentes e envenenamentos por escorpiões são considerados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), um evento negligenciado, com cerca de um milhão e 200 mil acidentes anuais no mundo. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação apresentados pelo médico apontam o registro de 759.783 acidentes por escorpiões no Brasil, no período de 2017 a 2021, com média de 151.956 casos anuais; sendo os estados de Minas Gerais, Bahia e S. Paulo com maiores números de casos. “Só na região Norte, foram 26.058 acidentes, correspondendo a 3,42% do total de casos do Brasil, dos quais 10.004 (38,39%) foram registrados no Pará".

“No caso de picada de escorpião, a vítima deve, se possível, capturar o animal ou tirar uma foto e procurar o atendimento médico o mais breve possível, para receber o tratamento. Os casos leves não necessitam de antiveneno, somente os casos moderados e graves”, explicou. Ele informou que, no Brasil, existem cerca de 180 espécies de escorpiões. Entre eles, está o T. obscurus, encontrado nos estados do Pará, Amapá e Mato Grosso. “Na Amazônia, os principais agentes do escorpionismo são o T. obscurus, T. silvestris e T. metuendus, esse último especialmente no estado do Amazonas”, ressaltou o médico.

Uma das observações feitas por Pedro Pardal é que há diferenças entre as manifestações clínicas das vítimas do escorpião T. obscurus da Região Metropolitana de Belém (RMB) e as da região Oeste do Pará. Em Santarém, Rurópolis, Novo Progresso, Itaituba, Monte Alegre, Oriximiná, etc., as vítimas apresentam uma clínica com manifestações neurológicas exuberantes, com ataxia de marcha (alteração do movimento de andar), dismetria (incapacidade de direcionar ou limitar adequadamente os movimentos), mioclonia (contração muscular involuntária que gera movimentos bruscos), sensação de choque pelo corpo. Já nos municípios de Belém, Ananindeua, Benevides, e outros da RMB, não apresentam esta manifestação citada para a região Oeste.

Pedro Pardal explicou que a causa das diferenças sintomáticas está na composição do veneno do T. obscurus. “No entanto, ainda não existe um estudo científico que esclareça qual componente do veneno leva a essas manifestações neurológicas nas vítimas da região Oeste”, concluiu.

As principais medidas para a população evitar acidentes com escorpiões são:

· Manter vedadas frestas e buracos em assoalhos, rodapés e paredes;

· Usar luvas e calçados fechados, ao realizar atividades rurais ou de jardinagem;

· Examinar o interior de calçados, roupas, lençóis e toalhas de banho antes de usá-los;

* Manter a limpeza do ambiente e armazenar o lixo em local adequado;

* Limpar periodicamente os terrenos baldios próximos às residências e não deixar entulhos próximos ao muro ou cerca.

Belém
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